The Beatles: Tune In

Obra em dois volumes onde o historiador britânico: Mark Lewisohn, emiuça com uma riqueza de detalhes impressionante, os primeiros anos da banda The Quarrymen até enfim virem a se tornarem os famosos Beatles, com a substituição de Pete Best na bateria por Ringo Starr, convergindo também com a morte de Stuart Stucliffe, que era o baixista da banda. Os livros narram a história de cada um deles, indo até o inicio de 1963 onde tudo mudou, tanto na Inglaterra como no mundo também.

Na obra Tune In, de Mark Lewisohn, acompanhamos a trajetória de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr residentes de Liverpool, Inglaterra; até chegarem nas tão sonhadas gravações no estúdio 2, em Abbey Road, que se tornaria a segunda casa dos Beatles a partir de finais de 1962 e inicio de 1963.

Mas até chegarem nesse dia, o historiador britânico mostra que nenhum deles teve uma vida muito fácil e tranquila para os parâmetros do pós-guerra pelo menos. Mas quem teria naquela época, não é mesmo?

Começando por Ringo Starr, o senhor Richard Starkey, por exemplo, que vivia doente em sua infância, morando muito mais tempo em hospitais do que propriamente em sua casa. Fato esse que depois de algumas entrevistas concedidas por alguns jornalistas ao longo de sua carreira, lhes disse que por causa disso, tinha o hábito de escrever errado e nunca se sentia muito confiante na frente de John, Paul e George, pelo menos, que tinham muito mais estudos do que ele, por exemplo.

John estudava artes na Universidade de Liverpool, enquanto Paul e George estudavam em uma escola que iria prepará-los para que pudessem entrar em alguma universidade. Mas o fato é que os dois nunca entraram. Porque Paul acabou chamando George para entrar para a banda de John, os Chamados The Quarrymen, na época.

Enquanto isso, John ansiava em terminar o seu curso de artes no Instituto, mas o fato é que também nunca conseguiu, pois o seu amor pela música falou bem mais alto, vindo até a chamar para a banda também o seu outro amigo de faculdade, o artista Stuart Stucliffe.

Porém, Stucliffe nunca se deu muito bem com Paul. E até o final de sua vida, mantinha uma distância dele, tendo até em um dos shows o agredido por tanto que Paul implicava com o melhor amigo de John. Talvez, Paul se sentisse um pouco ameaçado por Stuart, que era colega de turma de John, enquanto o próprio John, mantinha uma admiração artística plena diante de seu amigo mais próximo na época. Deixando tanto Paul como George parcialmente de lado.

George no inicio sabia que não queria passar o resto de sua vida trabalhando como eletricista, por exemplo, e assim, tratou logo de ver em sua nova banda a alternativa ideal para que pudesse trabalhar em algo com mais significância artística em sua vida. Mas seu pai nunca o apoiou muito, ao contrário de sua mãe, que sempre o incentivava a praticar no violão e também na guitarra.

Paul por outro lado, perdeu na infância sua mãe, que era enfermeira e que tinha acabado de se mudar para um local bem melhor em Liverpool, junto com o seu marido e o seu outro filho também, irmão de Paul, chamado Mike. Mas o que unia Paul a John no inicio de suas carreiras, era o trauma de terem perdido suas mães bem cedo. Sendo que a de John, foi simplesmente atropelada em frente a casa de sua irmã, conhecida apenas por Tia Mimi, logo no momento em que John estava se aproximando mais dela do que nunca em sua vida. Pois o seu pai, Alfred, o marinheiro, vivia mais dentro dos navios do que propriamente em terra firme. Não deixando opções a John sobre quem ele teria que odiar pelo resto de sua vida. Optando sempre por seu pai, que tinha abandonado sua mãe quando ele era apenas uma criança e ainda por cima, lhe dizendo quem ele queria escolher para morar junto. E num ato impulsivo, ele acabou optando em ficar mais perto de sua mãe, é claro. Mas sua tia preferiu criar o menino, tendo em vista que, sua irmã, Julia, estava sempre mudando ou de casa ou de relacionamento. E assim, Mimi achou melhor que o menino tivesse uma estabilidade familiar para se desenvolver.

Porém, mais uma vez, John iria perder alguém que amava em sua vida, e dessa vez seria o seu tio George, marido de Mimi e que o nutria sempre com muito afeto e carinho. E em um dos muitos momentos que teve com o seu amigo Paul, por exemplo, ele chegou a chorar diante dele, alegando que todas as pessoas que ele amava morriam logo em seguida. E assim, na sequência, também morreria o seu amigo Stuart stucliffe, integrante de sua banda, onde ele tinha entrado por causa de um baixo que ele comprou, por causa da venda de um de seus quadros para um galerista de arte, na época em que ambos estudavam no Instituto em Liverpool.

Stuart Stucliffe vinha tendo muitos dores de cabeça e sintomas de náuseas também, até que teve um dia que sua namorada Astrid Kirchherr – uma linda alemã que ele começou a namorar quando os Beatles estavam fazendo uma sessão de vários shows em Hamburgo, Alemanha – o levou a diversos médicos, mas foi tudo em vão, pois ele continuava sofrendo com as dores em sua cabeça. E até hoje não se sabe ao certo se foi por causa de uma briga em que tiveram em um de seus shows, onde John tentou protegê-lo só que ele acabou sendo acertado em sua cabeça, por um dos que estavam no show. Seu fim tragico, marcou muito John que dificilmente falava no assunto a posteriore. Pois Stuart acabou morrendo por causa de um inchaço que teve em seu cérebro. Onde a mãe de Stuart, continuava mantendo a sua posição de que tinha sido em Hamburgo, que ele desenvolveu o problema, ainda mais depois que tinha conseguido a Astrid.

John e George foram ao enterro mais Paul não foi. E logo, Astrid começou a pedir a ajuda de John, pois morar junto com a mãe de Stuart estava se tornando um pouco insupostável naquele período. Pois ela tinha o hábito de acusá-la sobre todas as coisas de ruim que aconteceram na vida de seu filho Stuart. E assim, John logo arrumou uma nova hospedagem para ela em Liverpool, por tempo indeterminado, até que ela conseguisse se manter por conta própria, pelo menos.

A partir disso, Paul se sentiu bastante culpado por ter sido sempre a pedra no sapato de Stuart, mas depois ele conseguiu olhar para frente e admirar novas possibilidades que a banda talvez pudesse ter. E a primeira delas, foi o empresário Brian Epstein. Dono da News Enterprises, uma loja que vendia discos que estavam na parada de sucessos e que todos os Beatles tinham o hábito de frequentá-la e que ainda por cima, ficava bem no centro de Liverpool.

A primeira vez em que Brian escutou os Beatles, foi no Cavern em 1961 e foi amor à primeira vista, como ele mesmo dizia em entrevistas. Porém, sua família não queria que ele investisse o dinheiro dele em uma banda sem perspectivas aparentes. Mas Brian insistiu em sua oferta e logo os Beatles tinham um novo empresário novo que iria dar o sangue por eles, a partir daquele primeiro encontro.

A primeira coisa que fez foi dar à todos eles roupas mais decentes e apresentáveis para os shows também. Pois ninguém poderia vestir roupas de couro e botas a vida inteira, se quisessem ser mais respeitados dentro do Show Business, por exemplo. E assim, ele os levou até ao seu alfaiate pessoal e pediu a ele para confeccionar novos ternos para os seus garotos.

Depois das roupas o outro trabalho que ele teria pela frente era com a divulgação daquela banda por toda a Inglaterra. Mas antes, ele aconselhou-os a manterem a sua base de fãs tanto no Cavern em Liverpool, como em em Hamburgo, na Alemanha, também. Mas depois de um certo tempo todos começaram a focar em Londres. Pois eles não estavam conseguindo um contrato de gravação nos grandes selos do Reino Unido, pelo menos. Porém, um belo dia a sorte deles mudou e eles enfim, conseguiram um contrato com a Parlophone, onde o produtor musical, George Martin, iria regê-los dali para a frente, mas com condições não tão vistosas para quem queria viver de sua arte.

Porém, o que nenhum deles previu foi que os londrinos desdenharam dos sotaques deles — pois todos vinham do norte da Inglaterra — do nome da banda e principalmente do som que emitiam também, ao ligarem os seus respectivos amplificadores em seus instrumentos. Tendo até uma vez, em que John não aguentou todas aquelas reuniões e simplesmente falou para os outros integrantes da banda que iria sair dali o quanto antes. Além do mais, isso veio a acontecer também, porque Pete Best — o antigo basterista dos Beatles — não tinha se saido muito bem dentro do estúdio 2, de Abbey Road, diante de George Martin, na primeira gravação deles. E assim, ele aconselhou à eles e a seu empresário que trocassem o quanto antes aquele rapaz — que ficou conhecido num futuro não tão distante, por ser apenas um componente descartável — para a banda. Dando a oportunidade à eles, de gravarem com um baterista profissional de estúdio, na próxima vez.

Todos levaram aquilo em consideração. Mas eles não tiveram a devida coragem de dizer à Pete Best que não o queriam mais na banda. Ficando a cargo de Brian Epstein, a grande tarefa de comunicá-lo pessoalmente em seu escritório pela manhã. É claro que Best ficou muito chateado quando recebeu aquela notícia pela boca de terceiros, pois sua mãe também tinha sido empresária da banda nos primeiros anos de formação da banda, mas no fim, ele estava fora e Ringo Starr estava dentro. Amando de George, é claro, que sempre tinha gostado mais de seu jeito espontâneo, descontraído e brincalhão do que Best, por exemplo.

De acordo com os integrantes da banda em entrevistas, Pete Best jamais socializava ao final dos shows com eles. Pois ele sempre preferia ir para a casa e ficar com a sua mulher, por exemplo. Se ausentando totalmente deles. O que era algo extremamente ruim para a química do grupo. Mas por outro lado, Paul sempre disse que ele saiu porque não era um bom baterista mesmo. Preferindo Ringo que tinha muito mais liga para a banda. E a partir dele, George disse que a magia estava completa tanto dentro como fora dos shows. Pois Ringo sempre gostava de socializar com eles depois dos shows, mostrando toda a sua sede pela vida. Algo que Best, por outro lado nunca teria ou fazia na presença deles.

Em outras palavras, depois de Best, passaram a ser os Beatles num quadrado totalmente igualitário. Antes de Ringo, eram apenas três Beatles mais um quarto elemento totalmente dispensável — na visão de Paul McCartney — que não se encaixava de maneira nenhuma aos outros integrantes da banda. E graças ao conselho de George Martin, os Beatles agora poderiam ser bem melhores.

Mas na primeira gravação de Ringo, no estúdio 2, de Abbey Road. George Martin acabou colocando um baterista de estúdio em seu lugar. E o clima acabou ficando bem pesado, pois Ringo teve que se contentar a tocar apenas uma espécie de pandeiro na música em que eles iriam gravar de composição própria. Mas o destino fez com que George Martin logo descartasse aquela gravação e ficasse enfim, com a que Ringo tinha feito na bateria dele. Mas Ringo em entrevistas posteriores, sempre fez questão de afirmar que nos primeiros meses de convívio com o senhor Martin, foram bem difícieis para ele como artista. E até mesmo em algumas sessões futuras em Abbey Road, em que os Beatles estavam gravando algumas composições de Lennon-McCartney, ele próprio fazia sempre questão de mencionar ou até mesmo lembrá-lo do que tinha ocorrido com ele no primeiro dia como um Beatle naquele estúdio de Londres.

Mas a grande questão é que no inicio, George Martin não levava lá muito fé naqueles garotos, devido a desatrosa primeira gravação com Pete Best na bateria. Mas depois da substituição por Ringo Starr, a magia foi aos poucos, aparecendo à todos no estúdio e nos shows também. Com aquelas composições de Lennon-McCartney que logo logo chegariam as paradas de sucesso e lá ficariam por um bom tempo, devido aos seus fiéis fãs de Liverpool e em outras redondezas da Inglaterra e da Alemanha também.

Para a grande surpresa de George Martin, a venda do primeiro compacto da banda tinha duas músicas de autoria de Lennon-McCartney, no lado A e B, e isso era totalmente inédito para aquela época, onde normalmente os produtores musicais é que controlavam o que seria gravado pelos artistas. Que geralmente já era um música feita por alguém já famoso. Mas tudo na história dos Beatles era acompanhada pela originalidade. E isso não foi em nada diferente. Até chagaram a tentar gravar uma música de outro artista, rearranjando a melodia e a letra também, mas George Martin logo percebeu que aquilo não iria funcionar e tratou logo de gravá-los em suas próprias composições. Pois só assim teriam algo de original no meio artístico.

E assim foi feito. Primeiro um compacto com duas músicas, uma de cada lado. A e B. Depois outro compacto até que George Martin acabou vendo nas revistas especializadas de música que eles não saiam das paradas de sucesso, e assim, ofereceu logo à eles a possibilidade de gravarem um álbum completo, com composições próprias. Algo nunca antes feito na indústria fonográfica até então.

Brian Epstein aproveitou aquela oportunidade para aumentar o cachê deles em shows, além é claro, de fazer uma divulgação cada vez mais massiva na imprensa, reunindo jornalistas do ramo e contratando até alguns para escreverem sobre a banda que empresariava com tanto amor e afinco. E assim, o final de 1962 e inicio de 1963 seria o último onde todos os integrantes dos Beatles ainda conseguiriam andar pelas ruas com uma certa tranquilidade. Porque depois disso, as placas tectônicas da Inglaterra e do mundo seriam totalmente abaladas com a chegada da Beatlemania. Onde nas próprias palavras de John Lennon, não existia ninguém no mundo melhor do que eles, que tinham acumulado mais de 1.100 horas de shows tanto em Liverpool como em Hamburgo juntos. E a partir disso, os Beatles logo começariam a guiar o barco da indústria fonográfica, da cultura, da arte e da sociedade para onde eles quisessem ir com o seu trabalho. Sendo sempre influências para outras bandas e modas que pudessem estar vindo. Mesmo que em 1969 viessem a se separar.

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