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  • A primeira experiência em Hamburgo

    A Fotografia foi tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr no final de 1960, num parque de diversão em Hamburgo, na Alemanha. {Da esquerda para a direita}: George Harrison, Stuart Stucliffe (ao centro) e John Lennon.

    No inicio dos anos 60, a impressão que dava é de que os Silver Beetles não estavam progredindo como deveriam. Todos na banda faziam suas apresentações em bailes, em Liverpool, mas ainda eram considerados muito amadores em comparação com a banda de Ringo, por exemplo, os Rory Storm and the Hurricanes. Que ao contrário deles, já tinham seus próprios carros e roupas bem melhores de apresentação do que as deles, por exemplo.

    Ringo em uma entrevista até disse que quando os viu pela primeira vez, no Cavern, os achou muito ruins e crus ainda. Algo bem difícil de escutar, em sua visão.

    A banda de John estava sempre à procura de um baterista, por exemplo, onde alguns nos circuito, é que normalmente faziam as baquetas. Até que um dia, Paul se lembrou que tinha um rapaz que tinha acabado de comprar uma bateria de seguna mão. Seu nome era Pete Best e ele vinha de uma família de posses, bem diferente dos outros três que eram da classe trabalhadora.

    E assim, Paul resolveu ligar para ele dizendo que eles teriam que passar uma temporada em Hamburgo, pois tinham sido contratados por um dono de boate, para fazer alguns shows para os seus clientes. O que Pete achou uma ótima ideia. Porém, ele lhe disse que sua mãe tinha uma casa onde o porão comportaria tranquilamente um espécie de cafeteria e clube, para os adolescentes da época e foi logo propondo à todos eles se não poderiam antes de se apresentarem em Hamburgo, fazer alguns shows no Casbah.

    John achou uma excelente ideia e todos foram imediatamente conhecer a casa da senhorita Best, mãe de Pete. Chegando por lá, todos perceberam que o novo baterista era de família bem rica, pois a casa tinha 5 cômodos. Mas a senhorita Best pediu à todos que pintassem aquele lugar antes, pois iria inaugurá-lo logo logo. E assim o fizeram.

    A tinta ainda estava para secar, mas a fome de tocar já era muita e assim, inauguraram logo o estabelecimento, chamado: Casbah, nome indiano por causa das origens da família Best, que tinham vindo de lá.

    George em entrevistas posteriores, achou aquilo muito curioso, ainda mais, porque depois de alguns anos iria se influenciar por toda aquela cultura magnífica da Índia e que ainda por cima, também atraíria todos os outros integrantes da banda, resvalando até em suas próprias músicas.

    O Casbah logo se tornou a casa da banda. Tocavam toda a semana e atraiam cada vez mais fãs permeando as suas músicas. Pete estava muito feliz, enquanto sua mãe, a senhorita Best, ficou encarregada de ser a primeira empresária da banda, agendando novos shows por Liverpool e até mesmo guardando os seus equipamentos por lá quando não queriam levá-lo para a casa.

    Porém, tudo mudou no final de 1961, quando o empresário Brian Epstein, dono da loja de discos, chamada: News, atendeu uma menina pedindo à eles um disco dos Beatles, chamado: My Bonnie. Que eles tinham gravado na Alemanha. E em questão de apenas três dias, tinha vindo mais duas clientes procurando o mesmo disco. E assim, Brian rapidamente tratou logo de encomendar aquele disco de Hamburgo, trazendo várias cópias para a sua loja e ainda ficou muito curioso de saber que eles ainda por cima, eram de Liverpool, como ele também.

    Dessa maneira, um dia, Brian Epstein, decidiu conferir com os seus próprios olhos, o que acontecia no Cavern Club, em Liverpool, no horário do almoço. E quando entrou no clube, os Beatles estavam lá tocando todas aquelas músicas de rock, blues e rhythm and blues, que estavam tocando nas paradas de sucesso, na época; e aos quais, ele gostava também, pelo menos, até certo ponto. Pois Brian preferia música clássica, jazz e outros estilos mais conservadores.

    Diversos mitos surgiram, ao longo dos anos, por causa do nome da banda, mas George Harrison se lembra muito bem que foi Stuart Stucliffe e John Lennon é que deram o novo nome para a banda. E tudo tinha sido por causa de um filme em que os dois assitiram no cinema, chamado: O Selvagem, de 1953, interpretado por Marlon Brando, onde num dos momentos, um dos caras se vira para Jonny (interpretado por Brando) e diz que estava procurando ele, lhe dizendo que todas as “Beetles” sentiram muito a sua falta.

    Paul em uma entrevista até realça que no dicionário de gírias americanas, isso queria dizer: “garotas motociclistas”. ou seja, além da palavra também significar: “besouros” em inglês, ainda era uma palavra que tinha duplo sentido e todos na mesma hora, simplesmente adoraram a ideia e começaram a usá-la dali para a frente. Ficando apenas The Beatles.

    John Lennon propôs a alteração no meio — “Beetles por Beatles” — por causa da música e da literatura Beat que estava surgindo nos EUA no momento e que também estava influenciando todos os jovens de sua época na Inglaterra também. E assim ficou.

    Aqui todos os integrantes da banda, no Indra Club, em Hamburgo, na Alemanha, em agosto de 1960. {Da esquerda para a direita}: John Lennon, George Harrison, Pete Best, Paul McCartney e Stuart Stucliffe. Ainda sem nenhum tipo de agenciamento de seus talentos. Mas todos queriam ter mais experiência quando regressassem para Liverpool, pelo menos.
    Os Silver Beetles se apresentando nos palcos ainda em Liverpool, no dia 10 de maio de 1960. {Da esquerda parav a direita}: Stuart Stucliffe, John Lennon, Paul McCartney, Johnny Hutchinson (baterista provisório e integrante da banda Cass & the Cassanovas) e George Harrison. Antes de todos irem para a Hamburgo em suas primeiras experiências musicais e pessoais também. Integrando logo depois, Pete Best na bateria até o fim de 1962.

    Brian ficou perplexo com aquilo e tentou se aproximar logo daqueles garotos rebeldes. Mas demorou cerca de uma semana até que todos se convencessem à irem até a sua loja de discos, a News, para conversarem sobre um possível agenciamento. Paul lhe disse logo para baixar a sua comissão de empresário da banda para apenas 20%. Mas Brain estava irredutível quanto à isso. E assim, todos enfim, lhe concederam os 25% almejados de Brian desde o início.

    A partir do final de 1961, Brian Epstein assumiria de vez o agenciamento dos garotos, fazendo diversas modificações antes de se apresentarem nos palcos. Como por exemplo, extinguiu de vez a comida entre uma música e outra. Pois ele não gostava de vê-los comendo entre um setlist e outro. Muito menos fumando também. Achava isso extremamente anti-profissional. E assim, a contragosto de John, eles pararam imediatamente.

    John mais tarde, em diversas entrevistas, até disse que se arrependeu completamente de aceitar aquelas condições. Mas logo ficou bem claro que no show Business, se quisessem fazer algum sucesso e ainda por cima, ainda serem respeitados por isso, teriam que adotar certas etiquetas de educação, que antes nenhum deles tinha.

    Como consequência daquelas medidas, eles logo se adaptaram as políticas de publicidade e marketing do novo empresário. Que sempre tinha novos contatos em Londres, para possíveis contratos de gravação. Mas Brian nunca conseguia vender os seus meninos para as gravadoras. Desaminando todos da banda. Que sonhavam em fazer um certo sucesso com a sua arte.

    Na primeira vez em que foram para Hamburgo — antes de conhecerem Brian Epstein da News — todos estavam bastante empolgados. John falou com a sua tia Mimi; Paul com seu pai Jim e irmão Mike; George falou com seus pais à respeito; enquanto Pete comunicou para a sua mãe.

    Mimi não aprovou aquilo, dizendo a John que era melhor ele largar aquilo e voltar para a escola de artes o quanto antes; a mãe de George ficou muito empolgada com a notícia, porém, o seu pai queria que ele começasse a trabalhar em algo que lhe trouxesse mais establidade para a sua família; enquanto Pete, recebeu a aprovação de sua mãe também, lhe dizendo que seria muito bom para eles aquela experiência única.

    E assim todos foram. Mas para a surpresa de todos. Quando eles chegaram em Hamburgo, se depararam com diversos beliches entulhados em um único banheiro que ficava atrás de um cinema. E logo viram, que nem sempre o que prometiam à alguém era realmente a realidade. Mas logo todos conseguiram se adaptar rapidamente.

    No início quase não recebiam ninguém para escutar as suas músicas nos clubes. Mas com o tempo começaram a receber. Paul em entrevistas, diz que eles pareciam ambulantes tentando vender o seu produto à qualquer pessoa que estivesse disposta à escutá-los. E foi assim que chegaram a conhecer Klaus Voormann e Astrid Kirchheerr, um casal de namorados alemães, com influências direitas no existencialismo —corrente filosófica com raízes em Jean Paul Sartre — da época e que ainda por cima, cursavam artes na universidade alemã de Hamburgo.

    Klaus chegou a conhecê-los primeiro. Pois num dia, estava brigando com sua namorada, Astrid, e resolveu sair pelo apartamento afora, indo de encontro com um som que estava saindo de um clube de striptease em Hamburgo. E logo, se deparou com aquela banda. E em seus lembranças foi amor a primeira vista também. Como iria acontecer com o novo empresário deles também, logo depois de um ano.

    No dia seguinte, Klaus convenceu Astrid de ir naquele local onde só tinha gente barra pesada, como alguns mafiosos e gente ligada ao exército alemão do pós-guerra, por exemplo. E Astrid simplesmente se apaixonou por um rapaz da banda chamado apenas de: Stu, pelos mais próximos.

    Stuart Stucliffe, o primeiro baxista dos Beatles, fotografado pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em 1960, em Hamburgo, na Alemanha. Eles logo depois, iriam engatar um relacionamento bem duradouro, até se casarem. Mas antes Stu teria que lhe ensinar inglês.
    Fotografia tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr no final de 1960, num parque de diversão em Hamburgo, na Alemanha. {Da esquerda para a direita}: George Harrison, Stuart Stucliffe (ao centro) e John Lennon.
    Fotografia tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960. {Da esquerda para a direita}: Pete Best, George Harrison, John Lennon, Paul MacCartney e Stuart Stucliffe.

    Stuart Stucliffe era o mais artístico da banda, de acordo com todos, pois ele além de ser o amigo mais próximo de John, na época; ele também era da escola de artes também e tinha fortes indícios de que seria um grande artista ou até mesmo um grande professor de artes. Porém, o acaso lhes trouxe outros caminhos, pois em uma das exposições que aconteciam em Liverpool, Stu, conseguiu vender uma de suas obras modernistas, e assim, todos os seus amigos lhe convenceram a comprar um baixo. Pois o galerista de arte tinha lhe dado 100 libras, na época. Uma fortuna como todos lhe disseram. Pois o baixo custava apenas 60 libras.

    Depois de passar um tempo pensando, Stu enfim, cedeu a pressão de seu amigo John e comprou o baixo, enquanto todos à sua volta lhe disseram que lhe ensinariam a tocá-lo o quanto antes. E assim o fizeram.

    Com a banda completa, todos se empenharam por tocar por longas horas naqueles clubes, tendo apenas uma hora de intervalo se revezando com as outras bandas, inclusive com a de Ringo também. Ringo ficou completamente impressionado com o avanço daquela banda. Mas ainda achava o baterista bem ruim ainda.

    Mas de acordo com John, foi em Hamburgo que todos aprenderam a crescer. No início, para aguentarem as longas horas de shows intermináveis, eles foram aconselhados pelos garçons bem barra pesadas dos clubes, a tomarem Preludin, um remédio para emagrecimento, mas que também os deixava acesos a noite inteira.

    John chegou a tomar mais que todos os outros integrantes juntos. Mas Paul, ficou um pouco receoso no início de tomá-lo. Pois eu pai Jim, sempre lhe disse para ficar bem longe das drogas. Mas naquela época, se você não seguisse a turma era considerado um completo careta. E assim, Paul decidiu tomar também. Ao contrário de Pete Best, que preferia não se envolver com aquilo. Arrumando logo uma namorada striper como desculpa para não aproveitar a noite com os outros. Deixando um imenso buraco no entrosamento da banda.

    Aonde eles estavam as condições eram bem precárias. Não tinha chuveiro para eles tomarem banho, por exemplo, e só foram conseguir um, quando voltaram para Liverpool no final de cinco meses de turnê. Mas aos trancos e barrancos, conseguiram cumprir o cronograma como o prometido, vindo a receberem toda a semana.

    Astrid logo os chamou para tirar algumas fotos deles. Pois ela amou aquele estilo Beat deles. Com calças e jaquetas de couro, sem contar aquelas botas de caubói, vindas dos EUA também. Mas que eram todas compradas na Alemanha. Onde George mesmo disse que os materiais eram de excelente qualidade.

    Com a nova amizade formada entre a banda, Astrid e Klaus também. Eles logo estavam fazendo refeições no apartamento dos namorados alemãs e até tomando banho lá também. Enquanto as prostitutas dos clubes de striptease, se encarregavam de lavar suas roupas em águas quentes. Principalmente as suas cuecas.

    Fotografia de John Lennon, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.
    Fotografia de Paul McCartney, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.
    Fotografia de George Harrison, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.

    Aos poucos, Astrid começou a se aproximar de Stuart e assim, em questão de apenas alguns meses, já estavam namorando firme. Porém, Paul um dia, numa das apresentações que faziam, soltou um comentário de mau gosto perto de Stuart, em relação a Astrid e ele simplesmente lhe atacou, por não ter gostado nada daquilo. Tendo que os próprios seguranças do clube, apartar aquela pequena confusão no palco.

    Paul posteriormente chegou a se lamentar muito daquilo mais tarde. Pois sua maior irritação não era ele estar namorando a Astrid, na época, mas que ele ainda não tinha alcançado a perfeição necessária no baixo, para acompanhar a banda. Ficando sempre no tom errado da música, por exemplo. E isso o irritava muito, pois ele sempre tinha sido muito perfeccionista com todos. Mas ele sabia que Stuart estava ali na banda somente para agradar o seu amigo John. E que talvez, seria apenas uma questão de tempo, até que Stu decidisse voltar de vez, para a escola de artes e abandonar de vez o baixo que tinha comprado.

    Por outro lado, seu amigo John, não tinha tempo para pensar em desentendimentos bobos. E aproveitou aquela oportunidade única, para transar com todas aquelas garotas que pediam beijos e autógrafo seus, em sua beliche compartilhada. Mesmo sendo casado, na época, com Cynthia. Que estava esperando um filho dele; enquanto Paul fazia a mesma coisa também. Mas George teve o momento mais hilário de todos, pois ele ainda era virgem. E assim, quando trouxe uma das meninas para aquele “suposta acomodação” na beliche em que eles viviam, para transar pela primeira vez, todos ao final aplaudiram-no em uníssono. Trazendo recordações bem engraçadas para todos pelo resto de suas vidas.

    Outra vez também, alguns amigos de John Lennon em Hamburgo, queriam se relacionar com algumas mulheres dali — que falavam um pouco mais grosso do que a normalidade e que também trabalhavam naqueles clubes em que todos tocavam — e quando chegaram as vias de fato, descobriram que todas elas tinham pênis também. Trazendo um grande mal entendido à todos os envolvidos. Menos é claro, a banda de John, que já sabia daquilo há algum tempo e que aproveitou a oportunidade para pregar uma peça em seus colegas. Dando gargalhadas na frente de todos, por ninguém ter desconfiado daquilo antes. Pois a banda sabia muito bem quem era mulher e quem não era.

    Com todo aquele divertimento acontecendo, enquanto suas agendas de shows foram sendo, aos poucos, cumpridas. Um belo dia, chegaram alguns guardas no clube para verificar se todos ali tinham a idade mínima para trabalhar e se tinham a devida autorização do governo também. E é claro que verificaram logo, que todos já tinham suas licenças de trabalho expiradas, pois todos já estavam ali há mais de cinco meses, sendo que a licença governamental dava direito a apenas três meses de trabalho. Vindo a se depararem também, com os documentos de George, que na época, ainda não tinha completado os 18 anos requeridos para ficar até de madrugada trabalhando, como era exigido também. E assim, pediram à todos que voltassem a seus respectivos países o quanto antes.

    Para todos foi um completo choque. Pois ninguém tinha conseguido juntar o dinheiro que prometiam trazer para as suas respectivas casas. E assim, quando enfim, todos retornaram para Liverpool, seus destinos estariam incertos, à começar pela tia de John, a Mimi, que viu que ele não saia mais de casa. Chegando a ficar bastante deprimido. Pensando em tudo o que tinha vívido em Hamburgo com os seus amigos e se valeria a pena continuar naquele caminho incerto, junto com todos eles.