Autor: Guilherme Müller

  • Capítulo I

    Na tradução de hoje, traduziremos o 1° capítulo da obra I Me Mine, escrita por George Harrison em parceria com o seu amigo Derek taylor, que o ajudou a organizar todas as suas ideias para o livro em questão.

    Parte I

    A parte I é narrada por George Harrison com introdução e notas de Derek Taylor em itálico.

    Havia uma visão de que, enquanto todos os outros estavam “crescendo”, nós estávamos apenas brincando de ser estrelas do rock ‘n’ roll, disse George Harrison quando estávamos preparando este livro. No contexto do que você lerá, essa visão falaciosa, que sem dúvida era generalizada no final dos anos 60, será mostrada como tão inadequada quanto a idolatria inquestionável que a substituiu.

    I Me Mine, um título paradoxal e astuto escolhido por um homem preocupado por muitos anos e por muitas razões em mandar seu ego embora (ainda tentando e nem sempre conseguindo), é um livro que conta uma história de amadurecimento, não necessariamente do jeito difícil, mas certamente não do jeito fácil, pois não importa o quanto o privilégio e a riqueza possam ter parecido abençoar a evolução dos Beatles, “fácil” não é a palavra para o que aconteceu com eles em seu caminho para o que ficou conhecido como “O Topo”.

    Ao escrever esta parte introdutória do livro, citarei substancialmente o próprio George (de conversas gravadas na Califórnia, em Oxfordshire e em Suffolk), porque, embora sejamos amigos há anos e anos, eu sei menos sobre ele do que ele sobre si mesmo e, de qualquer forma, ele é abençoado com dois dons como contador de histórias: uma memória extraordinária para detalhes (datas, direções, clima, humor, hora do dia, aparência, etc.) e um desejo genuíno de deixar suas atitudes absolutamente distintas. Este último atributo enfureceu seus detratores (“por que o homem tem que pregar assim?”), mas garantiu às pessoas de mente mais aberta — milhões delas — um verdadeiro senso de gratidão pela qualidade reconfortante de seu otimismo, e ele conquistou um amor duradouro por sua honestidade.

    Há outra razão para oferecer tamanha riqueza de lembranças em primeira pessoa, e é que, como todas as figuras públicas cuja a fama foi além do mero estado de ser “Muito Conhecido”, os Beatles foram muito questionados, “interpretados”, avaliados, subestimados e superestimados a ponto do absurdo.

    Vi os Beatles pela primeira vez em um show em 30 de maio de 1963, quando Joan (minha esposa) e eu visitamos o cinema Odeon em Manchester, onde morávamos na época e onde eu trabalhava como crítico de teatro e colunista da edição do Norte, do jornal londrino Daily Express. Os Beatles estavam encerrando um notável “Show de pacote” (uma expressão dos anos 50 e 60 que indicava um concerto no qual um número considerável de artistas se apresentava por meia hora ou menos, duas vezes por noite, geralmente em cinemas), que incluía Gerry and the Pacemakers e Roy Orbison. O promotor era Arthur Howes, um homem notável da época.

    Joan tinha visto os Beatles na televisão e gostado muito deles. Eu não os tinha visto, mas, embora a notícia tenha demorado a chegar aos jornalistas, eu já tinha ouvido falar deles e nós dois achamos que seria uma boa noite. O show foi impressionante. Estávamos na primeira fila, capazes de ver cada detalhe da apresentação, embora, sem treinamento como éramos na época, mal conseguíssemos suportar a música acima dos gritos mais altos que já tínhamos ouvido. Os Beatles foram excelentes (assim como Gerry and the Pacemakers e Roy Orbison) e ficou bem claro que algo excepcional estava acontecendo.

    Escrevi uma crítica extremamente elogiosa, afirmando que “o som de Liverpool tinha chegado a Manchester e que tinha sido “magnífico” e que, por causa disso, “a música popular, depois de anos de lixo indizível, tinha se tornado saudável e boa novamente. Descrevi os Beatles como “frescos, atrevidos, espertos e jovens” e, mesmo agora, essas palavras são tão boas quanto quaisquer outras para explicar como eles eram, e depois do primeiro show, para mim, eles eram todos iguais; eu não tinha ideia de quem era quem. Para resumir o que se seguiu… entrevistei o empresário deles, Brian Epstein, acompanhei, anotei e relatei cada detalhe do progresso deles todos os dias e depois disso eu me tornei um Beatlemaníaco regenerado.

    À medida que suas identidades se tornaram mais claras para mim, observei que George era o Quieto (veja Rutles mais tarde), e quando o editor do Manchester Daily Express, John Buchanan, a quem, mesmo agora, um gracioso “obrigado” é renovado, disse que um dos Beatles deveria ser convidado a escrever uma coluna de convidado no Daily Express todas as sextas-feiras, eu sugeri que o Beatle sortudo fosse o George. Ele me perguntou se havia um motivo em específico. Eu disse que havia vários: pois George parecia ser um cara decente e quando o encontrei em coletivas de imprensa e até mesmo em bastidores, ele sempre demonstrava ser muito acessível, transparente, sincero e expressivo.

    Sendo assim, Buchanan e eu logo começamos a elaborar uma proposta para Brian Epstein, com quem nos encontramos em seu escritório acima da The Wizard’s Den (uma loja de mágica) em Moorfields, em Liverpool. John Buchanan apresentou a situação a Brian Epstein: um Beatle deveria ter seu nome em um artigo semanal no Daily Express, mas nenhum Beatle o escreveria. Seria eu quem o escreveria. “Ah, por que?”, perguntou Brian. “Porque Derek sabe o que o leitor quer”, respondeu Buchanan. (Este leitor e o que ele quer! Eu sabia?) Brian aceitou a proposta e perguntou se tínhamos algum Beatle em mente. Eu disse que tínhamos George em mente. Novamente, Brian perguntou: “Por que?” Eu disse que George me pareceu ser um bom rapaz, fácil de conversar, quieto, agradável e tudo isso. Brian disse: “Que interessante. Uma ideia bem legal. Seria bom para George, daria a ele um interesse, um interesse extra. Pois John e Paul têm suas composições e Ringo é relativamente novo.”

    Ele perguntou se tínhamos algum valor em mente, uma taxa por semana. John Buchanan parecia muito nervoso, pois Brian podia ser intimidador nesse aspecto. “Pensamos em cinquenta libras”, disse Buchanan. Epstein fingiu espanto. “Cinquenta libras”, disse ele, com a voz estridente. “Cinquenta libras por um dos Beatles no Daily Express? Certamente que não! Não vou deixar George colocar seu nome em um artigo no Daily Express por cinquenta libras.” John Buchanan disse que não envolveria muito trabalho para George, afinal, eu estaria escrevendo, e eu não ganhava cinquenta libras por semana inteira de trabalho. Isso, disse Brian, não era de sua conta e valia a pena ressaltar que Derek, se ele me perdoasse a franqueza, não era um dos Beatles. Então, Brian mesmo propôs a taxa de cem libras e isso, em sua opinião, ainda era muito pouco, pois ele ainda teria que perguntar a George, para ver o que ele diria.

    Seguiu-se um encontro entre Brian e George e o resultado foi que, no final de 1963, George Harrison se tornou colunista do Daily Express, quando a Beatlemania parecia estar no auge. Os Beatles haviam lançado dois álbuns na Inglaterra e cinco singles, quatro deles número um nas paradas britânicas. Adiante… a resposta desconhecida dos Estados Unidos e da maior parte do resto do mundo. Os indícios da Europa eram de que a Grã-Bretanha tinha um fenômeno em mãos. Em nosso terceiro artigo conjunto, George e eu expressamos, em um clichê, um otimismo cauteloso.

    Escrevi o primeiro artigo sem consultá-lo muito sobre o conteúdo, prometendo-lhe que ele poderia vê-lo antes de ser publicado. Eu havia conversado com ele sobre sua família, sabia que ele tinha dois irmãos e uma irmã, todos mais velhos que ele, que tanto sua mãe quanto seu pai estavam vivos e bem, o pai motorista de ônibus da Liverpool Corporation, um homem gentil e pragmático, que apoiava a carreira de George, a mãe forte, amigável, tolerante e entusiasmada; em suma, uma família de classe trabalhadora de Liverpool bem integrada socialmente.

    Eu sabia pouco sobre a atitude de George em relação à sua própria vida e status como Beatle. Ele não tinha facilidade em comunicar muito disso, embora tivéssemos nos tornados amigos rapidamente. Ele disse depois: “Amigos são todas as almas que conhecemos em outras vidas. Somos atraídos uns pelos outros. É assim que me sinto em relação aos amigos. Mesmo que eu os conheça há apenas um dia, não importa. Não vou esperar até conhecê-los por dois anos, porque de qualquer forma já nos encontramos em algum lugar antes, sabe.

    No entanto, escrevi nossa primeira coluna na qual George disse ao pai que sua carreira significaria que ele teria que sair para o mundo lá fora e que não estaria muito perto. Inventei uma “citação” para o pai dele que dizia: “Não se preocupe com isso, filho, vá em frente e toque seu violão e eu continuarei dirigindo os grandes caminhões verdes.” Havia muito mais no mesmo estilo; declarações, tiradas do nada, atribuídas a esta ou aquela pessoa; motivos jogados de um saco de estereótipos de um jornalista, todos vestidos em um sotaque quase liverpudliano. Scouse articulada como ela falou sobre conjuntos habitacionais com belos jardins. Em resumo: o próprio material do artigo padrão escrito por um ghostwriter na imprensa popular britânica.

    Fui de trem de Manchester para Londres para encontrar George no apartamento de Brian em Whaddon House, Williams Mews, em Belgravia. Todos os quatro Beatles estavam lá, John usando óculos de aros grossos de chifre — uma surpresa — Ringo fumando muito, falando muito pouco, Paul desconfiado de jornalistas e George, meu novo amigo e colaborador, ansioso para ver o que ele havia “escrito” para sua declaração em primeira pessoa aos leitores do Northern Daily Express. Entreguei a ele as duas páginas datilografadas. Ele leu a primeira passagem em silêncio e então exclamou: “O que é isso?… Vou impulsionar os grandes empregos verdes, vou continuar impulsionando os grandes empregos verdes, o que são empregos verdes?”

    Houve um silêncio horrível. George parecia tão divertido quanto surpreso, mas ainda havia um buraco terrível no ar. O que eram grandes empregos verdes? “Ônibus”, eu disse, “ônibus da Liverpool Corporation, coisas grandes e verdes, empregos, bem, você sabe, grandes empregos verdes, ônibus de dois andares.” “Nunca ouvi ninguém os chamar de grandes empregos verdes”, disse George, rindo de verdade agora. “Devo dizer que eu também não, Derek”, disse Brian. “Você já?” “Não”, eu disse. Havia uma sensação de insanidade histérica no ar. “Grandes empregos verdes”, George repetiu, balançando a cabeça. “É melhor eu continuar lendo isso.”

    Então George continuou lendo, dizendo-me que não era tudo ruim, mas havia maneiras de consertar, por exemplo, mexendo aqui e ali. E assim começamos a colaborar, e assim temos feito, desde então; literalmente daquele dia até hoje, nos perguntamos como o relacionamento se desenvolveu através de anos tão estranhos, através da mania e da separação dos Beatles, através de drogas e bebidas e grandes empregos coloridos como arco-íris, sem falar do emprego verde brilhante da Apple! Agora, aquele era um grande emprego verde.

    Nas semanas que se seguiram, mantivemos a coluna semanal, propriamente como um dueto; não me lembro quem escreveu o quê, mas era a coluna dele e eu sempre fiquei feliz que George fosse o escolhido, porque isso lhe dava, como Brian havia dito, “um interesse extra”, e ele é, longe de ser o Beatle Quieto, um homem muito falante, com tanto interesse em se expressar quanto qualquer outra pessoa e talvez mais do que a maioria. Para começar, não pelo começo, mas pelo único começo que ele conhece, temos que viajar com ele, em suas próprias palavras… para tentar imaginar a alma entrando no útero da mulher que morava em 12 Arnold Grove, Wavertree, Liverpool 15; havia todos os balões de barragem enquanto os alemães bombardeavam Liverpool. Tudo isso estava acontecendo, enquanto eu estava sentado do lado de fora da casa, no carro com Olivia, alguns anos atrás, imaginando 1943, passando rapidamente do mundo espiritual, do nível astral, voltando para um corpo naquela casa. Isso é realmente estranho quando você considera todo o planeta e todos os planetas que podem existir no nível físico… como eu chego àquela família, naquela casa, naquele momento e quem sou eu, afinal?

    Então, nessa encarnação, em 25 de fevereiro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, em Liverpool e em pleno inverno, George nasceu no número 12 da Arnold Grove, em uma rua sem saída, com casas geminadas com um beco nos fundos.

    Ainda se diz “Arnold Grove, Unadopted Road (Rua não Adotada)”. Ainda ninguém quer ser dono. De vista, é como Coronation Street: sem jardim e com porta direto para a rua. Da rua, entra-se na sala da frente. Depois, há um cômodo nos fundos com a escada que leva a dois quartos. Mas então nos mudamos, depois de cerca de vinte e cinco anos na lista de espera por moradia.

    Mas naquela época, em Arnold Grove, nos meus primeiros tempos, era aceitável para o seu tempo. Tinha um daqueles pequenos fogões de ferro na sala dos fundos, que era a cozinha, onde se colocava a chaleira no fogo e o forno ao lado. Cada cômodo no térreo tinha cerca de três metros quadrados (muito pequeno) e, no inverno, fazia muito frio na casa.

    Do lado de fora, havia um pequeno quintal, quase todo pavimentado, exceto por um pedaço onde havia um canteiro de flores de trinta centímetros de largura, um banheiro nos fundos, uma lixeira embutida na parede dos fundos e, por um período, tivemos um pequeno galinheiro onde criávamos galos.

    Quando Olivia e eu subimos lá, não havia ninguém, então sentamos do lado de fora e imaginamos como seria lá dentro agora. Provavelmente a lareira foi removida e um daqueles azulejos pequenos foi colocado, e provavelmente agora tem água corrente. Costumávamos ter uma banheira de zinco, uma grande, pendurada na parede do lado de fora. Costumávamos trazê-la para dentro e colocá-la em frente ao fogão da cozinha e depois enchê-la com água quente de panelas e chaleiras. Bom lugar para lavar o cabelo, em Liverpool. Água macia e agradável.

    Todos moraram naquelas casas, ou na verdade na maioria das casas antes dos anos 50 e 60, lembram-se de como podia ser frio. Havia muito pouco aquecimento central na Grã-Bretanha e, durante a guerra e os anos do pós-guerra, pouquíssimo combustível.

    Frio? Era frio naquela época, muito frio. Tínhamos apenas uma lareira, Congelante. O pior. Apenas uma lareira em um cômodo. Sem aquecimento. E no inverno costumava haver gelo nas janelas e, na verdade, você tinha que colocar uma bolsa de água quente na cama e ficar mexendo nela por uma hora antes de entrar na cama (ficando subindo as escadas para mantê-la em movimento), depois tirar a roupa e pular. E então, OOOOOOoohhhhhhh, ficar quieto e, na manhã seguinte, você tinha acabado de se aquecer e então acordava: “Vamos lá, hora da escola”, colocava a mão para fora da cama. Congelante. Oh, céus.

    Aquela casa era boa, muito agradável por ser pequena e sempre ensolarada no verão. A pior coisa foi sair da escola primária e ir para a grande escola secundária. Foi quando a escuridão começou e eu percebi que estava nublado e chovendo, com ruas antigas e professores retrógrados e tudo mais, e foi aí que minhas frustrações pareciam começar. Você socava as pessoas só para extravasar. A ideia toda era muito séria. Você não pode sorrir e não tem permissão para fazer isso ou aquilo. Fique aqui, fique ali, cale a boca, sente-se e você sempre precisa daqueles exames, aqueles exames de admissão, ou bolsas de estudo ou GCE. Foi quando a escuridão chegou.

    Eu não gostava da escola. Acho que era horrível; a pior época da sua vida. As escolas infantis ou primárias não eram ruins, só porque tinha futebol, esportes e tudo mais, embora houvessem momentos em que eles nos batiam de vara. Uma vez quando eu tinha oito ou nove anos, o Sr. Lyons (irmão do vendedor de seguros locais), um professor, me bateu com uma vara e me acertou no pulso. Ficou inchado e, quando cheguei em casa, tentei esconder, mas meu pai viu e, no dia seguinte, ele foi até a escola e o Sr. Lyons foi chamado para fora da sala de aula e meu pai deu um soco nele.

    A escola, o Instituto Liverpool, era um verdadeiro saco. Os professores eram veteranos de guerra ou recém-formados, então eles não sabiam muita coisa mesmo, e se você vir a foto deles, entenderá o que estou dizendo. Eu sabia naquela época que eles não eram o tipo de pessoa para ensinar, mas eu não tinha qualificação para dizer isso. No entanto, agora, depois de todos esses anos, posso dizer que não eram. A maneira como eles te mandavam para o mundo era miserável. No meu caso, o depoimento para me ajudar a conseguir um emprego para o resto da vida dizia: “Não posso dizer como é o trabalho dele porque ele não fez nenhum.”

    Era um verdadeiro lixo. Poderia ter ficado bonito. Poderiam ter raspado a tinta da madeira e decorado como a era vitoriana. Levei Olivia para ver. Vindo da Califórnia, ela não conseguia acreditar. Havia aulas noturnas, então pudemos passear e olhar para todos os cômodos onde eu havia estado.

    A aversão de George pela escola — ódio até, ressentimento certamente — é intrigante porque, logo após sair, ele se tornou um buscador ávido e sincero de informações, verdade e aprendizado. Também é estranho que um garoto de escola preparatória — a elite britânica — tenha rejeitado tudo o que esta respeitada escola de Liverpool tinha a oferecer. Certamente havia incentivo em casa para se sair bem. Seus dois irmãos completaram aprendizados completos e sua irmã Louise passou em todos os exames necessários (naqueles dias, até o Certificado de Ensino Médio, inclusive) para ir para a faculdade e se tornar, ela mesma, professora.

    George, agora, é um sucesso em todos os significados convencionais dessa palavra, mas a escola foi incapaz de tocar uma única corda no menino que mais tarde, e enquanto você lê isto agora, ansiava e obtinha detalhes disponíveis sobre quase tudo. No entanto, ele não hesita em sua lembrança do ensino médio em Liverpool nos anos 50.

    Isso nos moldou para sermos medrosos. Houve uma decadência que se instalou. Dizem que as crianças aprendem algo se for emocionante, mas quando a decadência se instala, você para de aprender e de estar aberto a tudo. É isso que você tem que observar. Tudo isso começou quando fui para a escola preparatória. Todos aqueles logaritmos e raízes quadradas; e álgebra era uma coisa terrível. x3 sobre zy. Eu teria aprendido chinês ou sânscrito antes disso. Parece fazer sentido para eles, para os acadêmicos, os intelectuais. Álgebra? Não tenho ideia do que significa ou de onde veio. Parece não ter harmonia, ritmo ou sensação básica, porque na verdade você pode entender as pessoas sem conhecer o mesmo idioma. Se você olhar para o outro, ou se tocar, sabe, digamos, tomar um chá ou algo assim… e então, claro, até mesmo a linguagem pode ser aprendida. Mas álgebra para mim não tinha nada a ver com a “realidade”. Eu assisto agora na Open University e ainda não consigo me conectar.

    Música? Eu até saí da música porque naquela época, embora eu gostasse de música, na escola era segurar a boca assim… Ele fez biquinho, numa caricatura de um amador em uma opereta, e continuou: Bem, você podia tocar flauta ou violino, e hoje em dia eu acho que você pode tocar guitarra e todo o tipo de coisa, mas não naquela época.

    Para fazer o GCE (Certificado Geral de Educação) aos dezesseis anos, primeiro tínhamos que passar em três matérias no simulado do GCE. O primeiro resultado no simulado foi arte, no qual eu passei. Mas isso porque Stan Reid, o professor de arte, era legal, sabe (ele é o que tem OM na camiseta na capa do álbum Dark Horse). Mesmo não sendo tão bom em arte, consegui o suficiente para passar na prova. Pensei: “Uau. Fantástico.”

    Eles estavam tentando me colocar no próximo ano com a turma que viria depois de mim, para que eu ficasse e fizesse as provas no ano seguinte, e eu fiquei nessa aula por uma hora e pensei: “Não, obrigado, senhor, não vou aprender com todas essas pessoas novas e seus truques”, então pulei a grade para o cinema e não voltei até o último dia para pegar minha multa.

    Então… eu não tinha nada disso, nenhuma dessas qualificações. O que meus pais pensaram? Eles não sabiam o que tinha sido dito porque eu queimei meu relatório e atestado. Gostaria de tê-los guardado agora. Teria sido interessante, em retrospectiva, ver todas as assinaturas daqueles professores e o que disseram sobre mim. O diretor disse: “Ele não participou de nenhuma atividade escolar”. Eles continuaram assim, até que me senti tão mal e culpado que tive que queimar o papel antes que meus pais chegassem em casa.

    Como muitos dos estudantes que cresceram após a Segunda Guerra Mundial, George Harrison não via sentido nos corpos de cadetes do exército, que ainda floresciam nas escolas de gramática britânicas.

    O exército. O medo do exército. Eu já tinha decidido, por volta dos doze anos, que não entraria para o exército de jeito nenhum, e então, na escola, dos treze aos dezesseis ou dezessete anos, havia aqueles cadetes. Eu nunca consegui entender. Eles nunca disseram: “Tudo bem. Faça isso”. Nunca houve recrutamento ou murais de avisos, mas toda segunda-feira à tarde, ou quarta-feira, você olhava para fora e via aqueles garotos, e todos eles estavam lá marchando para cima e para baixo com o professor de geografia ou o professor de matemática, todos vestidos de soldados, fazendo “para cima, dois, três, quatro”. Não é o tipo de coisa que você deveria gostar ou desgostar. Não deveria estar lá! Eu pensava “O quê?”

    A alternativa era algo que se tornou muito maior do que qualquer um, absolutamente qualquer um, poderia ter imaginado. No entanto, o otimismo de George diante de uma vida escolar deprimente não era uma vaga ideia de que algo apareceria. Ele já havia começado a tocar música quando era muito pequeno e de uma maneira muito pequena (em pé em um banquinho), mas na escola ele formou uma aliança com um garoto mais velho (Paul McCartney), que era um dos passageiros no trajeto diário dos ônibus escolares.

    George relembra seus primeiros prazeres e influências musicais e pinta, em cores suaves, retratos da vida suburbana / em conjunto habitacional de Liverpool com detalhes fascinantes e ocasionalmente excruciantes, o que nos leva ao seu encontro com McCartney (um ano à sua frente no Liverpool Institute e que saiu um ano depois de George, mais qualificado em um sentido de escola secundária) que logo se juntaria a John Lennon nos Quarrymen. Eles passaram por várias combinações de nomes e integrantes antes de emergir como os Beatles.

    A cunhada de George, Irene Harrison, esposa de seu irmão mais velho, Harry, lembra-se dos anos que antecederam sua decisão de “tentar” algo diferente.

    Irene era namorada de Harry quando conheceu George logo após seu décimo terceiro aniversário, em 1956. Ela tinha dezessete anos na época. Ela ainda é uma amiga próxima. “O motivo de andarmos juntos era que Harry estava fora fazendo seu Serviço Nacional, e suponho que, como eu era filha única em casa, era como ter um irmãozinho; e para George, eu talvez estivesse substituindo sua irmã mais velha que tinha acabado de sair de casa para ir para o Canadá.

    Nós saíamos para shows e coisas do tipo. Era a época do rock ‘n’ roll e todos os grandes artistas, Lonnie Donegan e outros, vinham ao Empire (teatro em Liverpool) e eu conseguia lugares, e lá íamos nós. Era bom ter companhia, sabe? Depois, Harry e eu nos casamos e tínhamos um apartamento em Liverpool, e George vinha bastante lá, com Paul. Às vezes, George perguntava: “Onde você vai hoje?” e eu respondia: “Ah, para fulano de tal”, e ele dizia: “Ok”, e ele ia de bicicleta e eu de ônibus. Nos dávamos muito bem. Ele era um sujeito engraçado.

    Agora ele está interessado em aprender, mas todo mundo que quer sair da escola percebe mais tarde que era importante. Depende de quem está ensinando, no entanto, e ele realmente matava aula e faltava muito. Ele vinha aqui e dizia: “Não conte para minha mãe”. Ela costumava dar a ele o dinheiro do almoço do dia e ele gastava tudo. Acho que ele gastava com filmes; ele costumava ir muito à filmes de terror, quando eles começaram a ser lançados, sabe? Acho que ele teve professores muito bons, mas é importante para ele aprender e tudo fica na memória dele. Ele tem sorte de ter conhecido tantas pessoas desde então, de aprender com elas. Ele poderia ter saído da escola e não ter ido muito longe.

    Seus pais eram pessoas muito tolerantes, sensatas e amorosas. Eles eram muito carinhosos e te envolviam em tudo. Entrar na casa deles era ótimo. Era absolutamente incrível. Há algo em uma família grande que, quando você é filho único, faz você se isolar e avaliar tudo. Minha própria casa era agradável, sempre quente e com crianças entrando e saindo, mas há algo especial em uma família grande. George tem muito a agradecer aos pais, pela pessoa que ele é hoje. Mesmo até o ano passado, eles eram muito protetores com ele, porque sabiam que ele era vulnerável, uma pessoa confiante e de natureza gentil. Eles se preocupavam muito com ele e eu não acho que ele saiba o quanto. Eu sei que é verdade pelas coisas que eles disseram. Eles se preocupavam constantemente, tenho certeza de que ele nunca percebeu isso. Se ele soubesse o quanto eles se preocupavam com ele, ficaria impressionado.

    “No início, seu pai teve a ideia de que todos eles iriam se dar bem, assim: Harry seria um mecânico, Pete (irmão mais velho de George) seria funileiro e soldador, e George seria o eletricista, e meu pai teve a ideia de que eles teriam uma oficina. Acho que ele ia administrar e ter seus três filhos trabalhando em um negócio familiar. George estragou tudo.”

    “Meu pai comprou para ele um conjunto de chaves de fenda elétricas em um Natal, quando George estava trabalhando na Blacklers, e ele ficou bastante preocupado porque disse: Será que ele quer que eu continue nisso? Acho que sim.”

    “Ele veio nos visitar, há uns vinte anos, então ele devia ter uns dezesseis anos, e disse que teve a chance de estar com este grupo e queria saber o que Harry achava que ele deveria fazer. Harry disse: “Tente”, sabe. “Você ainda é jovem o suficiente para fazer o que quiser. Se der um ano ou dois, você não terá perdido nada.” Harry e Pete entraram para um ofício, direto da escola, e as coisas que eles poderiam ter imaginado fazer não se concretizaram, sabe? George foi o último a ter a oportunidade de dizer se queria fazer isso ou não. Ele foi para o grupo.

    “Bem, você sabe como era em Liverpool; se você tinha um ofício, você estava feito. Se você quisesse fazer qualquer outra coisa, você era meio maluco. Eu não acho que o nosso tipo de criação permitia que você tivesse outras ideias.

    “Mas a mãe e o pai deles não eram o tipo de pessoa que impedia os filhos de serem eles mesmos. Lembro-me de John (Lennon) alugando um apartamento perto da catedral de Liverpool e a ideia era que todos morassem lá. A ideia da mãe de George era: “Vá e faça isso, mas você volta em duas ou três semanas”, e ele voltou. Não durou muito, porque não havia conforto de casa. Ela era muito sábia.”

    Eu gosto de música desde que me lembro. “One Meatball”, bem cedo, “Hong Kong Blues”, essa é uma das primeiras músicas de que me lembro (eu devia ter uns quatro anos), uma música bem blues. Aqueles foram tempos felizes. Eu saía com meus pais desde bebê e saíamos muito. Lembro-me de estar em um lugar ou outro, dançando na boate ou na casa da velha Sra. Fulana. Lembro-me, quando bebê, em pé em um banquinho de couro, cantando “One Meatball.”

    Quando os Harrisons se mudaram das aconchegantes restrições de Arnold Grove, foi porque seus nomes finalmente chegaram ao topo da interminável lista de realocação de Liverpool. Eles foram primeiro para o número 25 da Upton Green, uma casa em um conjunto habitacional pertencente à Corporação de Liverpool em Speke. Logo depois disso, George saiu da escola primária na Dovedale Road, perto de Penny Lane, e foi para o Instituto. A viagem de ônibus levava uma hora; uma hora de manhã, uma hora à noite.

    Levava das quatro às cinco da tarde para chegar em casa, nos arredores do conjunto habitacional de Speke, e foi nessa viagem de ônibus que conheci Paul McCartney, porque ele, estando na mesma escola, tinha o mesmo uniforme e ia para o mesmo lugar que eu, então comecei a sair com ele. Sua mãe era parteira e ele tinha um trompete.

    Paul, como aprendemos, permaneceu na escola para fazer os exames, e George, insatisfeito, mas confiante em uma alternativa, saiu da escola, mas não antes de se expressar de forma incomum, na questão do vestuário.

    Eu não tinha dinheiro para comprar roupas que significassem alguma coisa, mas na escola consegui me destacar no último ano, quando comprei uma camisa branca com pregas na frente, bordado preto nos cantos das pregas e um colete preto de garçom. Era de abotoamento duplo com lapelas drapeadas e Paul me deu. Acho que ele ganhou de John, que ganhou do padrasto dele, Sr. Dykins. Eu também tinha um dos nossos blazers esportivos da Harold’s tingido de preto e ainda dava para ver o padrão xadrez por baixo. Eu usava calças pretas cortadas em formato de cano e aqueles sapatos de camurça azul de bico de fino. Era assim: bem barato e desleixado.

    Fora da escola, sem rumo, já tocando violão, mas não bem o suficiente para significar muito fora de um círculo próximo de amigos, George pegou pequenas quantias de dinheiro emprestado do pai e acabou se sentindo mal por isso.

    Estávamos tocando em uma banda, e isso durou cerca de oito meses, pegando dez xelins emprestados do meu pai, e no final ele disse: “Não seria melhor você arrumar um emprego ou algo assim?” Então eu fui para a Corporation (Liverpool), mas não passei no teste. Eu nem era bom o suficiente para entrar na “Corpy”.

    Eu não estava me importando, eu não estava tentando, mas depois de muito tempo, eu tive que ir, porque estava ficando muito constrangedor, mas demorou muito até que eu conseguisse um emprego. Fui até o Centro de Emprego para jovens perto da Rua Dale. O homem de lá disse: “Certo, tem uma vaga de vitrinista na Blacklers”, então pensei: “Por que não? Vou fazer isso.” Era algo para fazer, para deixar todo mundo feliz. Pensei: “Não vou ficar fazendo isso por muito tempo”, mas realmente me sentia como se estivesse matando tempo, sem emprego. Quando cheguei à Blacklers, eles já tinham dado a vaga para outra pessoa. Disseram: “Vá falar com o Sr. Peet na manutenção; ele está procurando um aprendiz de eletricista.” Então consegui um emprego limpando todas as luzes com um pincel, todos aqueles tubos para manter limpos, e no Natal eu limpava a gruta e de vez em quando a gente quebrava os elevadores para poder matar tempo no poço do elevador, e também tinha dardos. Aprendi a jogar dardos e aprendi a beber quatorze canecas de cerveja e três doses de rum com groselha preta e a comer dois hambúrgueres (do Wimpy’s), tudo em uma única sessão. Tudo isso eu aprendi e à noite fazíamos shows e conseguimos o show na Escócia. Fui e disse ao chefe da Blacklers: “Estou saindo, me desculpe.” Isso foi ótimo, muito bom de dizer. Ainda com apenas dezessete anos e me demiti! Eles realmente tiraram o máximo de proveito de mim; me mandaram para Bootle para instalar um daqueles grandes cabos de dez fases em um armazém que eles possuíam. Eu ganhava trinta xelins por semana.

    Como banda, tocávamos em Hoylake (do outro lado do rio, na península de Wirral) e lugares assim na noite, ou pelo menos um show por semana, que rendia duas libras e dez xelins, o que era muito bom naquela época. Minha atitude em relação a tocar na banda era que essa era a parte extra boa da vida, era isso que se tratava. Definitivamente, a época mais prazerosa. O pessoal da Blacklers sabia que eu tocava guitarra, embora eu tenha ficado lá tempo suficiente para que eles soubessem muito sobre mim. Eles descobriram, vieram nos ver algumas vezes e depois eu fui embora.

    Tenho a impressão de que agora era hora de amadurecer rapidamente. George, o aluno fracassado, o garoto problema que aprontava no trabalho, o moleque que sabia que de alguma forma tudo ficaria bem, estava se tornando muito mais adulto, tocando rock ‘n’ roll com os outros garotos. Ele foi com John, Paul, Stuart Stucliffe e Johnny Gentle para a Escócia e se lembra disso em parte como um saco.

    Pelo menos estávamos ficando famosos, só que isso nos fez perceber que não tínhamos roupa nenhuma. Parecíamos um bando de idiotas engraçados. Éramos muito desleixados e tivemos sorte de estar lá, mesmo que não fosse muita coisa. Viajávamos de van e, sabe, havia muita briga naquela época, briga por cada centímetro. Isso é outra coisa. Sempre há briga pelo seu próprio espaço, mesmo que seja só um centímetro. “Nos deem um crédito por termos um centímetro.” Então, sempre havia muito disso acontecendo. É por isso que as bandas que ficam ricas rapidamente são mais rápidas em comprar sua própria limusine. Eric (da banda Cream, formada por ele, Ginger Baker e Jack Bruce) não estava com Ginger ou Jack em um carro só. Eles sempre tinham um cada um. Vou te dizer uma coisa: se eu pudesse ter pago minha própria limusine, eu não teria ido na van.

    Hoje, se eu pudesse ir no jato particular, não voaria pela TWA. Isso tornaria tudo melhor, não é? Se pudéssemos ir no jato particular da Warner com mais frequência, eu daria a todos os envolvidos uma cópia gratuita deste livro e pagaria o combustível.

    Espaço, sua importância, a luta por espaço para se mover, respirar e ficar sozinho de vez em quando, reaparece no livro, como não poderia deixar de ser. Não é um problema exclusivo de George. Mas, por enquanto, na banda embrionária e desgrenhada, ele ainda está baseado em Liverpool e ainda estamos entrando e saindo de reminiscências felizes da infância. Ele, no entanto, em breve deixará Liverpool para a primeira viagem a Hamburgo.

    Liverpool sempre foi legal. Parque Calderstones. Você se lembra daquela rocha do lado de fora dos banhos Wavertree e da biblioteca? Era um meteorito que havia caído do céu. Lembro-me de deslizar nela. Era toda polida, um grande pedaço de rocha preta brilhante; havia túneis que subiam até Childwall Five Ways e tantas outras coisas…

    E quando chegava a época de férias, havia outros prazeres simples em lugares comuns não muito distantes, prazeres do campo, litorais, nada que custasse muito.

    Fomos a Moreton (porque minha mãe tinha uma amiga lá, Phyllis Anderson) a Bidston Hill, não muito longe, New Brighton, Southport, e claro, a grande, Blackpool, apenas uma ou duas vezes, para ver as luzes. Viajamos por todo o País de Gales, ficando em lugares pequenos, casas de pedra antiga e agradáveis com telhados de ardósia. Provavelmente custavam quase nada para alugar. Você poderia realmente viver uma vida inteira feliz em um lugar como aquele.

    Liverpool produziu alguns sujeitos engraçados: vendedores de seguros, eu nunca soube do que se tratava, mas eles vinham toda semana, diferentes; talvez fossem dois, então um padre vinha, batia na porta, você dava dinheiro a eles e eles iam embora. Na esquina do lugar onde eu morava, em Upton Green, Speke, havia um cara, o Sr. Bewley, e ele começou a passar pelas casas vendendo peixes em uma caixa e depois de um tempo, ele tinha um carrinho de mão e depois disso ele conseguiu um caminhão com carroceria aberta e passou a vender batatas e todo o tipo de coisa.

    Então ele conseguiu um velho ônibus de um andar Crosville estacionado nos fundos, em um terreno baldio, e tinha um lugar e tanto por lá. Depois, comprou um Standard Vanguard, seguido por um Ford Consul e, em seguida, um Zephyr Zodiac. Então, algo aconteceu e todos foram destruídos. Bem.

    Anos depois, a família Harrison, tendo estado em outra lista de espera por moradia, mudou-se novamente, desta vez de Speke. Foram morar no número 174 da Macket’s Lane, perto de Woolton, e foi enquanto moravam lá que George se lembra de sua carreira estar “decolando”. Foi da Macket’s Lane que ele “saiu de casa” pela primeira vez, no sentido de que foi trabalhar fora, para Hamburgo, na primeira de muitas visitas com os jovens Beatles.

    Macket’s Lane era uma casa agradável, de propriedade do conselho (muito melhor do que Upton Green, onde George passou tantos anos de sua escola, mas nunca, devido à urgência de sua carreira, tão em “casa” quanto Upton Green), onde os pais de George moraram até os dias de glória de 1966, quando, com todos os filhos casados e estabelecidos em outros lugares e ele rico e famoso, mudaram-se para um belo bangalô perto de Warrington, uma cidade honesta com alguma personalidade própria, mas conhecida principalmente por estar mais ou menos no meio do caminho entre as grandes cidades de Liverpool e Manchester.

  • Prefácio — por George Harrison

    Na tradução de hoje, traduziremos o prefácio da obra I Me Mine, escrita pelo próprio George Harrison.

    Senhor Krishna para seu devoto Arjuna: “Entre milhares de homens, talvez um se esforce pela realização espiritual; e, entre os buscadores verdadeiros e abençoados que assiduamente tentam me alcançar, talvez um Me perceba como Eu sou”. Bhagavad Gita (Cap. 7, ver. 3).

    Desde a guerra, tenho pensado em reunir os pedaços de papel com as letras das minhas músicas espalhadas por aí.

    Dois bêbados me encurralaram em um quarto de hotel perto do aeroporto de Heathrow, em julho de 1977 e me mostraram que, se eu encontrasse as letras, elas poderiam ser encadernadas em um belo livro. Eles trouxeram consigo uma cópia do Diário de Bordo do capitão Bligh do H.M.S. Bounty, publicado pela Genesis, uma pechincha por 158 libras a cópia.

    O programa Out of Town, de Jack Hargreaves, passou na televisão algum tempo depois e nele ele mostrou como livros antigos de couro podiam ser restaurados à sua condição original, o que me fez apreciar o ofício e considerar seriamente dignificar esses pedaços triviais de papel dessa maneira.

    Em detalhes excruciantes, só para você, a um preço fora da experiência cotidiana, oferecemos a pequena quantia de uma vida curta. Deveria ter se chamado: The Big Leather Job, mas ficou conhecido como I Me Mine, pois também poderia ser visto como um “Pequeno desvio do ego”.

    Eu sofri por este livro; agora é a sua vez.

    — George Harrison

    Em algum lugar na Inglaterra.

  • Introdução — Por Olivia Harrison

    Na tradução de hoje, traduziremos a introdução da autobiografia de George Harrison, intitulado: I Me Mine, (The Extended Edition), escrito por sua esposa Olivia Harrison, lançado originalmente em agosto de 1980, pela editora Genesis Publications; e agora com exclusividade, com tradução de nosso site, tendo a intenção de colocá-la na íntegra no app de leitura do Wattpad e num futuro próximo, na Amazon, em formato digital, em ebook, para a compra muito em breve.

    “Este livro é dedicado a jardineiros de todo o mundo.”

    — George Harrison

    Eu conhecia a letra de “I Me Mine” muito antes daquela noite de outubro de 1974, quando conheci o homem que a escreveu. George e eu havíamos conversado por telefone muitas vezes, pois eu trabalhava para sua gravadora, a Dark Horse Records, em Los Angeles. Ainda assim, aquele primeiro encontro cara a cara, seguido por vinte e sete anos juntos, é tão vívido hoje quanto a última vez que vi seu rosto.

    Durante nossa vida juntos, as questões de posse, apego e identificação com o ego, estavam na vanguarda de nossa consciência, e George sempre fazia questão de ressaltar que, na realidade, não existe “eu”, “mim” ou “meu”. George era implacável em manter nosso objetivo espiritual verdadeiro. Éramos apenas humanos caminhando por uma longa estrada em direção ao nosso objetivo comum de iluminação e eu, por minha vez, acolhia quaisquer lembretes.

    No decorrer de um dia, eu poderia ter dito: “Oh, seu pedaço do jardim está ótimo”, ao que ele responderia: “Não é meu jardim, Liv.” Era a maneira dele de lembrar a si mesmo e a mim que somos puro Espírito, e que o Espírito está em “cada grão de areia”, pertencendo a todos e a ninguém; que nada é “meu” e que o “eu” ao qual todos nos referimos deve ser reconhecido como o pequeno “i” no esquema maior do Universo. George estava cansado dos “Eu, Mim, Meus” deste mundo, incluindo o seu eu próprio, e isso desde muito jovem. Ao procurar um título para este livro, ele estava bem ciente de que as letras dessas músicas sempre estariam ligadas ao seu nome e consideradas suas músicas, mesmo sabendo que a criatividade que lhe foi concebida era um dom divino. Então, em vez de criar um título de livro que pudesse tentar explicar o dom de compor músicas como “Bem, eu os escrevi, mas eles realmente não me pertencem”, ele adotou a abordagem oposta e o risco de reivindicar este livro em uma trindade de pronomes um tanto cínica.

    Ler o que Derek Taylor tinha a dizer sobre George foi cativante mais uma vez. As percepções do homem que amo profundamente por alguém tão perspicaz e articulado como Derek se tornaram de alguma forma mais importantes para mim. Derek e George trocavam uma conversa especial que muitas vezes deixava os outros na sala completamente perplexos com sua linguagem abreviada. Levava tempo se você quisesse participar, porque seus pontos de referência eram abrangentes e cobriam décadas de personagens e eventos obscuros e coloridos, muitos compartilhados durante os dias fenomenais dos Beatles, que lhe deram um mundo particular de experiências do qual se inspirar. George citou a sabedoria dos grandes swamis, o Bhagavad Gita e os antigos Vedas, bem como o humor de Lord Buckley, os Goons, Lenny Bruce, Os Produtores de Mel Brooks e Monty Phython; ao mesmo tempo, Derek nos entretinha com aulas de história sobre as duas guerras, comentários sobre eventos atuais e política. Se alguém em nossa casa tivesse alguma dúvida sobre um desses assuntos, George sempre dizia: “Ligue para o Derek e pergunte a ele”. Ele era muito culto e compartilhava conosco informações de todos os tipos, algumas das quais não queríamos saber, mas todas apresentadas de forma divertida. Eu nem sempre tinha certeza do que era fato ou ficção (embora isso não parecesse importar).

    Os dias que passaram juntos trabalhando neste livro foram felizes e aconteceram com xícaras de chá intermináveis (pelas quais Brian Roylance, que idealizou e publicou a edição original e limitada de I Me Mine, foi o principal responsável, sendo o maior fã de chá desde o próprio Earl Grey). O diálogo de George e Derek nestas páginas revela muito sobre o relacionamento deles, que começou em Liverpool e, como costumavam nos lembrar, “Nascer em Liverpool traz consigo certas responsabilidades”. Eles trabalharam juntos por trinta anos, então as entrevistas de Derek com George eram como uma segunda natureza para ambos, mas eles sempre conseguiam produzir novas lembranças de suas experiências. Todos nós que estávamos por perto durante a escrita de I Me Mine considerávamos o riso como algo garantido. Deve ter sido uma verdadeira revelação para Brian, cujos trabalhos editoriais anteriores considerávamos documentos mais sérios, como The Log of H. M. S. Bounty e Charles Darwin’s Journal of a Voyage no H. M. S. Beagle. Eu apostaria que Brian ficou surpreso com o surgimento de seu próprio senso de travessura e humor, o que foi apreciado e incentivado. George e Derek o levaram para o mau caminho da melhor maneira possível e ele se tornou um dos amigos e confidentes mais próximos de George, especialmente depois de Derek faleceu em 1997. Brian e eu compartilhamos as lembranças daqueles dias, juntamente com o amor e o respeito que todos tínhamos uns pelos outros.

    George e Derek se divertiam criando legendas sem relação com as fotos que supostamente estavam descrevendo, algumas das quais entraram no livro. A foto na placa XXIII mostra George segurando um sitar, mas a legenda provocou cartas para a editora Genesis Publications reclamando que a cópia do leitor devia ter as fotos erradas porque “George não está comendo um sanduíche de queijo com ninguém no livro”.

    E somente os fãs de Monty Python’s Flying Circus entenderiam a legenda da placa XVII — uma referência obscura obviamente destinada a ser compartilhada com aqueles de humor semelhante — Prinz Walter, um personagem do Python, tinha dentes de madeira. Compare o sorriso do ex-primeiro-ministro britânico Harold Wilson e você entenderá. A primeira escolha para a legenda da Placa XLIII, mostrando outro ex-primeiro-ministro, Edward Heath, ao piano com George atrás, foi (George): “Você sabe que as bolas estão aparecendo?” (ex-primeiro-ministro Heath:) “Não, mas você cantarola e eu toco.”

    Era uma piada antiga, mas Derek e George não tinham vergonha. Se eu me esforçar, ainda posso vê-los e ouvi-los rindo ao redor da mesa da cozinha e sinto muita falta de ambos, juntamente com a alegria que seu humor, inteligência e afeto combinados trouxeram para minha vida.

    Para mim, a essência deste livro são as letras e acredito que elas resistem ao teste do tempo porque são escritas sobre a busca eterna do homem, seus dilemas, alegrias e tristezas. As letras de George eram, na minha opinião, as mais espiritualmente conscientes de nossa época, embora George, por sua vez, geralmente se referisse às letras de Bob Dylan ao tentar fazer uma observação ou elucidar seus próprios sentimentos de isolamento e frustração causados por coisas dentro e fora dessa vida. Muitas vezes ele disse: “Gostaria de conhecer mais palavras”, mas talvez todas as palavras do mundo, incluindo o sânscrito e os mantras que faziam parte do seu vocabulário, não pudessem expressar completamente sua profundidade de sentimento e percepção.

    Como descobri com outros compositores, George não revelada muito ao explicar suas letras. Não bastava que ele expusesse suas emoções e pensamentos para todos ouvirem? Finalmente parei de perguntar a George sobre o que suas músicas eram, porque suas respostas nunca pareciam satisfazer minhas perguntas. “Liv, eu só precisava de algo que rimasse com “amor”, então usei “luva”.

    Relacionamentos, músicas e palavras são à nossa própria experiência de vida pessoal, mas algumas das canções de George são verdadeiramente reveladas apenas por meio de uma compreensão mais profunda do significado e permitindo que a melodia, a letra, a entonação e o fraseado se infiltrem para contar a história, sem o filtro de nossas próprias interpretações. No verão de 2001, estávamos discutindo sua composição e ele me disse que qualquer pensamento ou tema que inspirasse uma letra geralmente se metamorfoseava no final da música, às vezes antes mesmo do lápis tocar o papel, como em “Your Love is Forever”. Ele começou essa música escrevendo sobre os dias em que estávamos imersos em nosso caso de amor com o Havaí e um com o outro também, mas o amor no verso de abertura logo se transformou em Amor Divino. George escreveu: “Meu amor pertence a quem pode vê-lo” e suas canções pertencem àqueles que realmente podem ouvi-las. As letras de George frequentemente nos cativavam com uma imagem e então nos levavam a um reino mais elevado, transcendendo sua inspiração inicial.

    Lendo este livro, eu podia ouvi-lo cantando cada música e, ao ver novamente as letras manuscritas, algumas em papel timbrado dos lugares onde estávamos hospedados na época, reavivou minha lembrança daqueles momentos. Vejo minha caligrafia no envelope de correio aéreo de “Learning How to Love You”. Escrevi o primeiro verso da letra para ele enquanto ele trabalhava na melodia. Então, ele pegou a caneta da minha mão e escreveu palavras que mais tarde o guiariam de volta aos pensamentos que queria expressar. Leon Russel me disse uma vez que eu deveria anotar todas as coisas engraçadas que George dizia, e muitas das vezes eu o fazia. Algumas delas acabaram em músicas e outras eram simplesmente adoráveis, como: “Gosto de não ser mestre de nada. É uma mudança em relação a todos os espertinhos.” Em outras ocasiões, podia ser algo que outra pessoa havia dito que chamava a atenção de George, como o baterista Jim Keltner, que frequentemente dizia a George que ele era um “alvo fácil”, o que inspirou a música com esse nome.

    Seja qual for a inspiração, sempre foi um privilégio testemunhar o nascimento de uma música. Você podia ver a força criativa da musa em ação, pois George tocava violão, ukelele ou piano e, de repente, ficava extremamente concentrado, como se ela tivesse lhe dado um toque no ombro para avisá-lo. Sua cabeça se inclinava como se estivesse ouvindo algo que só ele conseguia ouvir, e sua mão se movia como se estivesse encontrando o caminho para os próximos acordes, como uma varinha mágica encontrando água. Eu ficava quieta e tentava não interferir no processo, embora às vezes eu me ouvisse em alguma gravação falando sem parar sobre o que fazer para o jantar. Ah, como eu me arrependo quando ouço essas gravações! George era tão paciente e concentrado. Ele simplesmente continuava tocando, independentemente de estarmos preparando o jantar ou não.

    Estávamos nas Ilhas Virgens Britânicas em 1976, quando George escreveu “Soft Touch”. Seu pequeno parágrafo sobre composição dessa música descreve o clima e o que estava acontecendo ao nosso redor, mas para mim há muito mais naquela página, tanto em sentimento quanto em notação — apenas pequenas notas falam comigo — Na parte inferior da segunda página da letra “Soft Touch”, ele imprimiu “Bridge (noch einmal) — alemão para “mais uma vez”. George usava essa frase ocasionalmente desde a época em que eles (os Beatles) costumavam gritá-la do palco quando tocavam em Hamburgo.

    Lembro-me de que Eric Idle se juntou a nós naquele feriado. Certa tarde, estávamos tocando uma música em um pequeno toca-fitas quando atendi a uma batida na porta. O produtor de televisão Norman Lear se apresentou e nos disse que a música estava muito alta e incomodando sua esposa, que estava tentando escrever. (Era 1976, antes da era dos laptops, então estávamos de férias com o barulho da máquina de escrever do vizinho e esperávamos que ela estivesse escrevendo cartas e não um livro). Esse pequeno conflito esfriou um pouco as coisas, já que não era tão divertido saber que os vizinhos estavam reclamando de nós. No dia seguinte, Norman descobriu que era George Harrison quem estava tocando e bateu novamente em nossa porta, desta vez se desculpando e implorando para que George tocasse o quanto quisesse, não que ele e Eric precisassem de muito incentivo, já que sempre viajavam com os seus violões.

    Ouvir suas gravações também me ajudou a superar a agonia de sua ausência, mesmo que o som de sua voz e guitarra slide me trouxessem um certo conforto. O canto de George sempre me encantava e inúmeras vezes eu era a sua única plateia. “Run of the Mill” era uma música que eu frequentemente pedia à ele para tocar, pois suas letras eram tão sábias, especialmente a lembrança de que, “Amanhã, quando você levantar, outro dia para você perceber” (“eu” sendo Deus) — palavras que George não apenas escreveu, mas viveu — As músicas também evocaram memórias daqueles primeiros dias juntos, especialmente uma música como “Your Love is Forever”, que foi escrita em Hana, Maui, em fevereiro de 1978, onde estávamos aguardando o nascimento de nosso filho, Dhani.

    George amava os trópicos e sempre foi mais feliz lá. Ele se inspirou e escreveu várias músicas durante aqueles dias — “Dark Sweet Lady”, “Soft- Hearted Hana” e “Here Comes the Moon”, cujas letras são datadas de 25/02, seu aniversário. A mercearia local tinha geleia de goiaba, varas de pesca de bambu e facões, mas faltavam presentes para o homem que já tinha tudo, então comprei para o George muitas canetas e papel para incentivá-lo a escrever e, ao ler as letras daquela época, fico feliz por ter feito isso. Nadamos por lagoas de rocha vulcânica negra com nomes como Piscina de Vênus e uma pequena cabana em uma baía se tornou nosso lar de luxo por aqueles dias, sendo o maior luxo a ausência de telefone e a liberdade das exigências habituais do tempo do George. Os moradores locais nos presentearam não apenas com privacidade e o espírito Aloha, mas também com flores tropicais que nunca tínhamos visto antes: gengibre-concha, tocha e kahili misturados com colares de plumeria perfumados. Mal podíamos esperar para voltar a plantar nosso próprio jardim tropical. Ao longo dos anos, Derek e Brian se tornaram jardineiros convidados, deixando um legado exuberante de suas visitas.

    As muitas fotos daquela primeira viagem ao Havaí haviam desaparecido por mais de vinte anos. Enquanto eu escrevia esta introdução, elas me foram devolvidas. Entre elas, havia uma da lua cheia nascendo, conhecida no Havaí como Mahina, que inspirou George a escrever “Here Comes the Moon”. A última vez que George e eu estivemos lá juntos foi em fevereiro de 2001. O pôr do sol e o nascer da lua simultâneos em um céu crepuscular, as ondas quebrando nas rochas, as baleias saltando no mar, a repetição dos arco-íris e a cratera Haleakala elevando-se a 3.048 metros em nosso quintal, mais uma vez, nos humilharam e voltaram nossos rostos para Deus. Colhemos gardênias e tocamos música havaiana enquanto tomávamos café da manhã sentados ao sol, tão amado por George, em parte porque ele se sentia privado de seu calor quando criança, crescendo na Inglaterra. Mas se chovesse e as cachoeiras de 45 metros corressem, George ficava igualmente feliz. “Sublime é o verão quente e preguiçoso. Estes são dias perfeitos, como o paraíso por aqui”, ele escreveu em “Your Love is Forever” (Seu Amor é para Sempre). Sim, eles eram perfeitos para mim também, George, tão perfeitos quanto se pode ser neste mundo físico.

    As lembranças daquelas noites juntos são um presente… ele tocando violão ou ukelele sob uma lua cheia, onde as noites eram quentes e nós enganávamos o inverno inglês, impedindo-o de gelar os ossos. Apesar da tendência humana de considerar o parceiro como garantido, mesmo naquela época eu sabia que aqueles eram momentos preciosos. Eu também ignorava alegremente o quão curtos nossos dias juntos deveriam ser. Essas lembranças ressoarão com amor e reverência pelo resto da minha vida e não me importo de dizer nesta ocasião que elas são “Minhas”.

    — Olivia Harrison.

  • A conquista da América(1964)

    No artigo editorial de hoje, falaremos a respeito da primeira vez em que os Beatles estiveram nos Estados Unidos, no dia 7 de fevereiro de 1964, sendo recebidos por milhares de fãs no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York.

    Antes dos Beatles irem para a tão sonhada recepção nos EUA — onde nenhum deles esperava por todos aqueles fãs os recepcionando no aeroporto de Nova York — Brian Epstein tinha outro planos para os seus meninos. Eles antes fariam alguns shows na França, em Paris, mas precisamente no teatro Olympia, entre os meses de janeiro e fevereiro de 1964. Pois de acordo com todos os Beatles, eles não queriam chegar na América, sendo apenas alguém na lista das mais tocadas, como tinha acontecido com alguns dos seus heróis do passado, sendo logo esquecidos na sequência, de suas respectivas turnês, por exemplo.

    Mas numa noite em Paris, tudo mudou. Pois logo que chegaram ao hotel depois de um show no teatro Olympia. Brian lhes disse que tinha acabado de receber um telegrama da própria Capital Records dos EUA, lhes dizendo que eles tinham acabado de chegar ao 1° lugar das paradas norte-americanas, com a música: I Want To Hold Your Hand. Para a felicidade de todos, é claro. Que imediatamente começaram a pular, gritar e até mesmo a subir nas costas de Mal Evans, o road manager do grupo, dentro de seus respectivos quartos.

    Os Beatles no dia 15 de janeiro de 1964, no hotel francês George V, em Paris. Ringo Starr não conseguiu embarcar por conta de uma forte névoa em Liverpool, viajando apenas no dia seguinte. Por isso essa foto foi tirada apenas no dia 15 e não no dia 14, como teria que ser.

    Derek taylor, o jornalista do Daily Express na época, estava se entrosando muito bem com toda a banda, e ele então, aproveitou aquela oportunidade para escrever uma coluna no jornal com George Harrison, onde ele dizia, que tinha conquistado toda a Versalhes, e agora seria só uma questão de tempo, até conquistarem a América também. Ou pelo menos, se eles iriam gostar deles como a Europa tinha gostado, no momento. Por isso ainda estavam um pouco apreensivos, com a receptividade nos EUA, país que sempre tinha servido de influência direta para todas as suas músicas.

    Com tudo isso em vista, Derek foi convidado pelo próprio Brian Epstein, para lhe ajudar com o seu livro autobiográfico, e assim, foram até a região de Torquay, cidade litorânea britânica, localizada em Devon, no sul da Inglaterra, para trabalharem um pouco no que viria a ser, A Cellarful os Noise — Um Porão Cheio de Barulho, traduzindo para o português — e Brian gostou tanto do resultado final de seu livro autobiográfico, que resolveu chamá-lo para ser assessor de imprensa da banda. E assim, Derek Taylor aceitou aquela oferta sem pensar duas vezes, e resolveu se demitir do Daily Express.

    Porém, Brian retornou a ligação para a Capitol Records, quase que de maneira imediata, lhes dizendo que eles só teriam os Beatles na América, se a gravadora gastasse uma quantia considerável em marketing e publicidade também. E assim, um novo acordo se estabaleceu entre todos, onde a Capitol, prometeu gastar uma soma de aproximadamente 50 mil doláres para isso. De acordo com as lembranças de George Harrison, para o livro Anthology dos Beatles.

    Na lembrança de Paul MacCartney, os fãs norte-americanos começaram a usar uma peruca ao estilo Beatles, chamada de moptop, onde acabavam tirando diversas fotos com elas. E foi assim, que começou a se espalhar a Beatlemania pelos EUA também. E Paul ainda se lembra, de outra ocasião, quando o avião estava prestes à aterrisar no aeroproto em Nova York, quando o próprio piloto, lhes disse através de sua escuta na cabine, que tinha uma multidão esperando por eles lá embaixo. O que foi uma imensa surpresa para todos os Fab Four, quando desceram daquele avião e tiveram que acenar para eles, como se fossem da realeza britânica. O que talvez, passassem a ser naquele instante mesmo.

    Os Beatles desembarcando pela primeira vez, nos Estados Unidos, no dia 7 de fevereiro de 1964, na aeroproto John F. Kennedy, em Nova York, acenando para uma multidão imensa que estavam a sua espera.

    Os Beatles desembarcando pela primeira vez, nos Estados Unidos, no dia 7 de fevereiro de 1964, na aeroproto John F. Kennedy, em Nova York, acenando para uma multidão imensa que estavam a sua espera.
    Os Beatles dando a sua primeira entrevista nos EUA, assim que acabaram de desembarcar no aeroporto John F. Kennedy, no dia 7 de fevereiro de 1964. Para uma coletiva imensa de jornalistas que queriam lhes fazer pequenos. Mas logo, com suas piadas e sarcarmos vindos diretamente de Liverpool, acabaram conquistando à todos em apenas alguns instantes.

    Assim, no dia 9 de fevereiro de 1964, os Beatles, enfim, se apresentariam no The Ed Sullivan Show, porém nos ensaios, para o programa, que aconteceu no dia 8, George teve uma amigdalite terrível e não pode ir. Ficando em seu lugar o próprio Mal Evans, que teve se segurar apenas a sua guitarra para marcar o seu lugar, na ocasião.

    Os beatles, sem o George Harrison, que estava com uma terrível amigdalite, no dia 8 de fevereiro de 1964, num sábado, durante os ensaios gerais nos estúdios da CBS, em Nova York, ao lado do Ed Sullivan.

    Ringo diz no Anthology, que todos ficaram ensaiando a tarde toda nos estúdios da CBS, em Nova York, um dia antes da tão aguardada apresentação; porém, em sua visão, o som na época, era tão ruim, que eles tinham que ir para a cabine de controle logo depois dos ensaios, para junto do engenheiro de som, ajeitar tudo o que eles tocaram, mas logo depois que sairam, a faxineria do local, viu todas aquelas marcas de giz na mesa, e assim, decidiu limpá-la. E assim, todos tiveram que retornar a cabine de som e refazer todo o serviço novamente.

    George Harrison, também recorda que todos estavam cientes da importância daquela apresentação no programa, pois eles tinham acabado de receber um telegrama do próprio Elvis Presley e de seu empresário, o coronel Tom Parker, mandando as mais nobres felicitações para eles. E assim, quando os Beatles se apresentaram, no outro dia, num domingo, até mesmo os índices de criminalidade nas ruas de Nova York desceram. Pois praticamente todos tinham parado o que estavam fazendo, para assisti-los na televisão.

    Paul em entrevistas sempre fez questão de dizer que a audiência na época, beirava aos 74 milhões de telespectadores, o que ainda para os dias de hoje, é um tremendo recorde a ser batido. Pois todos estavam um pouco curiosos de ver aqueles quatro garotos que possivelmente, nas palavras do próprio John lennon, estavam usando “perucas com caspa de verdade”.

    Os Beatles sendo fotografados ainda em Paris, na França, no icônico Hotel George V, ainda no dia 26 de janeiro de 1964, quando souberam que a sua canção: I Want to Hold Your Hand, tinha chegado ao topo das paradas norte-americanas. O fotógrafo britânico David Steen, sabendo disso, aproveitou aquela oportunidade, para pegar uma bandeira americana na embaixada local, para assim, criar essa imagem promocional dos Beatles, ainda na França.

    De acordo com John Lennon, todos estavam bastante deslumbrados com a a primeira visita deles na América, mas depois, no outros anos, quando eles tinham que repetir tudo novamente, começou a ficar muito maçante para todos. Sem contar aquele barulho ensurdecedor vindo do público, onde nenhum integrante da banda, conseguia escutar direito, o que estavam tocando, muito menos cantando também.

    George Martin, o produtor musical dos Beatles, disse em diversas entrevistas também, que eles nessa época, quase não tinham tempo de ficar nos estúdios de gravação, pois tinham que ir logo para os shows agendados por Brian. Ficando tudo a encargo dele e de outros engenheiros de som também, ter que finalizar os seus primeiros discos em mono. Ou seja, os Beatles faziam suas gravações habituais, daquelas faixas no disco, e assim, corriam logo daqueles estúdios, enquanto o senhor Martin se encarregava de mixá-los adequadamente em dois canais em mono. Ele até poderia mixar em estéreo na época, mas preferia em mono, que era como se todos estivessem tocando ao mesmo tempo, como se fosse uma espécie de gravação ao vivo.

    No dia 24 de março de 1964, John aproveitou toda aquela oportunidade Beatlemaníaca da época, e decidiu assim, lançar o seu livro, intitulado: In His Own Write, contendo suas piadas e poesias da época do colégio também.

    John Lennon segurando sua cópia de seu livro: In His Own Write, em março de 1964, fotografado por Robert Freeman, em Londres, na Inglaterra, durante o lançamento e as sessões promocionais do livro também.

    O livro também apareceu no filme dos Beatles, chamado: Os Reis do iê-iê-iê, e de acordo com o próprio George Harrison, foi a melhor publicidade que um livro poderia ter na época.

    De acordo com o próprio John, se ele não fosse um Beatle, provavalmente seria um poeta Beat. Pois o livro surgiu através de páginas em que ele escrevia e que acabava tendo como destino, os seus próprios bolsos, e assim, quando viu, já tinha um livro completo para ser publicado, vindo a se tornar depois, um verdadeiro best-seller, tendo vendido aproximadamente 2 milhões de exemplares ao redor do mundo.

    Em abril de 1964, os Beatles tinham emplacado os cinco primeiros lugares nas paradas norte-americanas. O que era algo incrível para o Ringo, por exemplo. Pois antes disso, dificilmente um único artista, emplacava diversas músicas nas paradas dos EUA. Sendo os Beatles, os primeiros a fazer tal feito para a história.

    Em junho de 1964, os Beatles iniciariam sua tão aguardada turnê mundial, passando pela Escandinávia, Holanda, Hong Kong, Austrália e Nova Zelândia. Porém Ringo Starr, teve que ser internado às pressas, em um hospital, no Reino Unido, por causa de sua amigdalite. E assim, todos tiveram a ideia de substituí-lo o quanto antes, por um baterista de Londres, chamado Jimmy Nicol, que de acordo com o Paul, até tocava bem, mas não era tão bom quanto Ringo. Deixando uma certa magoa no próprio Ringo, pensando que a banda pudesse susbtituí-lo de vez, por causa de sua doença. Mas logo, Jimmy Nicol saiu de cena quando eles estavam prestes a tocar na Austrália, para que Ringo, já recuperado, pudesse assim, assumir de vez as baquetas da banda. E vir à finalizar aquela turnê mundial de uma vez por todas.

    Jimmy Nicol, no final da esquerda para a direita, segurando um guarda chuva, por causa da chuva intensa, quando os Beatles chegaram na Austrália, em Sydney, no dia 11 de junho de 1964.

    George na época, ficou muito aborrecido com tudo aquilo, pois ele queria que tivesse outra maneira para contornar aquela situação. Mas de acordo com o Brian, como a turnê já estava agendada há bastante tempo, não teriam como reagendá-la novamente para uma outra ocasião. Então Ringo teve que esperar sua garganta melhorar, tentando se alimentar somente com gelatina e sorvete, e assim, torcer para que todos o aceitassem de volta.

    Foi um grande problema aquilo. De acordo com o George Martin. Porque George Harrison, sempre tinha sido muito fiel aos seus amigos, e disse à todos, na ocasião, de que se ringo não fosse fazer a turnê na Austrália, também não via motivo algum de fazer aquilo também. Tendo que o próprio George Martin e Brian Esptein também, terem que persuadi-lo à fazer aquilo, muito a seu contragosto. Mas no final, acabou dando tudo certo, e os Beatles estavam de volta para finalizar aquele empecilho em suas vidas, ao longo do término de sua primeira turnê mundial.

    Porém, Jimmy Nicol, antes que tudo voltasse ao normal, teve que ensaiar com o grupo nos estúdios de Abbey Road, em Londres, junto com os outros três Beatles, para aprender todas aquelas músicas de autoria de Lennon & MacCartney. Mas logo depois que Ringo voltou, ele acabou caindo no ostracismo novamente, como diria o próprio George Martin no livro Anthology.

    John Lennon recorda de quando ele estavam em Amsterdã, por exemplo, numa espécie de clube de striptease, onde a grande maioria das pessoas faziam questão de cumprimentá-lo, enquanto ele simplesmente rastejava pelo chão, por causa de diversas bebidas ou até mesmo era escoltado pela polícia local para fazer todos aqueles shows, onde os Beatles tinham o dever de conquistar, a cada nova apresentação, aquelas novas cidades que apareciam no mapa.

    Já em Hong Kong, os jornais locais diziam que os Beatles estavam “perdendo a batalha para os gritos”, em relação as suas apresentações em outros países, por exemplo, onde o próprio sequito de seus fãs, não parava um minuto sequer, ao longo das apresentações, de gritar ensandecidamente; porém, nas lembranças tanto de John como na de Paul também, o público em Hong Kong, era muito comportado e os aplaudia sempre ao término das suas canções, sendo a primeira vez desde que a Beatlemania tinha se estabelecido, em todo o mundo, onde os próprios Beatles conseguiam se escutar no palco.

    Chegando na Austrália, George Harrison se recorda muito bem, que a imprensa começou a se indagar, dos motivos que os Beatles não acenavam para a multidão, que estava perto do hotel e queriam somente vê-los. E assim, todos foram para fora, com suas capas de chuva improvisada para fazer tais atos.

    Paul ainda se lembra também de que a tia de John, a Mimi, optou em ir com eles para a Austrália também. E sempre que podia, repreendia-o. Onde John, logo em seguida, se desculpava com ela, como se fosse um menino indefeso.

    Porém, ao longo de toda a turnê, começou a acontecer algo que os deixava um pouco retraídos. Pois diversas famílias tinham o hábito de levar pessoas com deficiência ou doentes, até o camarim da banda, para que os Beatles pudessem tocá-la, como se isso fosse resolver o problema daquela gente. Como se os próprios Beatles, fossem alguma espécie de reis medievais, onde o povo, realmente chegava a acreditar, que a partir de qualquer toque que eles pudessem dar naquelas pessoas, pudessem levá-las à cura. O que era algo bastante constrangedor para todos os envolvidos. Chegando à um ponto em que todos da banda avisavam para o Mal Evans, o road manager da banda, dizendo apenas: “Mal… aleijados!”, e logo, Evans entendia que deveria retirar aquelas pessoas de seus respectivos camarins.

    Depois da Austrália e Nova Zelândia, os Beatles retornariam para a Inglaterra, com a intenção de lançar mundialmente o seu filme: Os Reis do iê-iê-iê, no Piccadilly, em Londres e em Liverpool também.

    John, por sua vez, achava que retornar para Liverpool, poderia ser um pouco caótico, pois os Beatles conheciam muita gente por lá. Ainda da época que eles usavam roupas de couro, por exemplo; e agora todos estavam usando ternos —algo que foi imposto à todos eles, diretamente por Brian Epstein — que com toda a certeza, os liverpulianos agora, poderiam até achar que a banda tinha se vendido para a indústria. O que na opinião do próprio Lennon, quem pensasse assim, poderia até estar com uma certa razão também.

    Depois do lançamento do filme, alguns jornalistas começaram a perguntar aos Beatles, se eles estavam se preparando para caso o sucesso deles chegassem ao fim, algum dia. Mas eles tendo vindo dali mesmo, diretamente de Liverpool, respondiam na brincadeira, para tentar sempre quebrar o gelo de toda aquela situação, com muitas piadas e carisma também.

    Porém, na segunda volta deles para os EUA, tanto George como John, fizeram questão de fazer Brian prometer que se alguém lhes perguntassem sobre a Guerra do Vietnã, por exemplo; eles iriam dizer o que pensavam sobre aquela grande tolice. Mas por outro lado, mais tarde, o próprio John entendeu perfeitamente o real motivo de Brian querer poupá-los daquilo tudo. Porque na época, dificilmente algum artista, opiniva sobre qualquer tipo de assunto político, que envolvia dois ou mais países. Ainda mais em uma guerra como aquela. Podendo com isso, vir à afetá-los diretamente. Mas depois, de acordo com o próprio George Harrison, todos se sentiram muito mais livres para opinarem sobre o que quisessem, com os jornalistas que viajam com eles nas turnês.

    Outro fato bem marcante desse período também, foi o grande encontro dos Beatles com o Bob Dylan, pois os Fab Four, na época, chegaram a comprar o primeiro álbum de Dylan, de 1962, e costmumavam escutá-lo repetidamente. Principalmente John, que amava seu jeito de fazer poesia musical com as palavras que escrevia para as suas músicas.

    Bob Dylan encontrou eles em Nova York. Depois de um show que os Beatles fizeram. E de acordo com o próprio Paul, John depois iria fazer uma música chamada: You’ve Got to Hide Your Love Away, por causa da influência direta que o Dylan teve em sua própria persona como artista.

    John em entrevistas mais tarde, também disse que foi o próprio Bob, que o ajudou à pensar, por exemplo; a partir de suas letras que sempre estavam cheios de significados profundos e que poderiam ser usados em seu próprio trabalho como músico e poeta. Olhando sempre para o que tinha vivido e experienciado em sua vida, externalizando-a para a sua arte, assim como o trovador Dylan fazia também.

    Assim, uma noite, os Beatles realizaram uma festa no hotel em que estavam hospedados, em Nova York — onde inclusive o Bob Dylan também estava — e Paul ainda se recorda muito bem, que depois de ter fumado maconha com todos eles, insistia em dizer a Mal Evans o tempo todo, que tinha finalmente encontrado o sentido da vida. Mas logo no outro dia, depois que acordava com os outros, não via sentido algum no que tinha escrito, na noite anterior, devido aos efeitos nocivos da maconha e de qualquer outra droga que pudesse ter tomado na época.

    Em uma outra ocasião também, John se recorda que todos estavam muito aéreos, enquanto Bob ficava insistindo para que todos eles ouvissem as suas novas músicas, naquelas fitas que ele sempre carregava consigo, pedindo à todos que prestassem muita atenção a todas aquelas novas letras que tinha escrito. O que imediatamente, todos começaram a rir sem parar daquilo, pois não conseguiam se concentrar direito por causa dos efeitos da maconha também.

    Na visão de Paul, tanto Bob Dylan como John Lennon, começaram a escrever o seus próprios materiais, por causa de um poeta americano, chamado: Dylan Thomas. E inclusive, o próprio Bob, acrescentou ao seu próprio sobrenome artístico, o nome de Dylan, para fazer homenagem ao poeta americano. Pois como todos sabiam na época, seu nome de batismo era: Zimmerman e não Dylan, com origem judaica.

    Mas retornando a visão de mundo de Paul, na época, todos os Beatles estavam de algum jeito inseridos na arte. Sendo ele próprio um leitor ferrenho de poesia, assim, como John também era. Mas algo que lhe trás uma certa paródia à tudo isso, por exemplo, foi quando ele em 1953, ganhou um livro sobre arte moderna na escola, por causa de um concurso de ensaios em que ele tinha participado e ganhado — junto com outros colegas também — vindo a escrever à respeito da coroação da rainha Elizabeth II, que aconteceu no dia 2 de junho daquele mesmo ano. Então, na opinião dele, todos daquela época, de alguma maneira, estavam envolvidos com a arte. E no fim, acabaram fazendo algo com isso. Vindo a se tornarem pintores, poetas ou até mesmo músicos, como era o caso de todos eles ali.

    Depois da grande turnê americana. Era hora de voltar para a Inglaterra novamente, e assim, adentraram novamente nos estúdios, para o que viria a ser o álbum: Beatles For Sale de 1964. Mas Brian já tinha planos para os Beatles. Pois todos iriam recomeçar depois daquelas gravações, é claro, uma nova turnê pela Inglaterra, se apresentando em teatros, cinemas e auditórios pequenos, em comparação aos grandes estádios de futebol norte-americanos, por exemplo.

    E assim, em outubro de 1964, de acordo com George Harrison, os Beatles voltaram para a Inglaterra, para se apresentarem em Accrington, no condado de Lancashire, na Inglaterra, por apenas dois pence por mês. Mesmo já tendo alcançado o sucesso que todos queriam. E isso seria algo em que ele mesmo sempre se lmebraria com muito carinho, mais tarde. Pois não importava a fama que tinham conseguido, os Beatles sempre cumpriam o cronograma pré-estabelecido, pelo Brian Epstein. Sendo em grandes estádios de futebol nos EUA ou até mesmo em pequenos clubes no norte da Inglaterra também.

    Ringo Starr, por exemplo, adorava chegar nos estúdios de gravação e ver que ainda ninguém sabia direito o que iriam fazer, tendo em muitas ocasiões, apenas pequenos trechos de novas músicas apenas. E foi exatamente dessa maneira, que os dois álbuns seguintes: Beatles for Sale (1964) e Rubber Soul (1965), foram gravados, na época. Era sempre um ajudando o outro à terminar as canções, os ritmos e as harmonias das canções também.

    Paul nessa ocasião, se lembra muito bem que a sua música chamada: Eight Days a Week, por exemplo, foi gravada a partir do que um motorista de taxi, disse à ele, na hora em que ele desembarcou na casa de John, em Weybridge, no condado de Surrey, na Inglaterra, onde ele mesmo perguntou ao motorista se ele estava trabalhando muito, e o motorista imediatamente lhe respondeu usando aquela novo jogo de palavras em que ele nunca tinha escutado ninguém dizer à ele até aquele momento.

    Na visão de Paul, sempre tinha sido assim, que ele e John normalmente compunham. As vezes ele chegava com alguma ideia nova e em outras ocasiões, era o próprio John que o inspirava com algo. Pois normalmente, quando Paul chegava na casa de John, ambos tomavam leite com cereais e depois iam imediatamente até a alguma sala qualquer, pegavam alguma guitarra que estivesse por perto e discutiam algumas ideias iniciais que estavam tendo para alguma canção que queriam compor e depois de duas ou três horas, ele mesmo ia embora da casa de John, já com o material todo gravado na memória. Usando aquele velho método que ambos se apropriavam, onde caso nenhum dos dois se lembrasse corretamente daquelas canções, elas provavelmente não seriam boas o suficiente, para serem gravadas em estúdios.

    John ainda tem lembranças bem vivas desse tempo, com Paul o ajudando-o a compor. Pois quando ele comprou essa casa em Weybridge, se deu conta de que a casa era realmente muito grande para os seus parâmetros. E so descobriu isso, depois que visitou alguns parentes em Liverpool, em casas bem mais modestas e humildes. Pois sua nova casa agora, tinha três andares, uma sala com quatorze guitarras, vinte pianos, órgãos, gravadores; outra sala com diversos carros de corrida; outra onde ele costumava desenhar e escrever; e por fim, outro cômodo aonde estava sempre ligado alguma televisão, passando alguns jogos de futebol, por exemplo, ao qual, jamais ninguém nunca assistia também.

    Neil Aspinall, por exemplo, o assistente pessoal da banda na época, também se lembra muito bem, como os Beatles tinham suas agendas totalmente preenchidas por Brian Epstein. Pois no final de 1964, eles além de terminarem a turnê pelos EUA, ainda tiveram energia, para gravarem outro álbum e logo na sequência, retornarem para a turnê agendada pela Inglaterra, novamente. Sem qualquer tipo de descanso pré-estabelecido, ao final da primeira turnê deles. Algo bem diferente ainda para os padrões atuais.

    Nas palavras do próprio John: “Nós demos nossa juventude inteira para os Beatles”.

    Para termos uma ideia mais precisa do que foi todo o início da Beatlemania pelo mundo, entre o final de 1963 e ao longo de todo o ano de 1964 também. Os Beatles fizeram diversas turnês, discos, filmes, compareceram a uma show de Natal, além é claro, de muitas apresentações de Televisão também, como o: Top of the Pops, Thank You Lucky Stars e Around The Beatles, computando precisamente: 37 apresentações ao todo. Além é claro, de mais 22 shows em rádios da BBC, em Londres, na Inglaterra também. Ficando a pergunta final, que todos os Fab Four, volte e meia se faziam e que alguém teve a ousadia de perguntar diretamente para o próprio empresário dos Beatles, o senhor Brian Epstein, o seguinte:

    “Será que {eles} também podem tirar alguma férias, Brian?”

    Principalmente em relação a todo esse novo furacão, chamado de Beatlemania na época, e que iria atormentá-los pelo resto de suas vidas, dali para a frente.

  • Como se criou o termo Beatlemania, na imprensa britânica, em 1963?

    No novo artigo editorial de hoje, falaremos do surgimento do termo Beatlemania, na imprensa britânica, que aconteceu logo depois que eles se apresentaram no teatro London Palladium, em Londres, no dia 13 de outubro de 1963. Além é claro, de como foi o processo de gravação do primeiro álbum dos Beatles também, intitulado: Please Please Me, nos estúdios da EMI (hoje chamados de Abbey Road), em Londres.

    Ao longo do ano de 1963, além do lançamento do primeiro álbum dos Beatles, chamado: Please Please Me — lançado no dia 22 de março daquele ano — Brian Epstein colocou-os em diversos circuitos de apresentação, onde tiveram que abrir alguns shows de Roy Orbison e Helen Shapiro, momentos antes da Beatlemania estourar no Reino Unido.

    George em entrevistas, disse que aquilo os ajudou no inicio à serem reconhecidos no show business e em locais que ainda não tinham tocado, por exemplo. Dando como destaque, alguns teatros, onde no inicio, somente aquelas pessoas que andavam com eles é que enchiam o ambiente, mas que logo depois de um ano praticamente, os locais imediatamente, viriam a ficar muito abarrotados de gente.

    Todos é claro, adoraram presenciar a criação de uma canção do Roy Orbison, por exemplo; enquanto o grupo estava no ônibus se locomovendo para as devidas apresentações das duas bandas, enquanto o senhor Orbison, simplesmente estava criando ao fundo do ônibus, o riff inicial da música: “Oh! Pretty Women” onde todos eles, imediatamente ficaram muito impressionados com aquilo, e assim, decidiram logo compor alguma música também, para competir com aquele som que nunca tinham escutado em lugar nenhum antes. E que logo depois transformariam aquela influência direta, em um outra música, intitulada: Day Tripper — onde muitos especialistas acreditam ter influências diretas com as músicas de Roy Orbison — e que em 1968 também, lançariam outra música, inspirados no evento em que presenciaram naquela turnê também, chamada: Birthday, para o álbum branco duplo deles, na ocasião.

    Porém, quando todos tiveram que fazer alguns shows junto com a artista: Helen Shapiro, em 1963 também, todos realçam no livro Anthology, que no final, sentiram muito pena dela, pois a Beatlemania já tinha sido instaurada na Inglaterra, deixando todos os artistas que vinham antes ou depois dos Beatles, completamente esquecidos ou até mesmo tendo que tocar em ambientes muito vazios por causa do fenômeno de suas músicas. Deixando-os profundamente tristes com aquilo. Pois em suas visões de mundo, todo o artista teria que ser experienciado e respeitado também.

    George agradece no livro, imensamente a Mal Evans e a Neil Aspinall também, pois o primeiro era o road manager de suas turnês, arrumando todos os equipamentos no palco de apresentação, ao mesmo tempo em que também fazia tudo o que eles pediam e queriam a qualquer hora do dia, já que não podiam simplesmente sair de seus hotéis para comprarem roupas, comida ou cigarros, por exemplo. Enquanto Neil Aspinall, ficava com a parte de assessoria de imprensa deles, junto com Brian Epstein, o empresário da banda também. Se encarregando de organizar tudo, mesmo que eles as vezes não quisessem cumprir. O que Brian imediatamente fazia questão de intervir para que fizessem aquilo que já estava programado em seu cronograma rígido.

    Para citar um exemplo, uma vez todos foram se apresentar, no dia 4 de novembro de 1963, durante o evento beneficiente Royal Variety Performance, no Prince of Wales Theatre, em Londres, para a princesa Margaret e a Rainha mãe também. Os Beatles na ocasião, não gostavam muito de se apresentar para um público que não tinha nada haver com eles. E imediatamente ficaram tão nervosos com aquilo que infelizmente John lennon veio à fazer aquele piada de mal gosto, dizendo que nos melhores lugares as pessoas poderiam balançar as suas joias, enquanto que nos outros, poderiam simplesmente bater as suas palmas. E que ele mesmo veio a confessar no livro Anthology, que tinha feito aquilo somente para ver se tentava relaxar um pouco ou até mesmo quebrar o gelo dentro daquela situação fora do usual, durante o intervalo de uma música e outra.

    Ringo uma outra vez, quando todos foram se apresentar no teatro London Palladium, por exemplo, no dia 13 de outubro de 1963, onde a televisão iria transmiti-los no programa britânico chamado: Sunday Night at the London Palladium (ou também conhecido como: Val Parnell’s Sunday Night), onde um público de 15 milhões de telespectadores iriam assisti-los ao vivo, pela primeira vez, em suas televisões, através da emissora ATV —(Asscoiated Television) que integrou a rede ITV (Independent Television) entre 1955 à 1981, no Reino Unido — Ringo se lembra muito bem de ter vomitado em um balde, momentos antes de entrar no palco, devido ao ser nervosismo extremo.

    Apenas por curiosidade, o termo Beatlemania, foi criado pela imprensa britânica, logo após aquela apresentação dos Beatles no London Palladium, em Londres; vindo a usarem aquele termo em quase todas as ocasiões em que algum Beatle aparecia em seus jornais editoriais. Porém, todos os Beatles se recordariam para sempre daquele show em específico, porque todos disseram no livro, que ninguém estava tocando bem naquela ocasião, como estavam, por exemplo, nos dias em que tocavam no Cavern Club, em Liverpool ou até mesmo nos dias de Hamburgo, na Alemanha. Pois estavam tão nervosos que não se lembram de terem agido naturalmente naquele palco em específico.

    Porém, os Beatles logo relataram que depois daquela apresentação, todos os lugares em que iam, imediatamente passou a ser quase impossível de frequentar. Pois todos queriam tirar uma casquinha deles. E Ringo mesmo diz no livro Anthology, que um dia foi a casa de uma tia sua, onde alguém por descuido derramou sua xícara de chá em seu pires, e imediatamente pediram que lhe servisse outra, como se ele não fosse mais a mesma pessoa que sempre tinha sido. Pois de acordo com ele, aqueles que estavam ali, eram e sempre tinha sido a sua única família e que não tinha o porque de todos estarem agindo daquele jeito com ele, só porque ele agora iria se apresentar no London Palladium, em Londres.

    O fato é que depois do primeiro álbum tudo mudou. Mesmo que os Beatles em entrevistas posteriores, não sintam tanto orgulho assim, do álbum: Please Please Me; alegando que a foto da capa tinha sio tirada de qualquer jeito e que o álbum em si, tinha sido gravado apenas em um dia. Começando pontualmente as 10 horas da manhã e terminando apenas na madrugada do outro dia. Com mais ou menos, 12 horas de trabalho.

    John alega no livro Anthology, que eles ensaiaram primeiro todas as músicas e depois gravaram todas elas em alguns takes, deixando à serviço dos dois produtores musicais, na época, George Martin e Ron Richards, de um lado; e de outro, os outros dois engenheiros de som, Norman Smith e Stuart Eltham, para finalizarem todo o serviço de mixagem. Pois nenhum deles estava muito interessado naquilo no momento. Deixando tudo a encargo dessas quatro pessoas apenas, a tão sonhada finalização do disco, nos estúdios da EMI (futuro estúdios de Abbey Road), em Londres. Fato que nunca mais voltaria a acontecer novamente. Porque dali em diante, eles iriam controlar desde a foto da capa de seus novos álbuns, até como queriam que soassem as suas novas músicas, dali para frente também. Entrando nos estúdios de mixagem e dando até opiniões aos produtores musicais e engenheiros de som também, vindo até mesmo a pedirem orquestras sinfônicas para o próprio George Martin, que normalmente tinha que arranjá-la custasse o que fosse.

    Os Beatles e seu produtor musical George Martin, no dia 5 de março de 1963, durante as sessões de gravação, no estúdio 2 da EMI (atual Abbey Road estúdios), em Londres.

    Tanto Neil Aspinall como Mal Evans, em seus próprios relatos para o livro Anthology, afirmam que foi ficando cada vez mais difícil protegê-los da própria Beatlemania. E que as vezes, o fato de terem que andar um pouco a mais para pegarem os seus respectivos carros ou até mesmo limusines, para se deslocarem até os seus respectivos hotéis, era simplesmente uma agonia. Pois as fãs mais ensandecidas, por exemplo, corriam atrás deles como se eles fossem algum diamente que tivesse acabado de ser jogado nas ruas.

    George se lembra muito bem desses momentos, e diz que até mesmo nos shows, era bem difícil escutar o que ele mesmo estava tocando, tendo que marcar o ritmo batendo os seus próprios pés no palco. Enquanto Ringo olhava para aquilo e tentava não perder o seu ritmo nas baquetas também. Até que teve um dia, em que o George simplesmente disse à todos que não iria mais fazer aquilo, e assim, resolveu sair dali, alegando que não dava mais para ele, e logo, John o seguiu também, dizendo o mesmo. A sorte e que Brian Epstein fez com que os dois mudassem de ideia e retornassem à apresentação programada.

    Dinheiro não faltava mais. Os Beatles passaram a ganhar 50 libras por semana, cada um. Enquanto Mal Evan e Neil Aspinall, passaram a ganhar 25 libras. Porém, o grande problema é que Brian Epstein, ganhava 2.000 libras por semana aproximadamente. Fato esse, que depois, resvoltou bastante Paul e George, pois parecia que a marca Nems Enterprises da família Epstein, estava lucrando bastante às custas deles. Mas logo depois de 1966, parecia que somente Paul estava incomodado com isso, pois George tinha se desprendido por completo daquilo, por causa de sua nova religião indiana, ficando a encargo apenas de Paul rever todos aqueles contratos irresponsáveis.

    Paul no livro Anthology, diz que so ganhava aproximadamente 15 % em receitas de sua música: Yesterday, por exemplo; e que o outro restante da bolada, ficava à encargo da empresa Northen Songs — que publicava todas as músicas de Lennon e McCartney em seu vasto catálogo — do editor musical Dick James e Brian Epstein na época. Onde o primeiro, acabou se transformando em um multimilionário depois que a empresa veio a abrir o seu capital, em 1965. Paul até tentou na época, ver se conseguia fazer alguma coisa à respeito, para melhorar mais os contratos dos Beatles, mas logo viu que seria impossível tal ato. Porque logo na sequência disso, em agosto de 1985, Michael Jackson compraria todo o catálogo dos Beatles, pela soma de aproximadamente US$ 47, 5 milhões de dólares na época. Fato esse, que além de terminar com a amizade entre Paul e Michael, também o revoltou muito, porque o próprio Paul queria comprar na época também, aquilo que sempre tinha sido dos Beatles e de mais ninguém.

    Voltando para os finais de 1963 e início de 1964, todos os Beatles estavam comprando suas novas moradias em Londres, pois como Paul e John alegam no livro, era lá é que estava acontecendo todos os fenônemos culturais na época. Como Teatro, Cinema, Literatura e Artes, já que Paul tinha acabado de conhecer Jane Asher, que era atriz, e que também o levava a assitir diversas peças por lá também.

    Porém, George ironiza muito essa parte de suas histórias, dizendo no livro, que John e Paul nessa época, só queriam saber de literatura e cinema. Perguntando sempre para os outros, em ocasiões ilustres, sobre o que estavam lendo. Como se quisessem ser reconhecidos agora, como verdadeiros intelectuais.

    O fato é que entre 1963 e 1965, todos entraram de vez, para as camadas mais altas da sociedade britânica, se tornando todos Cavaleiros da Ordem do Império Britânico (1965). Frequentando diversos eventos onde só tinham atores e atrizes, como se sempre habitassem aqueles lugares. Porém, a nova regra dentro daquele novo ambiente do show business, apresentada pelo próprio Brian Epstein, era que todos ao seu redor, só estavam ali, para ver se poderiam ver mais de perto se o fenômeno da Beatlemania, iria mesmo ser esquecido de vez pela imprensa mundial, onde todos esperavam ansiosamente a primeira escorregada dos Beatles diante de seus fãs e da própria mídia também; ou se por outro lado, por algum milagre divino, eles iriam marcar de vez o seu nome nos livros de história para sempre, como diria mais tarde o baterista da banda, Ringo Starr.

  • A Beatlemania e a morte de Brian Epstein (1934-1967)

    No artigo de hoje, analisaremos o que foi o fenômeno da Beatlemania, cobrindo até o fim de 1968, com a não aprovação de Brian Epstein da capa do álbum: Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band, cobrindo também a morte do empresário da banda e o que a família dos Beatles vieram a passar depois da fama dos Fab Four na Inglaterra e no mundo também.

    Com o lançamento do primeiro álbum dos Beatles em 22 de março de 1963, com o suporte do então produtor musical George Martin, nos estúdios 2, de Abbey Road, em Londres; suas vidas iriam mudar quase que da noite para o dia. Tudo começou com os jornais da Inglaterra noticiando que o álbum tinha chegado ao 1° lugar nas paradas do país, além é claro, de também começarem a relatar em colunas diárias, tudo o que acontecia com os meninos de Liverpool, naquele momento.

    Brian Epstein, o empresário da banda, estava muito empolgado com tudo aquilo que estava acontecendo. Pois agora todos queriam se aproveitar daquela situação, querendo marcar diversas entrevistas com os seus meninos. Mas agora, Brian estava sendo muito bem orientado pelos seus assessores de imprensa, aos quais, fez questão de contratá-los, lhes dizendo em quais jornais deveria aceitar entrevistas ou não. E também, em quais programas de televisão deveriam aparecer, visando sempre, uma maior visibilidade para os Beatles.

    Brian Epstein, empresário dos Beatles. 10 de julho de 1966. Reino Unido.

    Quando os Beatles chegaram enfim, ao 1° lugar nas paradas dos Estados Unidos, por exemplo, todos disseram que agora era a hora certa de irem para lá. E como sempre, Brian planejou toda aquela viagem, nos mínimos detalhes para eles. Reservando os hóteis em que eles iriam ficar, garantindo sempre, que eles estivessem confortáveis, fora de suas zonas de conforto, que sempre tinham sido em Liverpool.

    A Beatlemania então se popularizou em todo o mundo. E quem mais começou a sofrer foram as famílias dos Beatles. Tendo suas casas, sendo completamente invadidas pelos turistas que queriam saber onde exatamente os Beatles tinham nascido em Liverpool.

    Tia Mimi, por exemplo — quem criou o John desde criança, como patricamente à um filho — quando acordava pela manhã, e descia as escadas de sua casa, para a sua surpresa, em sua sala de estar, normalmente tinha diversas fãs da banda ensandecidas, querendo sempre algo de John ou da casa, para guardar como se fosse um amuleto. Tia mimi então, no início, lhes dava alguns botões de casacos ou camisas que guardava em sua caixinha de costura, e elas logo pensavam, que tinha sido do próprio John, em algum momento de sua vida. As visitas então, lhes agradeciam imensamente, por aquele presente inusitado. Algumas até mesmo faziam colares com aqueles botões, para mostrar as suas amigas, de seus respectivos países, tendo como única e excluisva função, lhes causar raiva e muita inveja também.

    Louise e Harold Harrison — pais de George — também sofriam a mesma coisa, assim como o pai de Paul, Jim MacCartney e os pais de Ringo também. Mas Louise, mais precisamente, gostava de responder as diversas cartas que recebiam em sua casa dos fãs da banda. Chegando a um ponto, em que os correios da Inglaterra, tinham que entregar todas as correpondências de van na casa dos pais de George, pois a quantidade era imensa, até para os padrões de hoje.

    Jim MacCartney, pai de Paul, por exemplo, também tinha o hábito de receber os fãs em sua casa, na 20 Forthlin Road, em Liverpool. Ele fazia chá para eles, enquanto as fãs imediatamente reconheciam todos os cômodos da casa, por causa de algumas fotos que circulavam na imprensa na época também. Sabendo mais da história da família dele do que ele próprio, como Jim alegava em entrevistas posteriores também.

    Louise, mãe de George, por exemplo, tinha o hábito de escrever cartas para uma amiga que não morava na Inglaterra, mas que tinha algumas fotos de George bem pequeno, que Louise fazia sempre questão de mandá-la, informando-o como ele estava na época; e que nem mesmo, o próprio George Harrison, sabia da existência delas. Ainda mais depois que apareciam na imprensa como algo totalmente exclusivo.

    Mas logo, todo esse problema foi resolvido, pois todos os Beatles compraram casas maiores, fora de Liverpool, é claro, para que os seus pais não precisassem mais passar por essas inconveniências em suas vidas. E assim foi feito.

    Tia Mimi passou a morar perto do mar, em Bournemouth, na Inglaterra. Pois quando um dos primeiros filmes dos Beatles estava para ser lançado mundialmente. John aproveitou aquela oportunidade para que ela fosse vê-lo, pois queria muito que ela saísse de Liverpool. Mimi aceitou aquela proposta e assim, John à levou até a uma casa que tinha acabado de ser colocada a venda no local e a comprou imediatamente.

    Paul uma vez colocou um embrulho na frente de seu pai e quando ele abriu viu a foto de um cavalo. Jim então, lhe disse o que faria com aquela foto. E Paul foi logo lhe dizendo que aquele cavalo agora era dele. O Fazendo se mudar imediatamente da 20 Forthlin Road, em Liverpool, também, para uma mansão mais perto de Londres.

    George por outro lado, perguntou logo quanto é que o seu pai estava ganahndo para ser motorista de ônibus em Liverpool. Harold então, humildemente lhe respondeu, lhe dizendo que ganhava apenas 10 libras por semana. E assim, George lhe disse que lhe daria o triplo para ele para de trabalhar imediatamente. Fazendo-os saírem de Liverpool também.

    Ringo também fez o mesmo com a sua mãe e o padrasto também. Preferindo isolar completamente de sua vida, o seu pai biológico, que tinha abandonado a sua mãe, na fase que ela mais precisava dele. E assim, continuou limpando janelas dos clientes. Enquanto sua mãe, Elsie Gleave e seu padrasto Harry Gleave, também se mudaram para uma casa de 8 mil libras, que ele tinha comprado para eles, fora de Liverpool, também.

    Os Beatles e o seu empresário: Brian Epstein, em Londres, no dia 20 de outubro de 1963. Antes dos Beatles atingirem a Beatlemania. Em um hotel localizado na imediações de Park Lane.

    Porém, em 1967, quando os Beatles não faziam mais turnês a praticamente um ano, vindo a pararem completamene em 1966. Brian aos poucos foi perdendo o gosto pela vida, ainda mais porque todos foram para a Índia sozinhos e não dependiam mais tanto de seus serviços empresariais como antes. E assim, aos poucos, Brian foi caindo numa depressão profunda, mas que especialistas dizem que ele já tinha essa doença, muito antes de encontrar os Beatles no Cavern em Liverpool, por exemplo. Pois ele sempre sofreu muita discriminação ao longo de sua vida, por ser judeu e gay também.

    E assim, no dia 27 de agosto de 1967, aos 32 anos, Brian Epstein é encontrado morto em sua cama, pelo seu médico pessoal, pois seus governantes espanhóis, que trabalhavam em sua mansão, em Sussex, Londres, na época, acharam aquilo muito estranho, pois o senhor Epstein, já não saia de seu quarto a dois dias inteiros. Pois ele sempre tinha o hábito de acordar as 10 horas da manhã, tomar o seu café, com a sua mãe, e assim, ir ao escritório da News cuidar de alguma parte burocrática que poderia vir a ocorrer com algum artista que agenciava, na época, além dos Beatles, é claro. Que sempre tinham sido os seus ovos de ouro.

    Seus últimos dias, foram na presença dos amigos mais antigos, além é claro, de sua mãe também. Que veio passar alguns dias com ele, em sua mansão, em Sussex, em Londres, por cuasa da recente morte de seu marido e pai de Brian, o senhor Harry Epstein. Que o deixou muito abalado, na época, também.

    Brian teve uma overdose acidental, por misturar medicamentos para dormir junto com o álcool. Pois ele sempre tinha sofrido de insônia há longo prazo.

    Os Beatles ficaram muito arrasados com a notícia e assim, voltaram logo da Índia, para irem ao enterro em um cemitério judeu que ficava nas proximidades de Londres.

    Maharishi Mahesh Yogi, um indiano, que era o mentor espiritual dos Beatles na época e que estava lhes eninando a meditação transcendental. Tinha feito várias palestras em Londres como em Bangor, no País de Gales, onde os Beatles fizeram questão de ir na época também, causando um alvoroço dando na imprensa, que achou aquilo apenas um jogo de marketing ou apenas uma publicidade barata.

    Mais tarde, o próprio Mararishi, lhes disse que ninguém deveria se importar com a morte. Pois a morte era uma continuação da vida em outro plano astral. Mas o fato é que, todos se importaram muito com aquela morte em suas vidas. Pois Brian tinha sido o único que tinha acreditado neles, investindo pesado na gerência de suas carreiras e os amando-o também, no momento em que todos estavam caçoavam deles e insistindo em dizer-lhes que como eles eram do norte da Inglaterra, jamais conseguiriam o sucesso que almejavam para si.

    E em 1967, todos estavam procurando encontrar suas identidades individuais. George assim, seguiu na religião indiana, sendo aprendiz de Maharishi; Paul tentou fazer músicas para alguns filmes, mas logo descobriu que não era isso que ele queria ainda; Ringo ficou mais recluso em sua nova casa, com a sua mulher Maureen Starkey; Enquanto John, fez um filme de anti-guerra, chamado de: How I Won the War, de 1967; Como eu Ganhei a guerra, em tradução livre para o português. Que era uma comédia satírica britânica, indo de encontro ao humor que ele também tinha de Liverpool. Mas logo também desistiu de ser ator e de respeitar os outros atores também. Voltando ao que tinha nascido para fazer que era e sempre tinha sido a música.

    E assim, no dia 1° de junho de 1967, todos os Beatles entregaram um novo álbum, chamado de: Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Onde Brian, antes de morrer, teve uma espécie de premonição, em um dos voos em que pegava, dizendo ao acessor de imprensa dos Beatles, na época, que caso o avião deles caísse em alto mar, naquele instante, ele para ele ficar encarregado de avisar aos Beatles, de que a capa que eles estavam criando para o álbum, em sua opinião, estava muito ruim e que ele não aprovava de maneira nenhuma, aquele novo projeto deles. Temendo que eles fossem muito ciriticados pela imprensa fervorosa da época.

    Porém, para desgosto de Brian, os Beatles foram aclamados pela crítica em todo o mundo, sendo estampado em diversos jornais mundo afora, que aquele álbum redefiniria para sempre, toda a geracão da indústria fonográfica a partir daquele ponto. A contragosto de Brian Epstein, que a essa hora, já estava em outro plano astral, gerenciando permanentemente, as suas almas, idéias e os corações de seus eternos meninos, lá no céu. Amando-os eternamente.

  • A morte de Stuart Stucliffe (1940-1962)

    Fotografia dos Beattles tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, Alemanha, em 1960.

    Com o primeiro regresso dos Beatles para Liverpool. Tudo ainda estava muito incerto. Paul e George ligavam para a casa de John, mas dificilmente eram atendidos por ele. Tia Mimi insistia em dizer à eles que ele estava ocupado no momento. A verdade era que John ainda estava refletindo se valeria a pena insistir com os novos projetos da banda. Enquanto isso, Paul e George tentavam arrumar novos empregos para ocuparem o seu dia.

    E foi assim que Paul arrumou um provisório, à pedido de seu pai. Enrolando bobinas em uma fábrica. Até que John, depois de tanto pensar, decidiu seguir com o projeto da banda, indo ao encontro de Paul para convencê-lo a sair de onde estava. Porém, Paul lhe disse que pretendia seguir o conselho do seu pai, mas John junto com George, insistiu mais uma vez, lhe dizendo para largar aquela vida sem propósito nenhum. E que não era necessário seguir os conselhos de seu pai só para lhe agradá-lo. Paul então, pensou mais um pouco sobre aquilo e assim, decidiu embarcar naquele sonho junto com os seu amigos mais numa vez.

    Na verdade Paul depois em algumas entrevistas, disse que John tinha lhe dado um ultimato. Dando como únicas opções: ele próprio ou o seu pai. E no final, ele acabou escolhendo o caminho certo. Aquilo que tinha nascido para fazer. Que era tocar em uma banda de rock pelo resto de sua vida, ao lado de seus amigos de estrada.

    Aos poucos, eles foram retomando as suas agendas de shows, tanto na Casbah como no Cavern, em Liverpool. Até que um dia, encontraram com Brian Epstein, que logo lhes ofecereu um agenciamento empresarial melhor para a banda. O que todos aceitaram depois de uma semana de discussões e novos rumos que poderiam vir à tomar, com aquela pessoa de aparência rica e com muitos contatos na indústria fonográfica também.

    No final de 1961, Brian passou a agenciar os seus meninos, como ele mesmo insistia em dizer, à novos possíveis contratantes. E logo, estavam levando eles a novos lugares mais longes do que somente pelas redondezas de Liverpool.

    E foi assim que surgiram Neil Aspinall e Mal Evans em suas vidas. Aspinall era um simples contador de uma empresa que recebia apenas 7 libras por semana. Enquanto Mal Evans, era segurança do cavern e poderia muito bem carregar os instrumentos da banda e até mesmo montá-los antes de se apresentarem também. Porém, no início, quem fazia o serviço todo era apenas Neil Aspinall, os levando em sua van para qualquer região da Inglaterra e fora dela também, em que pudessem tocar, cobrando apenas 1 libra pelo dia de viagem.

    Até que depois, Brian Espstein achou melhor que somente Mal Evans fizesse o serviço pesado, levando em consideração que ele era muito mais forte e mais alto do que Aspinall. E os Beatles assim, lhe ofereceram o novo serviço, promovendo de posição o Neil Aspinall, é claro, para assistente pessoal do grupo; enquanto que Evans, ficaria encarregado de cuidar apenas da montagem e organização dos equipamentos como road manager da banda.

    Brian Epstein logo retornou com todos para Hamburgo mais vez, para uma temporada de shows com uma melhor estrutura. Onde os Beatles ficaram melhores instalados dessa vez. Stuart Stucliffe já estava namorando a fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, ficando de maneira definitiva em Hamburgo para estudar artes. Até que enfim, resolveu abandonar de maneira definitva os projetos da banda e seu baixo também; enquanto Paul assumiria a sua função; pois nem George muito menos John, queriam fazer essa parte. Pois gostavam muito de tocar guitarra. Ao contrário de Paul, que sempre tinha sido um multi instrumentista e se adequava muito melhor a qualquer adversidade que surgisse ao entorno da banda. Tocando até mesmo bateria, em algumas ocasiões, quando ninguém aparecia em Hamburgo, para substituir Pete Best, que volta e meia ficava doente na Alemanha, por causa do clima muito inóspito.

    Porém, uma vez enquanto estavam tocando, John acabou em um briga, quebrando o seu dedo, enquanto Stuart sofreu vários traumas em sua cabeça também. Mas até hoje não se sabe ao certo, se Stuart veio a sofrer alguns coálogos no cérebro por causa da confusão. O fato é que Stuart começou a ter fortes dores de cabeça e náuseas, vindo até mesmo a desmaiar em algumas ocasiões.

    Fotografia tirada pela fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, em 1961, em seu estúdio de arte montado no sótão de sua casa, em Hamburgo, na Alemanha. Astrid, nessa época, estava noiva de Stuart Stucliffe.

    Astrid assim, o levou a diversos médicos em Hamburgo, mas ninguém nunca conseguiu diagnosticá-lo apropriadamente. E isso deixava Stuart com muito mau humor. E como exemplo disso, uma vez, ele até tentou escrever uma carta para a sua mãe, que estava em Liverpool, para se queixar sobre as suas fortes dores de cabeça, mas quando Astrid foi ler a sua carta, ela estava completamente inelegível. Até que um dia, Stuart teve uma hemorragia cerebral em casa e veio imediatamente a óbito em 10 de abril de 1962, em Hamburgo, aos 21 anos apenas.

    John Lennon, seu amigo mais próximo na banda foi ao funeral, mas Paul e George preferiram não ir. E George ainda se lembra que algumas semanas antes, quando a banda ainda estava em Liverpool, fazendo alguns shows ali a acolá, todos sairam para se divertir um pouco e Stuart estava cheios de planos para seguir com a sua futura carreira como artista em Hamburgo. E na opinião de Paul, se ele ainda estivesse vivo, provavelmente seria um grande artista.

    O que ficou na memória de todos foram as suas lembranças e certos arrependimentos talvez. Pois quando tinham que ir a algum lugar na van de Neil Aspinall, por exemplo, disponibilizavam sempre os piores lugares para Stuart, enquanto John não fazia absolutamente nada para protegê-lo. Ou em outras ocasiões, quando estavam comendo em um determinado lugar, pediam a Stuart que se afastasse dali, pois queriam comer sem a presença dele. E isso para John, em algumas entrevistas posteriores, ele mesmo confessou, que aquilo era pura maldade, da parte de todos eles, inclusive de Paul e George, que costumavam sempre pegar muito no pé dele. Mas Stuart nunca os retrucava, fazendo exatamente o que lhe pediam. E na visão de John, isso era fraqueza por não conseguir lutar e brigar por seu espaço dentro da banda, com todas aquelas personalidades diversas, mas que juntos, sempre se complementavam.

    Paul tem lembranças de sempre ter dado bronca em Stuart, por estar sempre tocando fora do tom de qualquer música em que estivessem tocando, na época, por exemplo. Mas depois concordou com George também, dizendo que em suas últimas semanas de vida, quando ele retornou para Liverpool, pois já estava morando com Astrid em Hamburgo, era como se Stuart estivesse se despedindo de todos nós. E todos ainda lembrariam daquele momento em seus corações para sempre.

    Fotografia tirada pela própria Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960, diante de um espelho.
    Fotografia tirada pelo fotógrafo alemão: Jürgen Vollmer, de Astrid Kirchherr e Stuart Stucliffe, nas escadarias de um prédio residencial clássico, em Hamburgo, na Alemanha, em abril de 1961.

    John Lennon nunca gostou de falar muito sobre o assunto. Foi um completo choque para todos eles. Mas como Brian tinha acabado de conseguir um teste importante com George Martin, da Parlophone, em Londres, nos estúdios Abbey Road, em 1962, onde tiveram que substituir as pressas o baterista Pete Best. Era hora de arregaçar as mangas mais uma vez, só que dessa vez com Ringo Starr nas baquetas e honrar a memória de Stuart fazendo a arte que mais gostavam e confiavam também.

    Todos no dia estavam muito nervosos, ainda mais que George Martin tinha colocado um baterista profissional novamente, para substituir o novo baterista da banda, causando um mal estar terrível nos estúdios. Principalmente em Ringo, que teve que se sujeitar apenas a um bumbo e pandeiro sem graça, em uma das músicas que vieram a tocar para Martin.

    Todos insistiram que não queriam gravar a música: How Do You Do It?, que George Martin tinha pedido à eles. Mas mesmo assim, fizeram um novo arranjo para a música, mas como alternativa, mostraram logo as suas músicas autorais que tinham feito à pedido de Brian Epstein, que aconselhou à todos eles a ensaiarem e fazerem materias novos também, para apresentarem no dia da gravação do disco.

    George Martin e o outro produtor, enfim, cederam a pressão e disponibilizaram a música que queriam à outro artista, que chegou logo nas paradas de sucesso. Mas os Beatles não queriam se sujeitar gravando um material que não era o estilo deles. Temendo que fossem alvos de diversas piadas em Liverpool, por causa disso. E assim, o senhor Martin, escutou a música que eles tinham composto, chamada: Love Me Do, e enfim, aceitou como o primeiro single da banda. Estando nas baquetas Ringo Starr, que tinha tocado bem melhor do que o Andy White, o baterista de estúdio profissional que tinha sido chamado pelo produtor musical. Chegando ao 17° lugar nas paradas de sucesso, mas depois simplesmente desapareceu. Mesmo tendo vendido aproximadamente 40 mil cópias somente na Inglaterra.

    Depois vieram os sucessos, como: P.S. I Love You, Ask me Why, Please Please Me, a Taste of Honey e assim por diante.

    Os Beatles agoram estavam fazendo um tremendo sucesso ao final de 1962, tocando em diversos locais na Inglaterra. E se tornando a principal banda do norte, tendo um aumento mais do que justo em seus cachês, por apresentação. Mas Brian ainda teria que ter uma equipe de marketing e publicidade muito boas, para que assim, os jornais da Inglaterra notassem os seus meninos de Liverpool. Mas isso não ia demorar muito para acontecer, por causa dos conselhos que o novo empresário dos Beatles estava anotando de Andrew Loog Oldham, que viria a ser o empresário de uma nova banda chamada: The Rolling Stones, entre os períodos de 1963 à 1967.

  • A primeira experiência em Hamburgo

    A Fotografia foi tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr no final de 1960, num parque de diversão em Hamburgo, na Alemanha. {Da esquerda para a direita}: George Harrison, Stuart Stucliffe (ao centro) e John Lennon.

    No inicio dos anos 60, a impressão que dava é de que os Silver Beetles não estavam progredindo como deveriam. Todos na banda faziam suas apresentações em bailes, em Liverpool, mas ainda eram considerados muito amadores em comparação com a banda de Ringo, por exemplo, os Rory Storm and the Hurricanes. Que ao contrário deles, já tinham seus próprios carros e roupas bem melhores de apresentação do que as deles, por exemplo.

    Ringo em uma entrevista até disse que quando os viu pela primeira vez, no Cavern, os achou muito ruins e crus ainda. Algo bem difícil de escutar, em sua visão.

    A banda de John estava sempre à procura de um baterista, por exemplo, onde alguns nos circuito, é que normalmente faziam as baquetas. Até que um dia, Paul se lembrou que tinha um rapaz que tinha acabado de comprar uma bateria de seguna mão. Seu nome era Pete Best e ele vinha de uma família de posses, bem diferente dos outros três que eram da classe trabalhadora.

    E assim, Paul resolveu ligar para ele dizendo que eles teriam que passar uma temporada em Hamburgo, pois tinham sido contratados por um dono de boate, para fazer alguns shows para os seus clientes. O que Pete achou uma ótima ideia. Porém, ele lhe disse que sua mãe tinha uma casa onde o porão comportaria tranquilamente um espécie de cafeteria e clube, para os adolescentes da época e foi logo propondo à todos eles se não poderiam antes de se apresentarem em Hamburgo, fazer alguns shows no Casbah.

    John achou uma excelente ideia e todos foram imediatamente conhecer a casa da senhorita Best, mãe de Pete. Chegando por lá, todos perceberam que o novo baterista era de família bem rica, pois a casa tinha 5 cômodos. Mas a senhorita Best pediu à todos que pintassem aquele lugar antes, pois iria inaugurá-lo logo logo. E assim o fizeram.

    A tinta ainda estava para secar, mas a fome de tocar já era muita e assim, inauguraram logo o estabelecimento, chamado: Casbah, nome indiano por causa das origens da família Best, que tinham vindo de lá.

    George em entrevistas posteriores, achou aquilo muito curioso, ainda mais, porque depois de alguns anos iria se influenciar por toda aquela cultura magnífica da Índia e que ainda por cima, também atraíria todos os outros integrantes da banda, resvalando até em suas próprias músicas.

    O Casbah logo se tornou a casa da banda. Tocavam toda a semana e atraiam cada vez mais fãs permeando as suas músicas. Pete estava muito feliz, enquanto sua mãe, a senhorita Best, ficou encarregada de ser a primeira empresária da banda, agendando novos shows por Liverpool e até mesmo guardando os seus equipamentos por lá quando não queriam levá-lo para a casa.

    Porém, tudo mudou no final de 1961, quando o empresário Brian Epstein, dono da loja de discos, chamada: News, atendeu uma menina pedindo à eles um disco dos Beatles, chamado: My Bonnie. Que eles tinham gravado na Alemanha. E em questão de apenas três dias, tinha vindo mais duas clientes procurando o mesmo disco. E assim, Brian rapidamente tratou logo de encomendar aquele disco de Hamburgo, trazendo várias cópias para a sua loja e ainda ficou muito curioso de saber que eles ainda por cima, eram de Liverpool, como ele também.

    Dessa maneira, um dia, Brian Epstein, decidiu conferir com os seus próprios olhos, o que acontecia no Cavern Club, em Liverpool, no horário do almoço. E quando entrou no clube, os Beatles estavam lá tocando todas aquelas músicas de rock, blues e rhythm and blues, que estavam tocando nas paradas de sucesso, na época; e aos quais, ele gostava também, pelo menos, até certo ponto. Pois Brian preferia música clássica, jazz e outros estilos mais conservadores.

    Diversos mitos surgiram, ao longo dos anos, por causa do nome da banda, mas George Harrison se lembra muito bem que foi Stuart Stucliffe e John Lennon é que deram o novo nome para a banda. E tudo tinha sido por causa de um filme em que os dois assitiram no cinema, chamado: O Selvagem, de 1953, interpretado por Marlon Brando, onde num dos momentos, um dos caras se vira para Jonny (interpretado por Brando) e diz que estava procurando ele, lhe dizendo que todas as “Beetles” sentiram muito a sua falta.

    Paul em uma entrevista até realça que no dicionário de gírias americanas, isso queria dizer: “garotas motociclistas”. ou seja, além da palavra também significar: “besouros” em inglês, ainda era uma palavra que tinha duplo sentido e todos na mesma hora, simplesmente adoraram a ideia e começaram a usá-la dali para a frente. Ficando apenas The Beatles.

    John Lennon propôs a alteração no meio — “Beetles por Beatles” — por causa da música e da literatura Beat que estava surgindo nos EUA no momento e que também estava influenciando todos os jovens de sua época na Inglaterra também. E assim ficou.

    Aqui todos os integrantes da banda, no Indra Club, em Hamburgo, na Alemanha, em agosto de 1960. {Da esquerda para a direita}: John Lennon, George Harrison, Pete Best, Paul McCartney e Stuart Stucliffe. Ainda sem nenhum tipo de agenciamento de seus talentos. Mas todos queriam ter mais experiência quando regressassem para Liverpool, pelo menos.
    Os Silver Beetles se apresentando nos palcos ainda em Liverpool, no dia 10 de maio de 1960. {Da esquerda parav a direita}: Stuart Stucliffe, John Lennon, Paul McCartney, Johnny Hutchinson (baterista provisório e integrante da banda Cass & the Cassanovas) e George Harrison. Antes de todos irem para a Hamburgo em suas primeiras experiências musicais e pessoais também. Integrando logo depois, Pete Best na bateria até o fim de 1962.

    Brian ficou perplexo com aquilo e tentou se aproximar logo daqueles garotos rebeldes. Mas demorou cerca de uma semana até que todos se convencessem à irem até a sua loja de discos, a News, para conversarem sobre um possível agenciamento. Paul lhe disse logo para baixar a sua comissão de empresário da banda para apenas 20%. Mas Brain estava irredutível quanto à isso. E assim, todos enfim, lhe concederam os 25% almejados de Brian desde o início.

    A partir do final de 1961, Brian Epstein assumiria de vez o agenciamento dos garotos, fazendo diversas modificações antes de se apresentarem nos palcos. Como por exemplo, extinguiu de vez a comida entre uma música e outra. Pois ele não gostava de vê-los comendo entre um setlist e outro. Muito menos fumando também. Achava isso extremamente anti-profissional. E assim, a contragosto de John, eles pararam imediatamente.

    John mais tarde, em diversas entrevistas, até disse que se arrependeu completamente de aceitar aquelas condições. Mas logo ficou bem claro que no show Business, se quisessem fazer algum sucesso e ainda por cima, ainda serem respeitados por isso, teriam que adotar certas etiquetas de educação, que antes nenhum deles tinha.

    Como consequência daquelas medidas, eles logo se adaptaram as políticas de publicidade e marketing do novo empresário. Que sempre tinha novos contatos em Londres, para possíveis contratos de gravação. Mas Brian nunca conseguia vender os seus meninos para as gravadoras. Desaminando todos da banda. Que sonhavam em fazer um certo sucesso com a sua arte.

    Na primeira vez em que foram para Hamburgo — antes de conhecerem Brian Epstein da News — todos estavam bastante empolgados. John falou com a sua tia Mimi; Paul com seu pai Jim e irmão Mike; George falou com seus pais à respeito; enquanto Pete comunicou para a sua mãe.

    Mimi não aprovou aquilo, dizendo a John que era melhor ele largar aquilo e voltar para a escola de artes o quanto antes; a mãe de George ficou muito empolgada com a notícia, porém, o seu pai queria que ele começasse a trabalhar em algo que lhe trouxesse mais establidade para a sua família; enquanto Pete, recebeu a aprovação de sua mãe também, lhe dizendo que seria muito bom para eles aquela experiência única.

    E assim todos foram. Mas para a surpresa de todos. Quando eles chegaram em Hamburgo, se depararam com diversos beliches entulhados em um único banheiro que ficava atrás de um cinema. E logo viram, que nem sempre o que prometiam à alguém era realmente a realidade. Mas logo todos conseguiram se adaptar rapidamente.

    No início quase não recebiam ninguém para escutar as suas músicas nos clubes. Mas com o tempo começaram a receber. Paul em entrevistas, diz que eles pareciam ambulantes tentando vender o seu produto à qualquer pessoa que estivesse disposta à escutá-los. E foi assim que chegaram a conhecer Klaus Voormann e Astrid Kirchheerr, um casal de namorados alemães, com influências direitas no existencialismo —corrente filosófica com raízes em Jean Paul Sartre — da época e que ainda por cima, cursavam artes na universidade alemã de Hamburgo.

    Klaus chegou a conhecê-los primeiro. Pois num dia, estava brigando com sua namorada, Astrid, e resolveu sair pelo apartamento afora, indo de encontro com um som que estava saindo de um clube de striptease em Hamburgo. E logo, se deparou com aquela banda. E em seus lembranças foi amor a primeira vista também. Como iria acontecer com o novo empresário deles também, logo depois de um ano.

    No dia seguinte, Klaus convenceu Astrid de ir naquele local onde só tinha gente barra pesada, como alguns mafiosos e gente ligada ao exército alemão do pós-guerra, por exemplo. E Astrid simplesmente se apaixonou por um rapaz da banda chamado apenas de: Stu, pelos mais próximos.

    Stuart Stucliffe, o primeiro baxista dos Beatles, fotografado pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em 1960, em Hamburgo, na Alemanha. Eles logo depois, iriam engatar um relacionamento bem duradouro, até se casarem. Mas antes Stu teria que lhe ensinar inglês.
    Fotografia tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr no final de 1960, num parque de diversão em Hamburgo, na Alemanha. {Da esquerda para a direita}: George Harrison, Stuart Stucliffe (ao centro) e John Lennon.
    Fotografia tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960. {Da esquerda para a direita}: Pete Best, George Harrison, John Lennon, Paul MacCartney e Stuart Stucliffe.

    Stuart Stucliffe era o mais artístico da banda, de acordo com todos, pois ele além de ser o amigo mais próximo de John, na época; ele também era da escola de artes também e tinha fortes indícios de que seria um grande artista ou até mesmo um grande professor de artes. Porém, o acaso lhes trouxe outros caminhos, pois em uma das exposições que aconteciam em Liverpool, Stu, conseguiu vender uma de suas obras modernistas, e assim, todos os seus amigos lhe convenceram a comprar um baixo. Pois o galerista de arte tinha lhe dado 100 libras, na época. Uma fortuna como todos lhe disseram. Pois o baixo custava apenas 60 libras.

    Depois de passar um tempo pensando, Stu enfim, cedeu a pressão de seu amigo John e comprou o baixo, enquanto todos à sua volta lhe disseram que lhe ensinariam a tocá-lo o quanto antes. E assim o fizeram.

    Com a banda completa, todos se empenharam por tocar por longas horas naqueles clubes, tendo apenas uma hora de intervalo se revezando com as outras bandas, inclusive com a de Ringo também. Ringo ficou completamente impressionado com o avanço daquela banda. Mas ainda achava o baterista bem ruim ainda.

    Mas de acordo com John, foi em Hamburgo que todos aprenderam a crescer. No início, para aguentarem as longas horas de shows intermináveis, eles foram aconselhados pelos garçons bem barra pesadas dos clubes, a tomarem Preludin, um remédio para emagrecimento, mas que também os deixava acesos a noite inteira.

    John chegou a tomar mais que todos os outros integrantes juntos. Mas Paul, ficou um pouco receoso no início de tomá-lo. Pois eu pai Jim, sempre lhe disse para ficar bem longe das drogas. Mas naquela época, se você não seguisse a turma era considerado um completo careta. E assim, Paul decidiu tomar também. Ao contrário de Pete Best, que preferia não se envolver com aquilo. Arrumando logo uma namorada striper como desculpa para não aproveitar a noite com os outros. Deixando um imenso buraco no entrosamento da banda.

    Aonde eles estavam as condições eram bem precárias. Não tinha chuveiro para eles tomarem banho, por exemplo, e só foram conseguir um, quando voltaram para Liverpool no final de cinco meses de turnê. Mas aos trancos e barrancos, conseguiram cumprir o cronograma como o prometido, vindo a receberem toda a semana.

    Astrid logo os chamou para tirar algumas fotos deles. Pois ela amou aquele estilo Beat deles. Com calças e jaquetas de couro, sem contar aquelas botas de caubói, vindas dos EUA também. Mas que eram todas compradas na Alemanha. Onde George mesmo disse que os materiais eram de excelente qualidade.

    Com a nova amizade formada entre a banda, Astrid e Klaus também. Eles logo estavam fazendo refeições no apartamento dos namorados alemãs e até tomando banho lá também. Enquanto as prostitutas dos clubes de striptease, se encarregavam de lavar suas roupas em águas quentes. Principalmente as suas cuecas.

    Fotografia de John Lennon, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.
    Fotografia de Paul McCartney, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.
    Fotografia de George Harrison, tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960.

    Aos poucos, Astrid começou a se aproximar de Stuart e assim, em questão de apenas alguns meses, já estavam namorando firme. Porém, Paul um dia, numa das apresentações que faziam, soltou um comentário de mau gosto perto de Stuart, em relação a Astrid e ele simplesmente lhe atacou, por não ter gostado nada daquilo. Tendo que os próprios seguranças do clube, apartar aquela pequena confusão no palco.

    Paul posteriormente chegou a se lamentar muito daquilo mais tarde. Pois sua maior irritação não era ele estar namorando a Astrid, na época, mas que ele ainda não tinha alcançado a perfeição necessária no baixo, para acompanhar a banda. Ficando sempre no tom errado da música, por exemplo. E isso o irritava muito, pois ele sempre tinha sido muito perfeccionista com todos. Mas ele sabia que Stuart estava ali na banda somente para agradar o seu amigo John. E que talvez, seria apenas uma questão de tempo, até que Stu decidisse voltar de vez, para a escola de artes e abandonar de vez o baixo que tinha comprado.

    Por outro lado, seu amigo John, não tinha tempo para pensar em desentendimentos bobos. E aproveitou aquela oportunidade única, para transar com todas aquelas garotas que pediam beijos e autógrafo seus, em sua beliche compartilhada. Mesmo sendo casado, na época, com Cynthia. Que estava esperando um filho dele; enquanto Paul fazia a mesma coisa também. Mas George teve o momento mais hilário de todos, pois ele ainda era virgem. E assim, quando trouxe uma das meninas para aquele “suposta acomodação” na beliche em que eles viviam, para transar pela primeira vez, todos ao final aplaudiram-no em uníssono. Trazendo recordações bem engraçadas para todos pelo resto de suas vidas.

    Outra vez também, alguns amigos de John Lennon em Hamburgo, queriam se relacionar com algumas mulheres dali — que falavam um pouco mais grosso do que a normalidade e que também trabalhavam naqueles clubes em que todos tocavam — e quando chegaram as vias de fato, descobriram que todas elas tinham pênis também. Trazendo um grande mal entendido à todos os envolvidos. Menos é claro, a banda de John, que já sabia daquilo há algum tempo e que aproveitou a oportunidade para pregar uma peça em seus colegas. Dando gargalhadas na frente de todos, por ninguém ter desconfiado daquilo antes. Pois a banda sabia muito bem quem era mulher e quem não era.

    Com todo aquele divertimento acontecendo, enquanto suas agendas de shows foram sendo, aos poucos, cumpridas. Um belo dia, chegaram alguns guardas no clube para verificar se todos ali tinham a idade mínima para trabalhar e se tinham a devida autorização do governo também. E é claro que verificaram logo, que todos já tinham suas licenças de trabalho expiradas, pois todos já estavam ali há mais de cinco meses, sendo que a licença governamental dava direito a apenas três meses de trabalho. Vindo a se depararem também, com os documentos de George, que na época, ainda não tinha completado os 18 anos requeridos para ficar até de madrugada trabalhando, como era exigido também. E assim, pediram à todos que voltassem a seus respectivos países o quanto antes.

    Para todos foi um completo choque. Pois ninguém tinha conseguido juntar o dinheiro que prometiam trazer para as suas respectivas casas. E assim, quando enfim, todos retornaram para Liverpool, seus destinos estariam incertos, à começar pela tia de John, a Mimi, que viu que ele não saia mais de casa. Chegando a ficar bastante deprimido. Pensando em tudo o que tinha vívido em Hamburgo com os seus amigos e se valeria a pena continuar naquele caminho incerto, junto com todos eles.

  • Vivendo nos subúrbios de Liverpool

    Como John, Paul, George e Ringo se conheceram em Liverpool? Neste artigo, analisaremos suas infâncias e influências externas, que os fizeram amar a música e todo o seu cenário artístico também. Indo até a formação dos The Quarrymen até enfim, surgirem com o nome The Beatles, formulando assim uma nova organização na banda com a saída de Pete Best da bateria e a entrada de Ringo Starr nas baquetas. Após a morte de Stuart Stucliffe, que era baixista da banda e um dos melhores amigos de John na faculdade de Artes.

    Um dos primeiros mitos que criamos sobre o nascimento de John Lennon, no dia 9 de outubro de 1940, em Liverpool, Inglaterra, e que temos a obrigação de corrigi-lo, foi que a sua mãe Julia o teve sem que houvesse qualquer tipo de bombardeamento naquele dia no Reino Unido. Sua tia Mimi, irmã de Julia, inclusive foi ao hospital sem ter qualquer tipo de incidente naquele dia. Pois Adolf Hitler só começou a bombardear a região no dia 10 de outubro de 1940, com a chegada do 2° ano de guerra, de acordo com o biógrafo e historiador dos Beatles: Mark Lewisohn, que fez questão de pesquisar essa informação, ligada ao mito do bombardeamento, em todos os jornais locais. E para a sua surpresa, não achou nenhuma notícia informando das bombas. O que ele depois concluiu que o bombardeamento realmente não aconteceu mesmo.

    Com a chegada de John Winston Lennon na família, sua tia Mimi tratou logo de ficar com a guarda dele, pois sua irmã sempre tinha sido um pouco rebelde dentro do seio de sua família, e Mimi pensou que aquilo poderia atrapalhar muito o desenvolvimento de seu sobrinho na escola, principalmente. Seu nome do meio: Winston, por exemplo, tinha sido dado à ele por causa do primeiro ministro da Inglaterra na época, chamado Winston Churchill, que ao término da guerra, seria o grande responsável pela derrocada do Nazismo em toda a Europa, junto com a ajuda de Josef Stalin (Rússia) e Joseph D. Roosevelt (EUA). Saindo vitoriosos daquele desastre sem precedentes do Holocausto. Mostrando desde muito cedo, que o patriotismo de ambas as irmãs, estava em alta naquele período do registro de nascimento de John no hospital, em Liverpool.

    Em sua infância, John normalmente gostava muito de desenhar. Mas logo encontrou o livro de Lewis Carrol, chamado: Alice no país das maravilhas, onde ele próprio se lembra de ter desenhado todos aqueles personagens da história e mostrá-lo para quem quer que fosse, inclusive para a sua mãe, tia e o tio George também — marido de sua tia Mimi na época —. Mas o que mais mexia com ele era as hsitórias dos livros que lia. Pois ele dificilmente gostava de viver naquela realidade nebulosa de Liverpool sem propósito algum. E os livros, normalmente o ajudavam a imaginar toda aquela fantasia sem que precisasse sair de seu quarto, por exemplo.

    Sua mãe ia visitá-lo as vezes; mas o seu pai: Alfred Lennon, depois que ele nasceu, só retornou de seus serviços em alto mar, quando ele tinha aproximadamente uns 6 anos, pois Alfred poderia passar meses em alto mar sem que ninguém desconfiasse que ele pudesse estar vivo ou morto. E assim, John em entrevistas sempre disse que no inicio não gostava muito dele, mas depois passou a compreendê-lo melhor, e assim, num dia qualquer, Alfred resolveu buscá-lo na casa de sua tia Mimi e disse para ela que iria passar um tempo com ele e que depois o entregaria para ela novamente. Mas sua real intenção era nunca mais devolvê-lo à ela, pois um de seus amigos o convenceu de ir para a Nova Zelândia em busca de empregos melhores, só que no dia da viagem, Julia simplesmente conseguiu encontrá-lo em casa e lhe disse que não iria levar John para longe dela de maneira nenhuma. E assim, ambos perguntaram a John com quem ele queria ficar. E John em um primeiro instante, disse que era com o seu pai, mas logo em seguida, quando Julia estava dobrando a esquina, com todas aquelas lágrimas descendo de seus olhos, John correu logo até ela e assim, Alfred, só iria tornar a vê-lo novamente quando ele se tornasse um Beatle famoso.

    Mimi tentava não falar mal de seu pai na frente de John, mas depois daquele incidente, John começou a ir para a escola e sempre que podia, arrumava diversas encrencas com seus colegas de turma. Pois ele mesmo dizia que queria ser o líder das brincadeiras que seus amigos faziam. Além de costumar fazer diversos desenhos caçoando de seus professores também, que insistiam que ele nunca teria sucesso se continuasse se comportando daquele jeito. Até que em um dia, ele veio a escutar o tão esperado Messias, para todas aquelas vidas sem propósito algum: o senhor Elvis Presley e assim, tudo mudou em sua cabeça de forma quase que imediata. Tratou logo de aprender alguns acordes de banjo com a sua mãe Julia, que sabia tocar algumas músicas muito bem, e logo estava dentro de uma banda que apelidaram de The Quarrymen, por causa do colégio em que estudavam na época o: Quarry Bank High School.

    Mas sua tia Mimi, teimava em lhe dizer que ele nunca ganharia sua vida sendo um Teddy Boy de uma banda de Rock. Mas John insistiu e passou a se vestir como um só para provocá-la. Porém, o que Mimi ainda não sabia era que a banda tinha acertado uma data para se apresentar em uma Igreja em Liverpool bem em cima de um caminhão de carga. E foi nesse dia em, 6 de julho de 1957, que conheceu através de um amigo em comum, Paul McCartney.

    John Lennon conheceu Paul McCartney na festa anual da Igreja de St. Peter, em Woolton, Liverpool, Inglaterra. No dia 6 de julho de 1957. Foto tirada por Geoff Rhind. A formação dos The Quarrymen na época contava com {da esquerda para a direita}: Eric Griffiths, Colin Hanton, Len Garry (atrás do ombro de John), John Lennon ao centro, Pete Shotton, Rod Davis e Bob Molyneux (de costas assitindo ao show).

    Ivan Vaughan foi quem apresentou Paul a John naquele dia. No intervalo entre uma música e outra dentro da igreja. Num primeiro instante, John achou aquele garoto um pouco esquisito, mas depois que ele começou a tocar em seu violão, a música: Twenty Flight Rock, gravado originalmente por Eddie Cochran — um cantor norte-americano — entre outras músicas também, ao qual, todos escutavam na rádio Luxembourg — onde só tocava músicas dos EUA, como blues, rock e rhytm n’ blues, por exemplo — John logo lhe perguntou se ele queria entrar na banda. E Paul lhe disse que iria pensar à respeito, mas logo no outro dia, mandou avisar à John que ele estava dentro da banda também.

    Fotografia tirada por Charlie Roberts no dia 22 de junho de 1957, durante uma apresentação ao ar livre na Rosebary Street, em Liverpool, Inglaterra. O Show foi realizado para celebrar o 750° aniversário da concessão de status de cidade a Liverpool.{ da esquerda para a direita} Colin Hanton na bateria, Eric Griffiths na guitarra, John Lennon tocando seu violão e cantando ao microfone também, Ivan Vaughan tocando uma espécie de baixo improvisado bem atrás de John, Pete Shooton segurando uma tábua de lavar roupas e por fim, Rod Davis tocando banjo.
    A pintura mostra Paul McCartney sendo apresentado a John Lennon por Ivan Vaughan — amigo em comum — que fez questão de mostrar ao John o que aquele garoto sabia fazer ao violão, ao qual, nenhum deles sabia ainda. Pintura intitulada de: The Introduction, de 2007, pintada por Eric Cash, um pintor norte-americano conhecido por recriar momentos marcantes da história do rock e dos Beatles também.

    Paul em muitas entrevistas mais tarde, sempre disse que ficou bastante impressionado ao ver John no palco naquele dia, pois ele estava simplesmente alterando completamente a letra da música, ao qual conhecia muito bem, através do rádio que tinha o hábito de escutar à noite. Demonstrando à todos ter muita criatividade artística para rimar todas aquelas novas frases que vinham de sua cabeça de maneira totalmente improvisada.

    A infância de Paul foi marcada pela morte de sua mãe. Que era enfermeira e parteira também. Porém, um dia, ela sentiu uma dor muito forte no peito e correu logo para o hospital, para ver se poderia ser examinada por qualquer médico que estivesse de plantão. Mas o médico lhe disse que talvez aquele problema fosse por causa de sua mudança para a 20 Forthlin Road, em Liverpool. Um bairro mais charmoso, que o governo tinha concedido à eles, por causa de seu novo emprego como enfermeira no hospital. Mas a dor continou à incomodando no peito até que um dia ela simplesmente morreu em casa, na presença de seus dois filhos (Paul e Michael) e o marido Jim também.

    Os garotos ficaram muito desorientados com a morte dela, pois ambos tinham aproximadamente 14 anos de idade apenas. Enquanto Jim MacCartney, achou melhor levar os garotos, pelo menos por um curto período, para fora dali, para tentar se recompor um pouco. Caso esse que foi muito difícil, na época. Pois Jim teve que conter todo o seu choro pois teria que ser a mãe e o pai de seus dois filhos agora. Mas as tias dos meninos, ajudaram nos primeiros meses pelo menos, até que Jim conseguisse equilibrar tudo por conta própria. E assim ele fez com muita maestria e amor.

    Paul cresceu tocando violão, enquanto John só teve o dele depois que abandonou a sua gaita e o banjo também. Mas depois que John passou a andar com Paul, acabou abandonando completamente todos aqueles acordes de banjo que sua mãe, Julia, tinha lhe ensinado, quando ainda estava viva, e assim, aprendeu com Paul todos os acordes que ele sabia.

    Porém, Paul lhe disse que tinha conhecido há pouco tempo um garoto, que sabia tocar muito melhor que ele, e que assim, quem sabe, John poderia lhe dar uma chance para entrar na banda também. E esse alguém se chamava George Harrison. Mas quando John lhe viu no ônibus, em 1958, o achou logo muito novo, mas quando o rapaz começou a tocar a música chamada: Raunchy, de Bill Justis — músico, arranjador e compositor norte-americano — simplesmente ficou ainda mais impressionado do que tinha ficado ao ver Paul, em 1957, na igreja. E assim, John optou em ter um outro guitarrista na banda que era bem melhor do que ele e talvez Paul juntos, pelo menos naquele, naquele instrumento.

    Dessa maneira, o trio de amizade estava formada. Mas John em entrevistas, sempre disse que demorou um pouco para aceitar a idade de apenas 15 anos de George na banda, porque Paul tinha 16, enquanto ele próprio tinha 17; e ainda por cima, já estava cursando a faculdade de artes, enquanto Paul e George ainda estavam na escola, por exemplo.

    George sofria muito de problemas de amigdalites em sua infância, vindo a ficar muito doente no hospital. Mas depois melhorou e retornou para a escola, ao qual, não via motivo de frequentá-la, dizendo em entrevistas que o sistema rígido o impedia completamente de avançar nos estudos. E assim, sempre que podia, arranjava um jeito de faltar as aulas para ficar vagando por Liverpool.

    Ringo Starr também sofria de problemas de saúde desde a sua infância, o primeiro problema foi a peritonite, onde seu apêndice simplesmente veio a se romper em casa, aos 6 anos, onde todos correram logo para levá-lo de maca até o hospital. E depois, aos 13 anos, pegou tuberculose, uma infecção pulmonar grave, que precisou ficar mais de um 1 ano no hospital.

    Por outro lado, foi lá que descobriu seu amor pela bateria. Pois uma das enfermaeiras em uma visita diária lhe perguntou qual instrumento gostaria de aprender a tocar. E assim, ele acabou optando pela bateria para passar o seu tempo entre todos aqueles doentes do hospital. Foi amor a primeira vista, ele diria em entrevistas mais tarde.

    Ringo teve vários empregos, mas ficou mais tempo sendo aprendiz de engenheiro e foi lá que formou uma banda de skiffle. Ainda mais depois que ouviu pela primeira vez o Elvis e a música country, que vinham dos EUA e que sempre tinha sido a sua preferida.

    Ringo alega que era bem normal todos terem bandas depois da invasão cultural norte-americana na Inglaterra. E assim, ele também entrou dentro daquela moda. Trabalhava de dia e à noite tocava nos pubs com sua banda. A mais conhecida era o Rory Storm and the Hurricanes. Que começaram a tocar em todos os lugares de Liverpool, ganhando uma fortuna. E ringo até considerava que eles eram os melhores que tinham naquele momento. Dando um banho de lavada naquela banda chamada de The Beatles.

    E assim, Ringo com o cachê volumoso que estava recebendo por ser baterista da banda, tratou logo de comprar um carro pois estava cansado de ser assaltado pelos Teddy Boys que viviam nos bairros mais escuros de Liverpool, procurando encrenca e barulho.

    Se vangloriava para os outros colegas dizendo que ganhava mais como baterista do que como aprendiz de engenheiro. E assim, tratou logo de largar o seu emprego para viver apenas de seu sonho. Que sempre tinha sido tocar pelas noites de Liverpool e quem sabe um dia, tocar no tão sonhado majestoso London Palladium, um teatro que ficava na Oxford Street, em Londres. Que em sua visão, era o ápice de qualquer músico profissional que se prestasse.

    E com a devida saída de Pete Best das baquetas dos Beatles no final de 1962, aconselhados por George Martin — o produtor musical dos estúdios de Abbey Road, em Londres — enfim, os outros integrantes chamaram-no para compor a banda. E Ringo ainda se lembra, que tomou um susto danado desde a última apresentação que tinha visto dos Beatles, tanto em Liverpool, como em Hamburgo, na Alemanha. Pois eles tinham se tornado bem melhores do que a banda em que estava.

    Com isso em jogo, ele não pensou duas vezes e aceitou a oferta de George Harrison para integrar os Beatles, que já ganhavam bem mais do que qualquer grupo de Liverpool ou de Hamburgo também.

    E assim, a magia estava formada quando ele entrava nos palcos e nos estúdios com os outros Beatles e fazia sua batida icônica que iria lhe dar fama mundial. Onde todos os Beatles se tornariam muito em breve, mais famosos que os próprios personagens da Disney inclusive. Tendo como empurrãozinho, a mente criativa do empresário Brian Epstein, que os ajudou a se vestirem mais apropriadamente e a terem mais educação nas entrevistas e apresentaçoes também; enquanto dentro do estúdio 2, de Abbey Road, em Londres, George Martin tratava de organizar todas as ideias iniciais dos Beatles, com os seus arranjos musicais, que iriam desembocar em todos os álbuns clássicos que até hoje conhecemos e que são imitados à exaustão, por diversos artistas novos que surgem no mainstream.

  • A história de duas bandas em fuga

    Com o término dos Beatles em 1969, Paul McCartney se isolou em sua fazenda na Escócia, para tentar se reinventar junto de suas filhas, animais de estimação e a esposa Linda McCartney também. Lançando seu primeiro álbum solo: Mccartney, quase que ao mesmo tempo do último álbum dos Beatles: Let It Be em 1970, antes da cisão definitiva entre os 4 membros; até a criação dos Wings onde Denny Laine, que aparece na imagem está. Houveram muitas modificações na formação da nova banda de Paul, até o seu término em 1979. Mas o que importa é que esses três integrantes passaram a maior parte do tempo juntos, criando música de qualidade para os seus fãs.

    O fim dos Beatles foi um acontecimento em todos os jornais mundo afora, inclusive na Inglaterra. Era como se o império Britânico junto com a sua realeza, estivessem se desintegrando por completo. O apogeu daquela cultura artística exportada tinha enfim terminado de uma forma bem abrupta.

    O grande erro da imprensa na época, foi culpar Paul pelo fim da banda. Sendo que no livro Wings: a história de uma banda em fuga, lançado pelas Belas Letras, em 2026, Paul em suas próprias palavras, relata que foi John que primeiro deixou a banda. Dizendo simplesmente que estava fora depois das gravações do album Abbey Road de 1969. Porém, somente em 1970 com o lançamento de Let It Be é que todos iriam comunicar a imprensa que a banda tinha enfim, chegado ao fim.

    Mas Paul acabou levando a culpa, pois um repórter tinha lhe perguntado sobre os Beatles e ele simplesmene em sua fazenda, na Escócia, lhe disse que estava tudo acabado entre eles. Dito e feito. No outro dia, a história toda apareceu nos jornais e John ficou revoltado com aquilo, pois teria que ser ele ao dar a fatídica notícia a imprensa e ao redor do mundo também, não Paul.

    Para início de conversa, os últimos meses da banda foram bem turbulentos, porque o primeiro a deixar a banda em período de gravações foi Ringo, que só voltou depois que o próprio George lhe disse que todos o amavam e que ele sempre seria o melhor baterista do mundo. Enchendo todo o estúdio 2 de Abbey Road de flores antes de sua chegada triunfal.

    Logo em seguida, George também abandonou a banda. Pegando o seu case com a sua guitarra e abandonando as gravações em Abbey Road, por causa de uma discussão que teve com Paul, onde o senhor McCartney, lhe disse em como deveria soar a sua guitarra. George imediatamente lhe disse que faria tudo o que ele quisesse, pois só estava ali para isso mesmo.

    Paul afirma em entrevistas posteriores que tinha realmente pegado um pouco pesado com George, naquela época. Mas depois tudo voltou ao normal nos estúdios 2 de Abbey Road, em Londres. E assim, todos conseguiram terminar as gravações e finalizar na sala de mixagem o álbum todo.

    Porém, quando John comunicou à todos que estava deixando a banda em definitivo, todos já sabiam que aquilo iria ser realmente o fim. Pois John sempre tinha sido o líder da banda, ao qual, todos admiravam e respeitavam também.

    John chegou a falar primeiro com Klaus Voormann (músico, artista plástico e criador da capa do álbum: Revolver, de 1966, dos Beatles)— pois Yoko Ono sua mais nova namorada na época, já sabia de sua decisão também — ao telefone. Voormann ficou estupefato com a notícia. Dizendo que aquilo seria um choque para o mundo todo. Mas John em sua opinião, estava muito tranquilo quanto à sua decisão, pois ele queria explorar novas contribuições artísticas do que somente trabalhar com os mesmos tipos de pessoa há mais tempo do que ele poderia se dar conta. E assim o fez em algumas semanas.

    Com a decisãojá tomada, todos assinaram os documentos correspondentes ao desligamento de seus serviços dos Beatles. Mas John só veio a assinar o seu quando estava na Disney em 1975, nos EUA. O que revoltou todos os outros integrantes na época.

    Mas a grande questão da dissolução final da banda se deu porque John queria que todos assinassem um novo contrato para a banda, com o advogado chamado: Allen Klein, enquanto Paul queria que todos assinassem com o advogado Lee Eastman, pai de Linda Eastman, sua futura esposa. O que revoltou John, que tentou influenciar os outros dizendo que Paul estava tentando se beneficar de alguma forma daquilo. O que não era verdade.

    Paul no livro disse que a única maneira que o pai de Linda viu, para que ele pudesse sair daquela situação, era processando os outros integrantes dos Beatles. Seus únicos irmãos de vida. E é claro, que ele não queria fazer nada daquilo. Mas no fim, não teve jeito. E o clima azedou de vez entre os Beatles.

    Ringo ficou na dele, mas tanto George como John ficaram muito revoltados com aquilo na época. Dando diversas entrevistas aos jornalistas — que só queriam vender cada vez mais jornais com aquele escândalo iminente — expressando todo aquele sentimento de amargura que estavam passando.

    John chegou até a compor uma música alfinetando Paul, depois de algum tempo, intitulada: How Do You Sleep?, em um álbum solo, chamado: Imagine, de 1971, onde ele faz questão de afirmar aos seus fãs, que Paul só tinha feito uma música boa em sua vida, chamada de: Yesterday, ao qual virou um grande hit mundial.

    Inclusive, na música de John, em sua carreira solo, George fez questão de fazer as linhas de guitarra também. Mas Ringo preferiu se ausentar daquelas farpas sem sentido algum entre os seus amigos, e preferiu seguir fazendo sua carreira solo, deixando bem claro à todos os envolvidos, que o seu gosto pelo Country, o fazia ser um baterista bem mais diversificado em sua técnica do que todos eram capazes se supor, enquanto ele era simplesmente um Beatle, por exemplo.

    Com o início de suas respectivas carreiras solo. Paul aproveitou sua fuga da sociedade, enquanto estava em sua fazenda na Escócia, e começou a formular o que seria o Wings. Onde Linda o ajudou a se recompor daquela saída bem traumática ,de sua única banda, até aquele ponto pelo menos. Lhe incentivando a continuar compondo e fazendo a sua música também. E assim, ele fez. Reuniu Denny Laine em um estúdio improvisado em sua fazenda e começou a experienciar novos sons e liberdades artísticas, que ele já não tinha há bastante tempo.

    E assim o Wings nasceu. E Paul instantaneamente, teve que começar tudo novamente. Pois o processo da dissolução dos Beatles, so iria terminar em 1975, com a assinatura de John na Disney, nos EUA. E enquanto isso não se concretizasse, Paul preferiu retornar para as turnês, com a sua nova banda, viajando de ônibus pela Inglaterra, junto de sua família, à procura de universidades para tocar.

    As universidades logo aceitaram aquela proposta maluca de Paul em tocar em seus refeitórios e teatros improvisados, com alguma antecedência, pelo menos. Pois os responsáveis pela organização daqueles eventos, teriam que ter tempo para pelo menos, organizarem os eventos da melhor maneira possível. Pois de acordo com alguns, a grande maioria pensava que o anúncio, poderia ser mentira ou até mesmo alguma espécie de trote para os novos calouros. Mas depois do primeiro show, o boato se espalhou em toda a Inglaterra, e as universidades logo começaram a se perguntar, se Paul iria passar em seus campus também, para uma simples apresentação, que talvez fosse mudar para sempre a vida daqueles pessoas que assistiam e nunca teriam chances de pagar por um show dos Beatles, nos melhores lugares, por exemplo.

    Mas paul logo notou que a grande maioria que ia aos seus shows, não queriam que ele tocasse suas novas músicas do Wings. E sim, seus antigos sucessos dos Beatles. Mas aos poucos, ele foi embalando alguns novos hits nas paradas de sucesso e o público foi se adaptando a sua nova fase junto aos Wings.

    O grande ponto de virada em sua nova vida, foi quando ele foi chamado para compor um nova música para o James Bond, que viria a ser a: Live and Let Die. Incluída no filme 007: Viva ou deixe morrer de 1973. Onde Paul em um final de semana, teria lido o livro de Iam Fleming — em sua fazenda na Escócia — e simplesmente adorado a trama do livro.

    Paul aproveitou aquela oportunidade para incluí-la em seu álbum dos Wings: Band on The Run de 1973. Onde ele fez questão de chamar alguns artistas para a capa, inclusive o eterno Drácula: Christopher Lee, o ator britânico, que era conhecido nos sets de filamgem, por saber falar vários idiomas.

    Álbum dos Wings, intitulado: Band On The Run de 1973, onde uma das faixas é Live and Let Die. Música esta, composta por Paul McCartney, para o filme de James Bond. Chamado, 007: Viva ou Deixe Morrer de 1973. Tendo como protagonista principal, o ator: Roger Moore.

    Com a crescente turnês dos Wings por lugares cada vez maiores, até enfim, chegar aos tão sonhados estádios ao redor do mundo. Paul sentiu que estava fechando um novo ciclo em sua vida com aquela banda. Ainda mais, depois que tinha sido preso no Japão por posse de maconha — na única turnê dos Wings que teve que ser cancelada — gerando um trauma enorme em sua vida, e nos outros integrantes de sua banda também, mas principalmente em Linda, pois de acordo com o seu advogado, na época, ele facilmente poderia ter pegado 10 anos de cadeia, em regime totalmente fechado. Levando-o a pensar seriamente à comprar um imóvel no país, para que sua família pudesse esperá-lo sair de lá, quando a pena chegasse ao fim.

    Mas por sorte do destino, Paul foi deportado antes que qualquer tipo de julgamento pudesse ter acontecido no Japão, tendo como punição, ficar vários anos sem que pudesse retornar para o país novamente.

    Porém no livro, ele conta em melhores detalhes que aquele momento de tensão em sua vida, possa ter sido bem pior para a sua família e mais precisamente para a Linda. Que ficou no lado de fora cuidando de suas duas filhas: Stella e Mary. E ele por outro lado, além de se preocupar muito com todos de sua família, é claro; resolveu passar o tempo inventando novas músicas ou até mesmo cantando seus antigos e novos hits de sucesso com os Beatles e os Wings, para que assim, pudesse entreter os seus vizinhos de cela e assim, evitar que eles pudessem fazer qualquer coisa com ele no período em que ele estivesse ali.

    Depois de sua volta para a Inglaterra, os Wings não tinham mais sintonia nenhuma, e assim, em 1979, eles realizariam a sua última apresentação em Londres.

    Em 1980, Paul decidiu começar a gravar o seu novo álbum, chamado apenas de: McCartney II. Porém em dezembro de 1980, John Lennon, seu amigo de londa data, havia sido brutalmente assassinado com cinco tiros nas costas, no momento em que estava a poucos passos de entrar no Hall de entrada do Dakota, em Nova York, onde morava com Yoko e Sean, seu segundo filho. Tendo Yoko Ono, presenciado toda à cena, enquanto seu filho Sean Ono Lennon estava simplesmente lhes esperando no apartamento, enquanto seus pais, tinham acabado de sair dos estúdio de gravação, naquela madrugada bastante fria e fatídica também.

    Com a divulgação da trágica notícia ao redor do mundo, chegou aos ouvidos de Paul, em sua fazenda, pela manhã, que seu grande amigo de vida, tinha vindo à ser brutalmente assassinado, em Nova York. E logo no momento em que ele estava mais realizado e centrado em sua arte também. Alcançando a completude que poucos sentiam durante suas vidas corridas. Sendo um excelente pai quase que de maneira integral, para os seus dois filhos, Sean (de seu relacionamento com a artista plástica: Yoko Ono) como para Julian (que era de seu antigo casamento com Cynthia).

    Para alívio de Paul, ele tinha nos anos finais de vida do amigo, conseguido se reconciliar com ele à tempo. Ao contrário de George, que nunca conseguiu de fato chegar as vias de se desculpar, por qualquer coisa que tenha feito, dito ou até mesmo sofrido por John. Mas pelo menos, George, teria a hombridade de fazer uma música para seu amigo, mais tarde, prestando as devidas homenagens ao seu ídolo secreto.

    Uma vez, Paul relembra que para seu total espanto, Yoko foi até a sua fazenda, na Escócia, para lhe comunicar que John estava nos EUA em um casa junto com Keith Moon (baterista do The Who), além de outros artistas também, fazendo sabe-se lá o que. Linda ao escutar aquilo com Paul, imediatamente resolveram ir até lá, com a intenção de retirá-lo daquela situação depressiva, no que ficou conhecido depois, como o final de semana perdido de John Lennon. Mas que durou alguns meses ao invés do mito que se criou em torno dessa situação. Onde muitos afirmavam que tinha sido apenas dois dias.

    Ao chegar naquele recinto, eles tocaram algumas músicas, e depois disso, Paul puxou John de lado e lhe disse que a Yoko queria voltar com ele, mas que ele teria que dar flores à ela quase que todos os dias, caso estivesse pensando numa possível reconciliação. E assim, ele fez, abandonando de vez sua namorada na época, chamada: May Pang, concedida pela própria Yoko Ono, para que ele pudesse se sentir mais livre.

    John como era bem inteligente e assim, fez exatamente o que Paul lhe pediu para fazer, e em questão de apenas alguns anos, Yoko Ono daria à luz ao seu filho: Sean. O segundo de John.

    Uma das músicas que Paul depois veio a gravar para o seu grande amigo-irmão John, foi a: Here Today, que apareceu em seu álbum de estúdio, chamado: Tug of War, de 1982. Pois era uma maneira de colocar em palavras, toda a dor que sentiu e ainda sente, ao não ter mais por perto à sua presença, que influenciava tanto a sua arte como a sua vida também. Deixando bem claro à todos os integrantes dos Beatles na época, de que as indiferenças entre eles sempre existiriam, mas o amor que sentiam um pelo outro, jamais poderia deixar de se expressado, independentemente dos atritos que tiveram ao longo do desenvolvimento da banda; que agora não era mais de um só líder como John pensava; e sim, do universo inteiro, que sempre precisaria daquelas letras para darem a devida oportunidade para a paz entre aquelas nações que viveriam eternamente em guerra.

    Foto de John Lennon, tirada por Linda McCartney em 1968.