Tag: Jane Asher

  • Como se criou o termo Beatlemania, na imprensa britânica, em 1963?

    No novo artigo editorial de hoje, falaremos do surgimento do termo Beatlemania, na imprensa britânica, que aconteceu logo depois que eles se apresentaram no teatro London Palladium, em Londres, no dia 13 de outubro de 1963. Além é claro, de como foi o processo de gravação do primeiro álbum dos Beatles também, intitulado: Please Please Me, nos estúdios da EMI (hoje chamados de Abbey Road), em Londres.

    Ao longo do ano de 1963, além do lançamento do primeiro álbum dos Beatles, chamado: Please Please Me — lançado no dia 22 de março daquele ano — Brian Epstein colocou-os em diversos circuitos de apresentação, onde tiveram que abrir alguns shows de Roy Orbison e Helen Shapiro, momentos antes da Beatlemania estourar no Reino Unido.

    George em entrevistas, disse que aquilo os ajudou no inicio à serem reconhecidos no show business e em locais que ainda não tinham tocado, por exemplo. Dando como destaque, alguns teatros, onde no inicio, somente aquelas pessoas que andavam com eles é que enchiam o ambiente, mas que logo depois de um ano praticamente, os locais imediatamente, viriam a ficar muito abarrotados de gente.

    Todos é claro, adoraram presenciar a criação de uma canção do Roy Orbison, por exemplo; enquanto o grupo estava no ônibus se locomovendo para as devidas apresentações das duas bandas, enquanto o senhor Orbison, simplesmente estava criando ao fundo do ônibus, o riff inicial da música: “Oh! Pretty Women” onde todos eles, imediatamente ficaram muito impressionados com aquilo, e assim, decidiram logo compor alguma música também, para competir com aquele som que nunca tinham escutado em lugar nenhum antes. E que logo depois transformariam aquela influência direta, em um outra música, intitulada: Day Tripper — onde muitos especialistas acreditam ter influências diretas com as músicas de Roy Orbison — e que em 1968 também, lançariam outra música, inspirados no evento em que presenciaram naquela turnê também, chamada: Birthday, para o álbum branco duplo deles, na ocasião.

    Porém, quando todos tiveram que fazer alguns shows junto com a artista: Helen Shapiro, em 1963 também, todos realçam no livro Anthology, que no final, sentiram muito pena dela, pois a Beatlemania já tinha sido instaurada na Inglaterra, deixando todos os artistas que vinham antes ou depois dos Beatles, completamente esquecidos ou até mesmo tendo que tocar em ambientes muito vazios por causa do fenômeno de suas músicas. Deixando-os profundamente tristes com aquilo. Pois em suas visões de mundo, todo o artista teria que ser experienciado e respeitado também.

    George agradece no livro, imensamente a Mal Evans e a Neil Aspinall também, pois o primeiro era o road manager de suas turnês, arrumando todos os equipamentos no palco de apresentação, ao mesmo tempo em que também fazia tudo o que eles pediam e queriam a qualquer hora do dia, já que não podiam simplesmente sair de seus hotéis para comprarem roupas, comida ou cigarros, por exemplo. Enquanto Neil Aspinall, ficava com a parte de assessoria de imprensa deles, junto com Brian Epstein, o empresário da banda também. Se encarregando de organizar tudo, mesmo que eles as vezes não quisessem cumprir. O que Brian imediatamente fazia questão de intervir para que fizessem aquilo que já estava programado em seu cronograma rígido.

    Para citar um exemplo, uma vez todos foram se apresentar, no dia 4 de novembro de 1963, durante o evento beneficiente Royal Variety Performance, no Prince of Wales Theatre, em Londres, para a princesa Margaret e a Rainha mãe também. Os Beatles na ocasião, não gostavam muito de se apresentar para um público que não tinha nada haver com eles. E imediatamente ficaram tão nervosos com aquilo que infelizmente John lennon veio à fazer aquele piada de mal gosto, dizendo que nos melhores lugares as pessoas poderiam balançar as suas joias, enquanto que nos outros, poderiam simplesmente bater as suas palmas. E que ele mesmo veio a confessar no livro Anthology, que tinha feito aquilo somente para ver se tentava relaxar um pouco ou até mesmo quebrar o gelo dentro daquela situação fora do usual, durante o intervalo de uma música e outra.

    Ringo uma outra vez, quando todos foram se apresentar no teatro London Palladium, por exemplo, no dia 13 de outubro de 1963, onde a televisão iria transmiti-los no programa britânico chamado: Sunday Night at the London Palladium (ou também conhecido como: Val Parnell’s Sunday Night), onde um público de 15 milhões de telespectadores iriam assisti-los ao vivo, pela primeira vez, em suas televisões, através da emissora ATV —(Asscoiated Television) que integrou a rede ITV (Independent Television) entre 1955 à 1981, no Reino Unido — Ringo se lembra muito bem de ter vomitado em um balde, momentos antes de entrar no palco, devido ao ser nervosismo extremo.

    Apenas por curiosidade, o termo Beatlemania, foi criado pela imprensa britânica, logo após aquela apresentação dos Beatles no London Palladium, em Londres; vindo a usarem aquele termo em quase todas as ocasiões em que algum Beatle aparecia em seus jornais editoriais. Porém, todos os Beatles se recordariam para sempre daquele show em específico, porque todos disseram no livro, que ninguém estava tocando bem naquela ocasião, como estavam, por exemplo, nos dias em que tocavam no Cavern Club, em Liverpool ou até mesmo nos dias de Hamburgo, na Alemanha. Pois estavam tão nervosos que não se lembram de terem agido naturalmente naquele palco em específico.

    Porém, os Beatles logo relataram que depois daquela apresentação, todos os lugares em que iam, imediatamente passou a ser quase impossível de frequentar. Pois todos queriam tirar uma casquinha deles. E Ringo mesmo diz no livro Anthology, que um dia foi a casa de uma tia sua, onde alguém por descuido derramou sua xícara de chá em seu pires, e imediatamente pediram que lhe servisse outra, como se ele não fosse mais a mesma pessoa que sempre tinha sido. Pois de acordo com ele, aqueles que estavam ali, eram e sempre tinha sido a sua única família e que não tinha o porque de todos estarem agindo daquele jeito com ele, só porque ele agora iria se apresentar no London Palladium, em Londres.

    O fato é que depois do primeiro álbum tudo mudou. Mesmo que os Beatles em entrevistas posteriores, não sintam tanto orgulho assim, do álbum: Please Please Me; alegando que a foto da capa tinha sio tirada de qualquer jeito e que o álbum em si, tinha sido gravado apenas em um dia. Começando pontualmente as 10 horas da manhã e terminando apenas na madrugada do outro dia. Com mais ou menos, 12 horas de trabalho.

    John alega no livro Anthology, que eles ensaiaram primeiro todas as músicas e depois gravaram todas elas em alguns takes, deixando à serviço dos dois produtores musicais, na época, George Martin e Ron Richards, de um lado; e de outro, os outros dois engenheiros de som, Norman Smith e Stuart Eltham, para finalizarem todo o serviço de mixagem. Pois nenhum deles estava muito interessado naquilo no momento. Deixando tudo a encargo dessas quatro pessoas apenas, a tão sonhada finalização do disco, nos estúdios da EMI (futuro estúdios de Abbey Road), em Londres. Fato que nunca mais voltaria a acontecer novamente. Porque dali em diante, eles iriam controlar desde a foto da capa de seus novos álbuns, até como queriam que soassem as suas novas músicas, dali para frente também. Entrando nos estúdios de mixagem e dando até opiniões aos produtores musicais e engenheiros de som também, vindo até mesmo a pedirem orquestras sinfônicas para o próprio George Martin, que normalmente tinha que arranjá-la custasse o que fosse.

    Os Beatles e seu produtor musical George Martin, no dia 5 de março de 1963, durante as sessões de gravação, no estúdio 2 da EMI (atual Abbey Road estúdios), em Londres.

    Tanto Neil Aspinall como Mal Evans, em seus próprios relatos para o livro Anthology, afirmam que foi ficando cada vez mais difícil protegê-los da própria Beatlemania. E que as vezes, o fato de terem que andar um pouco a mais para pegarem os seus respectivos carros ou até mesmo limusines, para se deslocarem até os seus respectivos hotéis, era simplesmente uma agonia. Pois as fãs mais ensandecidas, por exemplo, corriam atrás deles como se eles fossem algum diamente que tivesse acabado de ser jogado nas ruas.

    George se lembra muito bem desses momentos, e diz que até mesmo nos shows, era bem difícil escutar o que ele mesmo estava tocando, tendo que marcar o ritmo batendo os seus próprios pés no palco. Enquanto Ringo olhava para aquilo e tentava não perder o seu ritmo nas baquetas também. Até que teve um dia, em que o George simplesmente disse à todos que não iria mais fazer aquilo, e assim, resolveu sair dali, alegando que não dava mais para ele, e logo, John o seguiu também, dizendo o mesmo. A sorte e que Brian Epstein fez com que os dois mudassem de ideia e retornassem à apresentação programada.

    Dinheiro não faltava mais. Os Beatles passaram a ganhar 50 libras por semana, cada um. Enquanto Mal Evan e Neil Aspinall, passaram a ganhar 25 libras. Porém, o grande problema é que Brian Epstein, ganhava 2.000 libras por semana aproximadamente. Fato esse, que depois, resvoltou bastante Paul e George, pois parecia que a marca Nems Enterprises da família Epstein, estava lucrando bastante às custas deles. Mas logo depois de 1966, parecia que somente Paul estava incomodado com isso, pois George tinha se desprendido por completo daquilo, por causa de sua nova religião indiana, ficando a encargo apenas de Paul rever todos aqueles contratos irresponsáveis.

    Paul no livro Anthology, diz que so ganhava aproximadamente 15 % em receitas de sua música: Yesterday, por exemplo; e que o outro restante da bolada, ficava à encargo da empresa Northen Songs — que publicava todas as músicas de Lennon e McCartney em seu vasto catálogo — do editor musical Dick James e Brian Epstein na época. Onde o primeiro, acabou se transformando em um multimilionário depois que a empresa veio a abrir o seu capital, em 1965. Paul até tentou na época, ver se conseguia fazer alguma coisa à respeito, para melhorar mais os contratos dos Beatles, mas logo viu que seria impossível tal ato. Porque logo na sequência disso, em agosto de 1985, Michael Jackson compraria todo o catálogo dos Beatles, pela soma de aproximadamente US$ 47, 5 milhões de dólares na época. Fato esse, que além de terminar com a amizade entre Paul e Michael, também o revoltou muito, porque o próprio Paul queria comprar na época também, aquilo que sempre tinha sido dos Beatles e de mais ninguém.

    Voltando para os finais de 1963 e início de 1964, todos os Beatles estavam comprando suas novas moradias em Londres, pois como Paul e John alegam no livro, era lá é que estava acontecendo todos os fenônemos culturais na época. Como Teatro, Cinema, Literatura e Artes, já que Paul tinha acabado de conhecer Jane Asher, que era atriz, e que também o levava a assitir diversas peças por lá também.

    Porém, George ironiza muito essa parte de suas histórias, dizendo no livro, que John e Paul nessa época, só queriam saber de literatura e cinema. Perguntando sempre para os outros, em ocasiões ilustres, sobre o que estavam lendo. Como se quisessem ser reconhecidos agora, como verdadeiros intelectuais.

    O fato é que entre 1963 e 1965, todos entraram de vez, para as camadas mais altas da sociedade britânica, se tornando todos Cavaleiros da Ordem do Império Britânico (1965). Frequentando diversos eventos onde só tinham atores e atrizes, como se sempre habitassem aqueles lugares. Porém, a nova regra dentro daquele novo ambiente do show business, apresentada pelo próprio Brian Epstein, era que todos ao seu redor, só estavam ali, para ver se poderiam ver mais de perto se o fenômeno da Beatlemania, iria mesmo ser esquecido de vez pela imprensa mundial, onde todos esperavam ansiosamente a primeira escorregada dos Beatles diante de seus fãs e da própria mídia também; ou se por outro lado, por algum milagre divino, eles iriam marcar de vez o seu nome nos livros de história para sempre, como diria mais tarde o baterista da banda, Ringo Starr.