
Antes dos Beatles irem para a tão sonhada recepção nos EUA — onde nenhum deles esperava por todos aqueles fãs os recepcionando no aeroporto de Nova York — Brian Epstein tinha outro planos para os seus meninos. Eles antes fariam alguns shows na França, em Paris, mas precisamente no teatro Olympia, entre os meses de janeiro e fevereiro de 1964. Pois de acordo com todos os Beatles, eles não queriam chegar na América, sendo apenas alguém na lista das mais tocadas, como tinha acontecido com alguns dos seus heróis do passado, sendo logo esquecidos na sequência, de suas respectivas turnês, por exemplo.
Mas numa noite em Paris, tudo mudou. Pois logo que chegaram ao hotel depois de um show no teatro Olympia. Brian lhes disse que tinha acabado de receber um telegrama da própria Capital Records dos EUA, lhes dizendo que eles tinham acabado de chegar ao 1° lugar das paradas norte-americanas, com a música: I Want To Hold Your Hand. Para a felicidade de todos, é claro. Que imediatamente começaram a pular, gritar e até mesmo a subir nas costas de Mal Evans, o road manager do grupo, dentro de seus respectivos quartos.

Derek taylor, o jornalista do Daily Express na época, estava se entrosando muito bem com toda a banda, e ele então, aproveitou aquela oportunidade para escrever uma coluna no jornal com George Harrison, onde ele dizia, que tinha conquistado toda a Versalhes, e agora seria só uma questão de tempo, até conquistarem a América também. Ou pelo menos, se eles iriam gostar deles como a Europa tinha gostado, no momento. Por isso ainda estavam um pouco apreensivos, com a receptividade nos EUA, país que sempre tinha servido de influência direta para todas as suas músicas.
Com tudo isso em vista, Derek foi convidado pelo próprio Brian Epstein, para lhe ajudar com o seu livro autobiográfico, e assim, foram até a região de Torquay, cidade litorânea britânica, localizada em Devon, no sul da Inglaterra, para trabalharem um pouco no que viria a ser, A Cellarful os Noise — Um Porão Cheio de Barulho, traduzindo para o português — e Brian gostou tanto do resultado final de seu livro autobiográfico, que resolveu chamá-lo para ser assessor de imprensa da banda. E assim, Derek Taylor aceitou aquela oferta sem pensar duas vezes, e resolveu se demitir do Daily Express.
Porém, Brian retornou a ligação para a Capitol Records, quase que de maneira imediata, lhes dizendo que eles só teriam os Beatles na América, se a gravadora gastasse uma quantia considerável em marketing e publicidade também. E assim, um novo acordo se estabaleceu entre todos, onde a Capitol, prometeu gastar uma soma de aproximadamente 50 mil doláres para isso. De acordo com as lembranças de George Harrison, para o livro Anthology dos Beatles.
Na lembrança de Paul MacCartney, os fãs norte-americanos começaram a usar uma peruca ao estilo Beatles, chamada de moptop, onde acabavam tirando diversas fotos com elas. E foi assim, que começou a se espalhar a Beatlemania pelos EUA também. E Paul ainda se lembra, de outra ocasião, quando o avião estava prestes à aterrisar no aeroproto em Nova York, quando o próprio piloto, lhes disse através de sua escuta na cabine, que tinha uma multidão esperando por eles lá embaixo. O que foi uma imensa surpresa para todos os Fab Four, quando desceram daquele avião e tiveram que acenar para eles, como se fossem da realeza britânica. O que talvez, passassem a ser naquele instante mesmo.



Assim, no dia 9 de fevereiro de 1964, os Beatles, enfim, se apresentariam no The Ed Sullivan Show, porém nos ensaios, para o programa, que aconteceu no dia 8, George teve uma amigdalite terrível e não pode ir. Ficando em seu lugar o próprio Mal Evans, que teve se segurar apenas a sua guitarra para marcar o seu lugar, na ocasião.

Ringo diz no Anthology, que todos ficaram ensaiando a tarde toda nos estúdios da CBS, em Nova York, um dia antes da tão aguardada apresentação; porém, em sua visão, o som na época, era tão ruim, que eles tinham que ir para a cabine de controle logo depois dos ensaios, para junto do engenheiro de som, ajeitar tudo o que eles tocaram, mas logo depois que sairam, a faxineria do local, viu todas aquelas marcas de giz na mesa, e assim, decidiu limpá-la. E assim, todos tiveram que retornar a cabine de som e refazer todo o serviço novamente.
George Harrison, também recorda que todos estavam cientes da importância daquela apresentação no programa, pois eles tinham acabado de receber um telegrama do próprio Elvis Presley e de seu empresário, o coronel Tom Parker, mandando as mais nobres felicitações para eles. E assim, quando os Beatles se apresentaram, no outro dia, num domingo, até mesmo os índices de criminalidade nas ruas de Nova York desceram. Pois praticamente todos tinham parado o que estavam fazendo, para assisti-los na televisão.
Paul em entrevistas sempre fez questão de dizer que a audiência na época, beirava aos 74 milhões de telespectadores, o que ainda para os dias de hoje, é um tremendo recorde a ser batido. Pois todos estavam um pouco curiosos de ver aqueles quatro garotos que possivelmente, nas palavras do próprio John lennon, estavam usando “perucas com caspa de verdade”.

De acordo com John Lennon, todos estavam bastante deslumbrados com a a primeira visita deles na América, mas depois, no outros anos, quando eles tinham que repetir tudo novamente, começou a ficar muito maçante para todos. Sem contar aquele barulho ensurdecedor vindo do público, onde nenhum integrante da banda, conseguia escutar direito, o que estavam tocando, muito menos cantando também.
George Martin, o produtor musical dos Beatles, disse em diversas entrevistas também, que eles nessa época, quase não tinham tempo de ficar nos estúdios de gravação, pois tinham que ir logo para os shows agendados por Brian. Ficando tudo a encargo dele e de outros engenheiros de som também, ter que finalizar os seus primeiros discos em mono. Ou seja, os Beatles faziam suas gravações habituais, daquelas faixas no disco, e assim, corriam logo daqueles estúdios, enquanto o senhor Martin se encarregava de mixá-los adequadamente em dois canais em mono. Ele até poderia mixar em estéreo na época, mas preferia em mono, que era como se todos estivessem tocando ao mesmo tempo, como se fosse uma espécie de gravação ao vivo.
No dia 24 de março de 1964, John aproveitou toda aquela oportunidade Beatlemaníaca da época, e decidiu assim, lançar o seu livro, intitulado: In His Own Write, contendo suas piadas e poesias da época do colégio também.

O livro também apareceu no filme dos Beatles, chamado: Os Reis do iê-iê-iê, e de acordo com o próprio George Harrison, foi a melhor publicidade que um livro poderia ter na época.
De acordo com o próprio John, se ele não fosse um Beatle, provavalmente seria um poeta Beat. Pois o livro surgiu através de páginas em que ele escrevia e que acabava tendo como destino, os seus próprios bolsos, e assim, quando viu, já tinha um livro completo para ser publicado, vindo a se tornar depois, um verdadeiro best-seller, tendo vendido aproximadamente 2 milhões de exemplares ao redor do mundo.
Em abril de 1964, os Beatles tinham emplacado os cinco primeiros lugares nas paradas norte-americanas. O que era algo incrível para o Ringo, por exemplo. Pois antes disso, dificilmente um único artista, emplacava diversas músicas nas paradas dos EUA. Sendo os Beatles, os primeiros a fazer tal feito para a história.
Em junho de 1964, os Beatles iniciariam sua tão aguardada turnê mundial, passando pela Escandinávia, Holanda, Hong Kong, Austrália e Nova Zelândia. Porém Ringo Starr, teve que ser internado às pressas, em um hospital, no Reino Unido, por causa de sua amigdalite. E assim, todos tiveram a ideia de substituí-lo o quanto antes, por um baterista de Londres, chamado Jimmy Nicol, que de acordo com o Paul, até tocava bem, mas não era tão bom quanto Ringo. Deixando uma certa magoa no próprio Ringo, pensando que a banda pudesse susbtituí-lo de vez, por causa de sua doença. Mas logo, Jimmy Nicol saiu de cena quando eles estavam prestes a tocar na Austrália, para que Ringo, já recuperado, pudesse assim, assumir de vez as baquetas da banda. E vir à finalizar aquela turnê mundial de uma vez por todas.

George na época, ficou muito aborrecido com tudo aquilo, pois ele queria que tivesse outra maneira para contornar aquela situação. Mas de acordo com o Brian, como a turnê já estava agendada há bastante tempo, não teriam como reagendá-la novamente para uma outra ocasião. Então Ringo teve que esperar sua garganta melhorar, tentando se alimentar somente com gelatina e sorvete, e assim, torcer para que todos o aceitassem de volta.
Foi um grande problema aquilo. De acordo com o George Martin. Porque George Harrison, sempre tinha sido muito fiel aos seus amigos, e disse à todos, na ocasião, de que se ringo não fosse fazer a turnê na Austrália, também não via motivo algum de fazer aquilo também. Tendo que o próprio George Martin e Brian Esptein também, terem que persuadi-lo à fazer aquilo, muito a seu contragosto. Mas no final, acabou dando tudo certo, e os Beatles estavam de volta para finalizar aquele empecilho em suas vidas, ao longo do término de sua primeira turnê mundial.
Porém, Jimmy Nicol, antes que tudo voltasse ao normal, teve que ensaiar com o grupo nos estúdios de Abbey Road, em Londres, junto com os outros três Beatles, para aprender todas aquelas músicas de autoria de Lennon & MacCartney. Mas logo depois que Ringo voltou, ele acabou caindo no ostracismo novamente, como diria o próprio George Martin no livro Anthology.
John Lennon recorda de quando ele estavam em Amsterdã, por exemplo, numa espécie de clube de striptease, onde a grande maioria das pessoas faziam questão de cumprimentá-lo, enquanto ele simplesmente rastejava pelo chão, por causa de diversas bebidas ou até mesmo era escoltado pela polícia local para fazer todos aqueles shows, onde os Beatles tinham o dever de conquistar, a cada nova apresentação, aquelas novas cidades que apareciam no mapa.
Já em Hong Kong, os jornais locais diziam que os Beatles estavam “perdendo a batalha para os gritos”, em relação as suas apresentações em outros países, por exemplo, onde o próprio sequito de seus fãs, não parava um minuto sequer, ao longo das apresentações, de gritar ensandecidamente; porém, nas lembranças tanto de John como na de Paul também, o público em Hong Kong, era muito comportado e os aplaudia sempre ao término das suas canções, sendo a primeira vez desde que a Beatlemania tinha se estabelecido, em todo o mundo, onde os próprios Beatles conseguiam se escutar no palco.
Chegando na Austrália, George Harrison se recorda muito bem, que a imprensa começou a se indagar, dos motivos que os Beatles não acenavam para a multidão, que estava perto do hotel e queriam somente vê-los. E assim, todos foram para fora, com suas capas de chuva improvisada para fazer tais atos.
Paul ainda se lembra também de que a tia de John, a Mimi, optou em ir com eles para a Austrália também. E sempre que podia, repreendia-o. Onde John, logo em seguida, se desculpava com ela, como se fosse um menino indefeso.
Porém, ao longo de toda a turnê, começou a acontecer algo que os deixava um pouco retraídos. Pois diversas famílias tinham o hábito de levar pessoas com deficiência ou doentes, até o camarim da banda, para que os Beatles pudessem tocá-la, como se isso fosse resolver o problema daquela gente. Como se os próprios Beatles, fossem alguma espécie de reis medievais, onde o povo, realmente chegava a acreditar, que a partir de qualquer toque que eles pudessem dar naquelas pessoas, pudessem levá-las à cura. O que era algo bastante constrangedor para todos os envolvidos. Chegando à um ponto em que todos da banda avisavam para o Mal Evans, o road manager da banda, dizendo apenas: “Mal… aleijados!”, e logo, Evans entendia que deveria retirar aquelas pessoas de seus respectivos camarins.
Depois da Austrália e Nova Zelândia, os Beatles retornariam para a Inglaterra, com a intenção de lançar mundialmente o seu filme: Os Reis do iê-iê-iê, no Piccadilly, em Londres e em Liverpool também.
John, por sua vez, achava que retornar para Liverpool, poderia ser um pouco caótico, pois os Beatles conheciam muita gente por lá. Ainda da época que eles usavam roupas de couro, por exemplo; e agora todos estavam usando ternos —algo que foi imposto à todos eles, diretamente por Brian Epstein — que com toda a certeza, os liverpulianos agora, poderiam até achar que a banda tinha se vendido para a indústria. O que na opinião do próprio Lennon, quem pensasse assim, poderia até estar com uma certa razão também.
Depois do lançamento do filme, alguns jornalistas começaram a perguntar aos Beatles, se eles estavam se preparando para caso o sucesso deles chegassem ao fim, algum dia. Mas eles tendo vindo dali mesmo, diretamente de Liverpool, respondiam na brincadeira, para tentar sempre quebrar o gelo de toda aquela situação, com muitas piadas e carisma também.
Porém, na segunda volta deles para os EUA, tanto George como John, fizeram questão de fazer Brian prometer que se alguém lhes perguntassem sobre a Guerra do Vietnã, por exemplo; eles iriam dizer o que pensavam sobre aquela grande tolice. Mas por outro lado, mais tarde, o próprio John entendeu perfeitamente o real motivo de Brian querer poupá-los daquilo tudo. Porque na época, dificilmente algum artista, opiniva sobre qualquer tipo de assunto político, que envolvia dois ou mais países. Ainda mais em uma guerra como aquela. Podendo com isso, vir à afetá-los diretamente. Mas depois, de acordo com o próprio George Harrison, todos se sentiram muito mais livres para opinarem sobre o que quisessem, com os jornalistas que viajam com eles nas turnês.
Outro fato bem marcante desse período também, foi o grande encontro dos Beatles com o Bob Dylan, pois os Fab Four, na época, chegaram a comprar o primeiro álbum de Dylan, de 1962, e costmumavam escutá-lo repetidamente. Principalmente John, que amava seu jeito de fazer poesia musical com as palavras que escrevia para as suas músicas.
Bob Dylan encontrou eles em Nova York. Depois de um show que os Beatles fizeram. E de acordo com o próprio Paul, John depois iria fazer uma música chamada: You’ve Got to Hide Your Love Away, por causa da influência direta que o Dylan teve em sua própria persona como artista.
John em entrevistas mais tarde, também disse que foi o próprio Bob, que o ajudou à pensar, por exemplo; a partir de suas letras que sempre estavam cheios de significados profundos e que poderiam ser usados em seu próprio trabalho como músico e poeta. Olhando sempre para o que tinha vivido e experienciado em sua vida, externalizando-a para a sua arte, assim como o trovador Dylan fazia também.
Assim, uma noite, os Beatles realizaram uma festa no hotel em que estavam hospedados, em Nova York — onde inclusive o Bob Dylan também estava — e Paul ainda se recorda muito bem, que depois de ter fumado maconha com todos eles, insistia em dizer a Mal Evans o tempo todo, que tinha finalmente encontrado o sentido da vida. Mas logo no outro dia, depois que acordava com os outros, não via sentido algum no que tinha escrito, na noite anterior, devido aos efeitos nocivos da maconha e de qualquer outra droga que pudesse ter tomado na época.
Em uma outra ocasião também, John se recorda que todos estavam muito aéreos, enquanto Bob ficava insistindo para que todos eles ouvissem as suas novas músicas, naquelas fitas que ele sempre carregava consigo, pedindo à todos que prestassem muita atenção a todas aquelas novas letras que tinha escrito. O que imediatamente, todos começaram a rir sem parar daquilo, pois não conseguiam se concentrar direito por causa dos efeitos da maconha também.
Na visão de Paul, tanto Bob Dylan como John Lennon, começaram a escrever o seus próprios materiais, por causa de um poeta americano, chamado: Dylan Thomas. E inclusive, o próprio Bob, acrescentou ao seu próprio sobrenome artístico, o nome de Dylan, para fazer homenagem ao poeta americano. Pois como todos sabiam na época, seu nome de batismo era: Zimmerman e não Dylan, com origem judaica.
Mas retornando a visão de mundo de Paul, na época, todos os Beatles estavam de algum jeito inseridos na arte. Sendo ele próprio um leitor ferrenho de poesia, assim, como John também era. Mas algo que lhe trás uma certa paródia à tudo isso, por exemplo, foi quando ele em 1953, ganhou um livro sobre arte moderna na escola, por causa de um concurso de ensaios em que ele tinha participado e ganhado — junto com outros colegas também — vindo a escrever à respeito da coroação da rainha Elizabeth II, que aconteceu no dia 2 de junho daquele mesmo ano. Então, na opinião dele, todos daquela época, de alguma maneira, estavam envolvidos com a arte. E no fim, acabaram fazendo algo com isso. Vindo a se tornarem pintores, poetas ou até mesmo músicos, como era o caso de todos eles ali.
Depois da grande turnê americana. Era hora de voltar para a Inglaterra novamente, e assim, adentraram novamente nos estúdios, para o que viria a ser o álbum: Beatles For Sale de 1964. Mas Brian já tinha planos para os Beatles. Pois todos iriam recomeçar depois daquelas gravações, é claro, uma nova turnê pela Inglaterra, se apresentando em teatros, cinemas e auditórios pequenos, em comparação aos grandes estádios de futebol norte-americanos, por exemplo.
E assim, em outubro de 1964, de acordo com George Harrison, os Beatles voltaram para a Inglaterra, para se apresentarem em Accrington, no condado de Lancashire, na Inglaterra, por apenas dois pence por mês. Mesmo já tendo alcançado o sucesso que todos queriam. E isso seria algo em que ele mesmo sempre se lmebraria com muito carinho, mais tarde. Pois não importava a fama que tinham conseguido, os Beatles sempre cumpriam o cronograma pré-estabelecido, pelo Brian Epstein. Sendo em grandes estádios de futebol nos EUA ou até mesmo em pequenos clubes no norte da Inglaterra também.
Ringo Starr, por exemplo, adorava chegar nos estúdios de gravação e ver que ainda ninguém sabia direito o que iriam fazer, tendo em muitas ocasiões, apenas pequenos trechos de novas músicas apenas. E foi exatamente dessa maneira, que os dois álbuns seguintes: Beatles for Sale (1964) e Rubber Soul (1965), foram gravados, na época. Era sempre um ajudando o outro à terminar as canções, os ritmos e as harmonias das canções também.
Paul nessa ocasião, se lembra muito bem que a sua música chamada: Eight Days a Week, por exemplo, foi gravada a partir do que um motorista de taxi, disse à ele, na hora em que ele desembarcou na casa de John, em Weybridge, no condado de Surrey, na Inglaterra, onde ele mesmo perguntou ao motorista se ele estava trabalhando muito, e o motorista imediatamente lhe respondeu usando aquela novo jogo de palavras em que ele nunca tinha escutado ninguém dizer à ele até aquele momento.
Na visão de Paul, sempre tinha sido assim, que ele e John normalmente compunham. As vezes ele chegava com alguma ideia nova e em outras ocasiões, era o próprio John que o inspirava com algo. Pois normalmente, quando Paul chegava na casa de John, ambos tomavam leite com cereais e depois iam imediatamente até a alguma sala qualquer, pegavam alguma guitarra que estivesse por perto e discutiam algumas ideias iniciais que estavam tendo para alguma canção que queriam compor e depois de duas ou três horas, ele mesmo ia embora da casa de John, já com o material todo gravado na memória. Usando aquele velho método que ambos se apropriavam, onde caso nenhum dos dois se lembrasse corretamente daquelas canções, elas provavelmente não seriam boas o suficiente, para serem gravadas em estúdios.
John ainda tem lembranças bem vivas desse tempo, com Paul o ajudando-o a compor. Pois quando ele comprou essa casa em Weybridge, se deu conta de que a casa era realmente muito grande para os seus parâmetros. E so descobriu isso, depois que visitou alguns parentes em Liverpool, em casas bem mais modestas e humildes. Pois sua nova casa agora, tinha três andares, uma sala com quatorze guitarras, vinte pianos, órgãos, gravadores; outra sala com diversos carros de corrida; outra onde ele costumava desenhar e escrever; e por fim, outro cômodo aonde estava sempre ligado alguma televisão, passando alguns jogos de futebol, por exemplo, ao qual, jamais ninguém nunca assistia também.
Neil Aspinall, por exemplo, o assistente pessoal da banda na época, também se lembra muito bem, como os Beatles tinham suas agendas totalmente preenchidas por Brian Epstein. Pois no final de 1964, eles além de terminarem a turnê pelos EUA, ainda tiveram energia, para gravarem outro álbum e logo na sequência, retornarem para a turnê agendada pela Inglaterra, novamente. Sem qualquer tipo de descanso pré-estabelecido, ao final da primeira turnê deles. Algo bem diferente ainda para os padrões atuais.
Nas palavras do próprio John: “Nós demos nossa juventude inteira para os Beatles”.
Para termos uma ideia mais precisa do que foi todo o início da Beatlemania pelo mundo, entre o final de 1963 e ao longo de todo o ano de 1964 também. Os Beatles fizeram diversas turnês, discos, filmes, compareceram a uma show de Natal, além é claro, de muitas apresentações de Televisão também, como o: Top of the Pops, Thank You Lucky Stars e Around The Beatles, computando precisamente: 37 apresentações ao todo. Além é claro, de mais 22 shows em rádios da BBC, em Londres, na Inglaterra também. Ficando a pergunta final, que todos os Fab Four, volte e meia se faziam e que alguém teve a ousadia de perguntar diretamente para o próprio empresário dos Beatles, o senhor Brian Epstein, o seguinte:
“Será que {eles} também podem tirar alguma férias, Brian?”
Principalmente em relação a todo esse novo furacão, chamado de Beatlemania na época, e que iria atormentá-los pelo resto de suas vidas, dali para a frente.
