A morte de Stuart Stucliffe (1940-1962)

Fotografia dos Beattles tirada pela fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, em Hamburgo, Alemanha, em 1960.

Com o primeiro regresso dos Beatles para Liverpool. Tudo ainda estava muito incerto. Paul e George ligavam para a casa de John, mas dificilmente eram atendidos por ele. Tia Mimi insistia em dizer à eles que ele estava ocupado no momento. A verdade era que John ainda estava refletindo se valeria a pena insistir com os novos projetos da banda. Enquanto isso, Paul e George tentavam arrumar novos empregos para ocuparem o seu dia.

E foi assim que Paul arrumou um provisório, à pedido de seu pai. Enrolando bobinas em uma fábrica. Até que John, depois de tanto pensar, decidiu seguir com o projeto da banda, indo ao encontro de Paul para convencê-lo a sair de onde estava. Porém, Paul lhe disse que pretendia seguir o conselho do seu pai, mas John junto com George, insistiu mais uma vez, lhe dizendo para largar aquela vida sem propósito nenhum. E que não era necessário seguir os conselhos de seu pai só para lhe agradá-lo. Paul então, pensou mais um pouco sobre aquilo e assim, decidiu embarcar naquele sonho junto com os seu amigos mais numa vez.

Na verdade Paul depois em algumas entrevistas, disse que John tinha lhe dado um ultimato. Dando como únicas opções: ele próprio ou o seu pai. E no final, ele acabou escolhendo o caminho certo. Aquilo que tinha nascido para fazer. Que era tocar em uma banda de rock pelo resto de sua vida, ao lado de seus amigos de estrada.

Aos poucos, eles foram retomando as suas agendas de shows, tanto na Casbah como no Cavern, em Liverpool. Até que um dia, encontraram com Brian Epstein, que logo lhes ofecereu um agenciamento empresarial melhor para a banda. O que todos aceitaram depois de uma semana de discussões e novos rumos que poderiam vir à tomar, com aquela pessoa de aparência rica e com muitos contatos na indústria fonográfica também.

No final de 1961, Brian passou a agenciar os seus meninos, como ele mesmo insistia em dizer, à novos possíveis contratantes. E logo, estavam levando eles a novos lugares mais longes do que somente pelas redondezas de Liverpool.

E foi assim que surgiram Neil Aspinall e Mal Evans em suas vidas. Aspinall era um simples contador de uma empresa que recebia apenas 7 libras por semana. Enquanto Mal Evans, era segurança do cavern e poderia muito bem carregar os instrumentos da banda e até mesmo montá-los antes de se apresentarem também. Porém, no início, quem fazia o serviço todo era apenas Neil Aspinall, os levando em sua van para qualquer região da Inglaterra e fora dela também, em que pudessem tocar, cobrando apenas 1 libra pelo dia de viagem.

Até que depois, Brian Espstein achou melhor que somente Mal Evans fizesse o serviço pesado, levando em consideração que ele era muito mais forte e mais alto do que Aspinall. E os Beatles assim, lhe ofereceram o novo serviço, promovendo de posição o Neil Aspinall, é claro, para assistente pessoal do grupo; enquanto que Evans, ficaria encarregado de cuidar apenas da montagem e organização dos equipamentos como road manager da banda.

Brian Epstein logo retornou com todos para Hamburgo mais vez, para uma temporada de shows com uma melhor estrutura. Onde os Beatles ficaram melhores instalados dessa vez. Stuart Stucliffe já estava namorando a fotógrafa alemã: Astrid Kirchherr, ficando de maneira definitiva em Hamburgo para estudar artes. Até que enfim, resolveu abandonar de maneira definitva os projetos da banda e seu baixo também; enquanto Paul assumiria a sua função; pois nem George muito menos John, queriam fazer essa parte. Pois gostavam muito de tocar guitarra. Ao contrário de Paul, que sempre tinha sido um multi instrumentista e se adequava muito melhor a qualquer adversidade que surgisse ao entorno da banda. Tocando até mesmo bateria, em algumas ocasiões, quando ninguém aparecia em Hamburgo, para substituir Pete Best, que volta e meia ficava doente na Alemanha, por causa do clima muito inóspito.

Porém, uma vez enquanto estavam tocando, John acabou em um briga, quebrando o seu dedo, enquanto Stuart sofreu vários traumas em sua cabeça também. Mas até hoje não se sabe ao certo, se Stuart veio a sofrer alguns coálogos no cérebro por causa da confusão. O fato é que Stuart começou a ter fortes dores de cabeça e náuseas, vindo até mesmo a desmaiar em algumas ocasiões.

Fotografia tirada pela fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, em 1961, em seu estúdio de arte montado no sótão de sua casa, em Hamburgo, na Alemanha. Astrid, nessa época, estava noiva de Stuart Stucliffe.

Astrid assim, o levou a diversos médicos em Hamburgo, mas ninguém nunca conseguiu diagnosticá-lo apropriadamente. E isso deixava Stuart com muito mau humor. E como exemplo disso, uma vez, ele até tentou escrever uma carta para a sua mãe, que estava em Liverpool, para se queixar sobre as suas fortes dores de cabeça, mas quando Astrid foi ler a sua carta, ela estava completamente inelegível. Até que um dia, Stuart teve uma hemorragia cerebral em casa e veio imediatamente a óbito em 10 de abril de 1962, em Hamburgo, aos 21 anos apenas.

John Lennon, seu amigo mais próximo na banda foi ao funeral, mas Paul e George preferiram não ir. E George ainda se lembra que algumas semanas antes, quando a banda ainda estava em Liverpool, fazendo alguns shows ali a acolá, todos sairam para se divertir um pouco e Stuart estava cheios de planos para seguir com a sua futura carreira como artista em Hamburgo. E na opinião de Paul, se ele ainda estivesse vivo, provavelmente seria um grande artista.

O que ficou na memória de todos foram as suas lembranças e certos arrependimentos talvez. Pois quando tinham que ir a algum lugar na van de Neil Aspinall, por exemplo, disponibilizavam sempre os piores lugares para Stuart, enquanto John não fazia absolutamente nada para protegê-lo. Ou em outras ocasiões, quando estavam comendo em um determinado lugar, pediam a Stuart que se afastasse dali, pois queriam comer sem a presença dele. E isso para John, em algumas entrevistas posteriores, ele mesmo confessou, que aquilo era pura maldade, da parte de todos eles, inclusive de Paul e George, que costumavam sempre pegar muito no pé dele. Mas Stuart nunca os retrucava, fazendo exatamente o que lhe pediam. E na visão de John, isso era fraqueza por não conseguir lutar e brigar por seu espaço dentro da banda, com todas aquelas personalidades diversas, mas que juntos, sempre se complementavam.

Paul tem lembranças de sempre ter dado bronca em Stuart, por estar sempre tocando fora do tom de qualquer música em que estivessem tocando, na época, por exemplo. Mas depois concordou com George também, dizendo que em suas últimas semanas de vida, quando ele retornou para Liverpool, pois já estava morando com Astrid em Hamburgo, era como se Stuart estivesse se despedindo de todos nós. E todos ainda lembrariam daquele momento em seus corações para sempre.

Fotografia tirada pela própria Astrid Kirchherr, em Hamburgo, na Alemanha, em 1960, diante de um espelho.
Fotografia tirada pelo fotógrafo alemão: Jürgen Vollmer, de Astrid Kirchherr e Stuart Stucliffe, nas escadarias de um prédio residencial clássico, em Hamburgo, na Alemanha, em abril de 1961.

John Lennon nunca gostou de falar muito sobre o assunto. Foi um completo choque para todos eles. Mas como Brian tinha acabado de conseguir um teste importante com George Martin, da Parlophone, em Londres, nos estúdios Abbey Road, em 1962, onde tiveram que substituir as pressas o baterista Pete Best. Era hora de arregaçar as mangas mais uma vez, só que dessa vez com Ringo Starr nas baquetas e honrar a memória de Stuart fazendo a arte que mais gostavam e confiavam também.

Todos no dia estavam muito nervosos, ainda mais que George Martin tinha colocado um baterista profissional novamente, para substituir o novo baterista da banda, causando um mal estar terrível nos estúdios. Principalmente em Ringo, que teve que se sujeitar apenas a um bumbo e pandeiro sem graça, em uma das músicas que vieram a tocar para Martin.

Todos insistiram que não queriam gravar a música: How Do You Do It?, que George Martin tinha pedido à eles. Mas mesmo assim, fizeram um novo arranjo para a música, mas como alternativa, mostraram logo as suas músicas autorais que tinham feito à pedido de Brian Epstein, que aconselhou à todos eles a ensaiarem e fazerem materias novos também, para apresentarem no dia da gravação do disco.

George Martin e o outro produtor, enfim, cederam a pressão e disponibilizaram a música que queriam à outro artista, que chegou logo nas paradas de sucesso. Mas os Beatles não queriam se sujeitar gravando um material que não era o estilo deles. Temendo que fossem alvos de diversas piadas em Liverpool, por causa disso. E assim, o senhor Martin, escutou a música que eles tinham composto, chamada: Love Me Do, e enfim, aceitou como o primeiro single da banda. Estando nas baquetas Ringo Starr, que tinha tocado bem melhor do que o Andy White, o baterista de estúdio profissional que tinha sido chamado pelo produtor musical. Chegando ao 17° lugar nas paradas de sucesso, mas depois simplesmente desapareceu. Mesmo tendo vendido aproximadamente 40 mil cópias somente na Inglaterra.

Depois vieram os sucessos, como: P.S. I Love You, Ask me Why, Please Please Me, a Taste of Honey e assim por diante.

Os Beatles agoram estavam fazendo um tremendo sucesso ao final de 1962, tocando em diversos locais na Inglaterra. E se tornando a principal banda do norte, tendo um aumento mais do que justo em seus cachês, por apresentação. Mas Brian ainda teria que ter uma equipe de marketing e publicidade muito boas, para que assim, os jornais da Inglaterra notassem os seus meninos de Liverpool. Mas isso não ia demorar muito para acontecer, por causa dos conselhos que o novo empresário dos Beatles estava anotando de Andrew Loog Oldham, que viria a ser o empresário de uma nova banda chamada: The Rolling Stones, entre os períodos de 1963 à 1967.

Comentários

Deixe um comentário